Bolsonaro nomeia general para comandar o Incra

Por: Wil Mota, de Belém, PA

No sábado, 9, do hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se encontra internado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou via twitter o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): o general da reserva João Carlos de Jesus Corrêa. O decreto foi publicado no mesmo dia.

A nomeação de um general para mais um cargo de alto escalão do Estado significa um novo passo no reposicionamento político das forças armadas na atual configuração do regime político nacional, conferindo mais centralidade aos militares, à ideologia da militarização e aos órgãos de repressão na relação entre as instituições.

Um órgão que deveria cumprir o papel de realizar a reforma agrária num país como o Brasil que possui 4,8 milhões de sem-terras e amarga vergonhosos índices de violência no campo, fruto da brutal concentração fundiária existente no campo brasileiro, estará infelizmente a serviço de uma anti-reforma agrária e da criminalização da luta dos sem-terra.

Como se já não bastasse a edição da MP 870/19 de 1° de janeiro que transferiu o Incra e a Funai para o Ministério da Agricultura, sob comando da ministra Tereza Cristina, a “musa do veneno”, e a nomeação do ruralista Luiz Antônio Nabhan Garcia como assessor especial de assuntos fundiários, a entrega do Incra para um general representa um grave retrocesso à luta pela reforma agrária. Não é difícil prever que seguirá a política já implementada por Michel Temer de corte nos recursos para a reforma agrária e o desmonte gradativo do Incra.

Com pouco mais de um mês de mandato, Bolsonaro põe em prática, através destas nomeações do primeiro escalão dos ministérios e órgãos públicos, o que já havia prometido durante a campanha eleitoral: perseguir os “bandidos vermelhos” que lutam por terra, teto e justiça social, sobretudo os setores sociais mais excluídos pelo capitalismo brasileiro. Basta lembrar que, durante a campanha, Bolsonaro chegou a visitar Eldorado dos Carajás, no Pará, onde 19 sem-terras haviam sido assassinados em 1996, e elogiado os PMs que participaram do massacre.

Para enfrentar os retrocessos na política agrária, é imprescindível unir as lutas que estão sendo gestadas contra esse governo. Movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, movimentos de juventude, movimentos de mulheres, negros e negras, LGBTs, povos indígenas, ativistas ambientais e de direitos humanos, todos que estão sendo atacados pelo novo governo de extrema direita precisam unir suas pautas e agendas de lutas para resistir à retirada de direitos e passarmos à contra-ofensiva.

Foto: Arquivo / Agência Brasil

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