Pular para o conteúdo
Colunas

Porque o futuro nos pertence

Juventude Sem Medo

As perspectivas não são animadoras para a nossa geração: a falta de perspectivas, o desemprego, a opressão e a exploração sufocam a nossa rotina. Construir um outro futuro para nossa juventude por fora dessa barbárie reacionária não só e possível como necessário. Acreditamos que a atuação dos jovens na política é fundamental para mudar essa situação. Este é um espaço feito por jovens e para jovens, que atuam também no coletivo Afronte, falando sobre temas do nosso cotidiano, sob uma perspectiva anticapitalista. Esperamos que gostem!
Por Gabriel Santos e Victória “Vic” Ferraro

Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética, já havia dito o revolucionário argentino Che Guevara. Hoje a palavra revolução não faz tanto sentido na mente, corações e no dia a dia da juventude brasileira, como no início da década de 60. Socialismo e luta de classes são palavras distantes do cotidiano de grande parte da população, mas que ficam tão perto e são tão mal usados por um governo de generais, ministros, pastores e palhaços.

Dia sim, outro também, Bolsonaro ataca o “perigo vermelho”, a “ameaça comunista”, e lembra dos 13 anos do PT como um governo que “levava o Brasil rumo ao socialismo”. Caso algum viajante do tempo desatento chegasse no Brasil em 2019, poderia ter o engano que estaria em plena Guerra Fria. As bobagens que o presidente da República fala poderiam ser parte de memes de páginas conhecidas nas redes sociais como “Coisas ditas por reaças que seriam bacanas se fossem verdades”.

Durante todo o século XX, um século de guerras e revoluções, vimos diversas tentativas de superação do capitalismo. A construção de uma alternativa socialista esteve na ordem do dia durante quase todo o século passado. Nas duas primeiras décadas deste nosso século, as coisas não são assim. A necessidade permanece, mas as dificuldades estão maiores. A deformação que o socialismo teve ao ser confundido e posto um sinal de igual com o stalinismo é prova disso. O rebaixamento programático de dezenas, para não dizer centenas, de organizações ao longo do globo, também mostram as dificuldades.

O governo brasileiro, assim como o de Donald Trump, escolheu os “vermelhos” como maiores inimigos, e culpados por toda e qualquer catástrofe. E fazem isso tanto para atender a uma base mais radical, como para criminalizar os movimentos sociais, partidos de esquerda e sindicatos, facilitando dessa forma a destruição completa dos direitos trabalhistas. Por mais que Bolsonaro seja um imbecil e fale tantos absurdos, tudo o que fala é calculado.

As armas de Bolsonaro e sua equipe estão voltadas para nós. Pois afinal, somos nós os vermelhos. Por mais cores diferentes e diversas que possam ter nossas bandeiras. Seja o vermelho do MST, MTST e do Partido dos Trabalhadores. Ou o amarelo do Partido Socialismo e Liberdade. Ou o roxo da Frente Povo Sem Medo e até mesmo o azul da União Nacional dos Estudantes. Todos nós somos os vermelhos, apontados como inimigos da pátria, da moral, da família e dos costumes. Tidos como sem caráter, capazes de utilizar qualquer método para alcançar frios e mesquinhos interesses.

Mas como diz aquele bom e velho ditado, mar calmo nunca fez bom marinheiro. A verdade é que para bem ou para mal, ou para os dois, os ataques de Bolsonaro podem despertar um interesse de um importante número de jovens e trabalhadores sobre o socialismo.

A juventude é a fase de sonhos e conquistas. De almejar um futuro. De buscar e arriscar. Porém, até o direito ao sonho vem sendo tirado pelas elites.

Hoje a realidade para a maior parte dos jovens trabalhadores e filhos da classe trabalhadora é desanimadora. A ameaça de ter uma vida ainda pior que a geração anterior é real. Os índices de desemprego entre a juventude é altíssimo e com a reforma da Previdência o presente e o futuro estão colocados em risco.

Nas periferias das grandes cidades, os empregos precários e a juventude se vira como pode. A escolha para muitos é ou colocar comida na mesa ou alcançar o diploma superior. E a barriga ronca mais alto. A explosão de trabalhos precários e super desgastantes como call center é uma febre entre os jovens, que buscam o mínimo de dignidade para conseguir sobreviver.

São novos tempos. Sob um novo governo. Uma juventude que faz perguntas e exige respostas diferentes das feitas por gerações anteriores. E nesses novos tempos, para superar este velho governo que governa para as mesmas velhas elites, é preciso reagrupar, recompor, unir e formar o novo.

Nós não escolhemos as dificuldades que aparecem pelo caminho que vamos percorrer para chegar do outro lado do bosque. Algumas trilhas serão calmas, e em outros momentos andaremos sob teto de vidro, espinhos e por meio de um lamaçal. Tudo parecerá confuso. Mas se tivermos certeza de onde queremos chegar. Qual nossos objetivos finais. Qual nossa meta. Poderemos até ter dificuldades, mas não iremos nos perder.

Marcado como:
juventude