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BRASIL

Bolsonaro com Trump: Vergonhosa subordinação e cinco graves ataques ao País

Editorial de 20 de março de 2019
Alan Santos/PR

Trump e Bolsonaro assinam acordos

Bolsonaro escolheu o EUA para realizar uma primeira visita oficial como Presidente da República, inclusive quebrando uma tradição dos últimos anos, onde a maioria dos ex-presidentes brasileiros visitava, em primeiro lugar, a vizinha Argentina.

Esta escolha está longe de ser mera coincidência. Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelo país imperialista do Norte. Mas, também, e principalmente, a admiração pelo seu atual presidente, Donald Trump. Afinal, ambos são representantes de uma extrema-direita que, infelizmente, vem crescendo em várias partes do mundo.

A viagem como um todo, passando pelas reuniões e os acordos anunciados, demonstra a falsidade do discurso patriota do atual presidente brasileiro e é a confirmação do que já tínhamos antecipado em nosso portal: o encontro de Bolsonaro com Trump ameaçaria gravemente a nossa soberania.

 

1. Entrega da Base de Alcântara:

Ainda antes da reunião de Bolsonaro com Trump, os ministros da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores do Brasil assinaram o acordo que cede a Base de Alcântara, no Maranhão, para utilização dos EUA. O acordo segue secreto, pois ainda precisa ser autorizado pelo Congresso Nacional brasileiro.

O controle sobre Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara (CLA) foi uma ambição antiga dos EUA e de suas Forças Armadas. Durante o governo tucano de FHC chegaram perto de conseguir, mas a resistência popular pressionou o Congresso Nacional, que acabou não autorizando a cessão.

O CLA é uma dos principais bases de lançamento de foguetes do mundo, pois sua localização geográfica, próxima a Linha do Equador, permite uma economia de até 30% de combustível para colocar um equipamento em órbita.

Mas, além das vantagens econômicas relativas ao projeto espacial estadunidense, o controle do CLA permite, na prática, que o EUA tenha uma base em solo brasileiro, muito próxima da região Amazônica e também da Venezuela.

Na cláusula que preserva a segurança tecnológica dos EUA, anunciada como parte do referido acordo, está o grave risco da nossa Soberania. Afinal, nem o governo brasileiro e nem as forças armadas nacionais poderão efetivamente controlar que materiais os EUA vão transferir para Alcântara.

A perda da Soberania sobre parte de nosso território já é muito grave, mas se torna dramática, pelas afirmações de Bolsonaro contra a idéia de que a Amazônia é brasileira e diante de todas as ameaças contra o povo venezuelano.

 

2. Privatizações e Internacionalização da economia brasileira:

O discurso do Ministro da Economia, Paulo Guedes, aos grandes empresários dos EUA chamou a atenção pela defesa aberta e radical da venda do patrimônio público brasileiro. Novas privatizações e a internacionalização de ramos inteiros da nossa economia é a linha mestra do governo Bolsonaro.

Está em risco, principalmente, o Petróleo e o nosso sistema elétrico. Já estão previstos novos leilões das reservas de Petróleo, especialmente do Pré-sal, com uma participação ainda mais reduzida da Petrobras no controle da exploração de nossa maior riqueza. O avanço na privatização do sistema Eletrobrás é outro risco iminente.

Mesmo no setor privado, vamos assistir uma maior internacionalização da nossa economia. O maior símbolo atual deste processo foi a venda da Embraer para a empresa estadunidense Boeing, autorizada pelo atual governo. Outra importante perda da nossa soberania tecnológica e, ainda por cima, uma ameaça aos empregos dos trabalhadores da Embraer.

Para Guedes, o papel do Brasil na economia mundial está restrito a exportação de matérias primas, as chamadas commodities, especialmente agrícolas. Uma inserção cada vez mais subordinada aos interesses das grandes transnacionais e dos governos imperialistas, especialmente dos EUA, o grande aliado internacional do bolsonarismo.

 

3. Novas e sérias ameaças a soberania da Venezuela

Na reunião em portas fechadas entre Trump e Bolsonaro, um dos assuntos discutidos foi à situação da Venezuela. Tanto um como outro renovaram publicamente as ameaças contra a Soberania do povo venezuelano, a defesa do golpista auto-declarado Guaidó e o prosseguimento do bloqueio econômico.

E, o mais grave: embora as forças armadas brasileiras tenham descartado uma intenção militar no país vizinho, a fala de Bolsonaro, após a reunião com Trump, foi muito grave. Afinal, chega a admitir a possibilidade de usar o território nacional para abrigar tropas dos EUA numa possível intervenção militar. Fato revela a total subordinação da elite das Forças Armadas brasileiras aos EUA, defendida por Bolsonaro.

 

4. Pela primeira vez um presidente brasileiro visita a CIA

Um dos fatos mais absurdos protagonizados por Bolsonaro nos EUA foi sua visita a sede da CIA, a famigerada Agência Central de Inteligência estadunidense. Foi a primeira visita de um Presidente da República brasileiro a sede da CIA, embora muitos de nossos ex-presidentes já tenham viajado aos EUA.

Embora a visita não tenha sido incluída na agenda oficial de Bolsonaro, ele estava acompanhado de ministros, especialmente Sérgio Moro, da Justiça. Segundo Bolsonaro, a visita foi para reafirmar o compromisso e a parceria do novo governo brasileiro com os EUA e o combate aos inimigos comuns.

A CIA esteve por trás dos golpes militares desferidos na América Latina, nos anos 1960 e 1970. Em todos os episódios de intervenção política e/ou militar do imperialismo dos EUA em outros países, esteve sempre presente a ação nefasta e criminosa da CIA e de seus agentes e espiões. A CIA espionou até a ex-presidente Dilma Roussef, escândalo que fez o governo brasileiro, à época, cancelar a sua visita aos EUA.

Depois de ter batido continência para o secretário de Defesa dos EUA, que visitou o Brasil após as eleições, a visita a sede da CIA é mais uma comprovação do papel subordinado do governo brasileiro aos ditames do império estadunidense. Uma vergonha.

 

5. Apoio à Trump na perseguição aos imigrantes latino-americanos

E, para “coroar” todo este verdadeiro festival de subordinação, Bolsonaro se transformou em um verdadeiro “cão de guarda” de Trump ao defender publicamente um de seus projetos mais criticados, tanto fora como dentro dos EUA: a construção do muro na fronteira com o México.

Bolsonaro chegou a dizer que o odioso muro era necessário porque a maioria dos imigrantes não tinha boas intenções quando se dirigiam para o EUA. A repercussão negativa desta frase absurda foi tamanha que Bolsonaro, como faz muitas vezes, voltou atrás desta declaração.

Mas, o estrago já estava feito. As palavras criminosas de Bolsonaro representam uma vergonha para o nosso país, que assiste seu presidente virar as costas para o povo pobre e sofrido da América Latina no afã de defender os interesses de seu chefe e patrono, Trump.

 


Protestos unem os lutadores do Brasil e dos EUA

Manifestante segura cartaz escrito Solidariedade com o Brasil
Protesto em Washington, DC

A visita de Bolsonaro aos EUA enfrentou protestos de movimentos sociais e organizações de esquerda daquele país, que denunciaram o conteúdo de extrema-direita, anti-povo trabalhador, machista, racista e homofóbico do atual presidente brasileiro. Características ultra-reacionárias, que unem Bolsonaro ao seu mestre, Donald Trump.

No Brasil, aconteceram protestos também, principalmente em unidades da Petrobrás contra a entrega do nosso Petróleo e Pré-sal para as grandes empresas transnacionais. Na próxima sexta-feira, os protestos seguem em nosso país, no dia nacional de lutas, principalmente contra a reforma reacionária da Previdência Social.

A defesa da nossa Soberania está nas mãos do povo trabalhador, da juventude e dos oprimidos. A depender do atual governo, vamos assistir nosso país virar cada vez mais uma espécie de colônia, principalmente dos EUA, além de outros países que exploram a nossa economia e as nossas riquezas.

Contra a subordinação de nosso país ao imperialismo dos EUA, defendemos a globalização das nossas lutas, unindo quem resiste no Brasil, aos que resistem nos EUA e em todo mundo. Nossa luta é uma só: contra os planos de austeridade, em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas

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donald trump / Prosul