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Vida longa, Esquerda Online

José Carlos Miranda

José Carlos Miranda foi ferroviário e metalúrgico. Ativista dos movimentos sociais desde os anos 1981, é da Coordenação Nacional da Resistência/PSOL, membro do Conselho Curador da Fundação Lauro Campos (PSOL) e da Direção do PSOL-SP

Vivemos um período que podemos dizer coloquialmente “estamos mais apanhando que batendo”, nesta situação no Brasil e no mundo a extrema direita avança como fruto da crise direto da crise de 2008/2009, mas também como desdobramento da restauração do capitalismo na URSS, nos países do Leste Europeu e na China. Mas houve e há muita resistência, inclusive no coração do capitalismo, os EUA.

É necessário lembrar, os combativos movimentos “Occupy” que em 2011 tomaram as praças á partir do protesto em Nova Iorque de norte a sul dos EUA, do “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) que surgiu após um policial assassinar um jovem negro, do espetacular movimento que quase levou o senador “socialista democrático” Bernie Sanders a mobilizar centenas de milhares, em especial na juventude a enfrentar o aparato do Partido Democrata, e a candidata de Wall Street Hilary Clinton nas prévias que escolheram o candidato a presidente deste partido, do poderoso movimento de mulheres anti Trump que juntaram multidões logo após a eleição de Donald Trump.

E na Europa as jornadas no Estado Espanhol, Portugal, França com poderosas greves gerais que há muito não se via. Os massivos movimentos pela Independência da Catalunha, o incansável movimento dos coletes amarelos na França, o “Brexit” no Reino Unido e o crescimento da esquerda no Partido trabalhista. O maravilhoso movimentos de mulheres que levou milhões ás ruas da Europa. São combativos movimentos de massas que além de nos dar ânimo, também são uma demonstração que existem forças para resistir aos brutais ataques as condições de vida dos povos em todos os cantos do planeta.

Na América Latina a excepcional luta das mulheres em defesa da legalização do aborto e a luta em defesa da seguridade social na Argentina, a Greve Geral de 28 de abril de 2017 no Brasil, a Marcha a Brasília em maio. Apesar disso o governo Temer e seus cúmplices no Congresso Nacional aprovaram a “reforma trabalhista” que aniquilou de uma penada 117 artigos da CLT e iniciou a imposição de uma agenda reacionária de costumes. As multidões do “#EleNão” ás vésperas da eleição, os milhares de militantes no “vira voto” nas últimas semanas de campanha não foram suficientes para barrar a “tsunami” eleitoral que elegeu Bolsonaro e um Congresso e governos estaduais ainda mais reacionário que os anteriores.

O Esquerda On line nasceu em meio a estes duros combates e na vanguarda já é uma reconhecida ferramenta da esquerda radical. O EoL surgiu em meio a estes duros combates e neste pequeno tempo de vida já é uma ferramenta conhecida pela vanguarda do ativismo sindical, socialista, anticapitalista e da luta pelas liberdades democráticas.

O EOL esteve a frente no fundamental debate no PSOL para construir a candidatura Boulos, dos debates programáticos e teóricos para construção do programa desta candidatura. Esteve na linha de frente contra o impeachment e a prisão de Lula. Publicou textos teóricos, abriu suas páginas a debates com opiniões diferentes em diversos e importantes temas e finalmente foi dos poucos instrumentos da mídia alternativa que estiveram no “dia mais tenso dos últimos tempos” no dia 23 de fevereiro estava na Venezuela trazendo ao vivo informações sobre a situação do país vizinho. E agora ajuda a impulsionar a campanha de solidariedade ao povo venezuelano.

Numa difícil situação, mas onde as energias para resistir não estão dissipadas o EOL têm sido inclusive um ponto de apoio, com a generosidade e firmeza no debate que contribua para reorganização da esquerda.

Nos debates contemporâneos temos muitas perguntas a serem respondidas. qual a conjuntura? Existe fascismo? Como construir um partido socialista que não cometa os mesmos erros do PT? Como construir a unidade contra Bolsonaro? E na Venezuela o que se passa? Brexit, ser ou não ser? Opressões, qual o programa? Arte e luta de classes?

Muitas perguntas, e tenho certeza e segurança em afirmar que o EOL neste período de existência tem ajudado um importante setor da vanguarda ativista e militantes a reflexão para responderem a estas questões. E não é esse o papel de uma ferramenta da esquerda radical? Penso que sim.

Fazer parte desta combativa e brilhante equipe de colunistas me enche de orgulho, na mesma medida do sentido do caminho que devemos trilhar para contribuir na hercúlea tarefa de estarmos à altura dos enormes desafios destes tempos.
Creio que estamos no sentido correto e podemos dizer longa vida ao Esquerda Online.

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