É hora de ɹɐɹıʌ voto

Editorial de 25 de outubro de 2018

Diminui a diferença em pesquisas e campanha #Haddadpresidente13 está na ofensiva

No final de semana, alguns fatos políticos mexeram no cenário da última semana da campanha do segundo turno das eleições presidenciais.

Após a manifestação nacional por direitos, democracia e pela vida das mulheres, que levou, no último sábado 20, milhares às ruas de cerca de 50 cidades brasileiras, Bolsonaro e sua “falange” resolveram endurecer ainda mais o seu discurso de ódio.

No domingo, 21, Bolsonaro gravou um vídeo para ser exibido na manifestação de apoio a sua candidatura que aconteceu na Avenida Paulista. Manifestações reacionárias como esta aconteceram em pelo menos outras 18 cidades.

Neste vídeo, ele voltou a ameaçar a esquerda de perseguição, prisão e até expulsão do país. Falou diretamente em prender o Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e até o próprio adversário, Fernando Haddad; em tornar o MST e o MTST organizações terroristas e criminosas; e banir o jornal Folha de SP; entre outros graves absurdos.

Este vídeo veio a se tornar mais uma comprovação cabal que Bolsonaro não admite qualquer oposição e pensamento crítico e diferente. Fala já como um futuro ditador.

É verdade que o discurso em vídeo de Bolsonaro, no último domingo, não difere qualitativamente do que ele já vinha afirmando na sua campanha sórdida. Mas, ao que parece, a nitidez com que falou e a forma extremamente agressiva alertou setores sobre os riscos que sua vitória representa ao próprio regime democrático.

A esta fato, se soma a divulgação de outro vídeo, agora do deputado federal do PSL Eduardo Bolsonaro, filho do candidato a presidente da extrema-direita neofascista, defendendo o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), caso seu pai fosse punido por algum crime eleitoral. Segundo o deputado, bastava um soldado e um cabo para fechar o mais importante Tribunal do país.

Todos estes absurdos geraram reação. Setores que antes estavam evitando se posicionar no segundo turno, saíram da sua zona de conforto.

Marina Silva (Rede) declarou voto crítico em Haddad; Alberto Goldman, ex-presidente do PSDB e Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) foram no mesmo caminho, entre outros políticos que apoiaram o golpe parlamentar de 2016 e a agenda de ataques ao povo trabalhador.

Contra-ofensiva do “vira-voto”
Entretanto, a maior e mais importante consequência do final de semana foi a consolidação de uma dinâmica que já vinha se apresentando na semana anterior: a campanha #Haddadpresidente13 está na ofensiva. E isso tem enorme importância, independentemente do resultado final das eleições.

Somos oposição de esquerda ao projeto de conciliação de classes da direção do PT, defendemos a candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara (MTST-PSOL-PCB-APIB-MÍDIA NINJA) no primeiro turno. Acreditamos na necessidade fundamental de uma nova alternativa de esquerda e socialista em nosso país. Entretanto, acreditamos também que o momento é de plena e total unidade de ação, sem abrir mão de nossas convicções, com o objetivo comum de derrotar Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita neofascista.

Neste sentido, os últimos dias foram muito positivos para consolidação desta frente única contra o neofascismo, em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas.

Na segunda-feira, 22, o ato político no Tuca (PUC-SP), já demonstrou a força e a representatividade da campanha da Frente Democrática, que se conformou em torno da candidatura de Haddad neste segundo turno. A presença de professores, intelectuais, artistas, estudantes, líderes religiosos, entre outros setores, mostram a diversidade da unidade democrática contra Bolsonaro.

No dia seguinte, dezenas de milhares tomaram os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, no comício com Haddad, Manuela, Boulos e grandes artistas da MPB (como Chico Buarque, Caetano Veloso, Mano Brown, entre tantos outros).

E, no dia seguinte, quarta-feira, novamente a campanha realizou um grande comício, no já tradicional palco de grandes manifestações, o Largo da Batata, na cidade de São Paulo.

Na terça-feira também foi divulgada a última pesquisa do Ibope, diminuindo significativamente a diferença entre os dois candidatos, apontando um crescimento da rejeição a Bolsonaro e uma queda na rejeição de Haddad e, informando também, que Haddad passou Bolsonaro na cidade de São Paulo, a maior do país.

Todos estes fatos animaram a campanha. Todos sabemos que uma virada segue muito difícil, mas não é impossível. Por isso, vamos nos jogar com toda força e energia nos últimos dias da campanha, até o fim das eleições, porque queremos derrotar Bolsonaro nas eleições e organizar ainda mais as nossas forças para as lutas de resistência que estarão colocadas em um futuro bem próximo.

A importância dos últimos dias
Ainda é possível. Muitas pessoas definem realmente seu voto nos últimos dias, inclusive na véspera das eleições. As próprias pesquisas demonstram que ainda existem indecisos e pessoas que podem ainda mudar sua opção de voto na última hora. A combinação destes elementos pode ser decisiva.

Por isso, o momento exige intensificamos a campanha e o diálogo com amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho e estudo. Sim, ainda é possível, ganhar e virar votos nessa reta final.

Mais um vez, o voto no 13, neste segundo turno, é uma opção para derrotar Bolsonaro e fortalece a nossa resistência contra o fascismo, em defesa dos direitos, das liberdades democráticas e contra toda e qualquer forma de opressão. Vamos à luta!

FOTO: Comício no Largo da Batata, em São Paulo. Mídia Ninja

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