Karholine, transexual, morta pelo ‘crime’ de existir

Por: Fabio Lopes*, de Santo André, SP

Karholine, 31, mulher trans, foi agredida a facadas neste domingo (21/10), na Avenida Industrial em Santo André, região do ABC. De acordo com Marcelo Gil, presidente da ONG ABCD’s (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual) em depoimento para o jornal ABCD Jornal, Karholine foi socorrida e levada ao Centro Municipal Hospitalar, por volta das 22h30, mas não resistiu aos ferimentos e foi ao óbito às 01h30 da manhã de segunda-feira (22/10). O boletim de ocorrência e encaminhamento do corpo ao IML (Instituto Médico-Legal) só foram realizados na tarde de ontem, quando o irmão da vítima, Lineker Mendonça da Silva, 28, vindo do Ceará, fez o reconhecimento do cadáver.

Ódio lgbtfóbico e a intolerância nas eleições 2018
A violência motivada pela lgbtfobia é alta em nosso país e tem crescido nos últimos anos, resultando num crescimento no número de mortes, conforme mostra o gráfico a seguir.

Só no Estado de São Paulo, Estado com maior número de mortes registradas por motivo de lgbtfobia, foram 59 casos no ano passado, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB).

Além disso, é importante destacar que o país registra uma morte lgbt a cada 19 horas, de acordo com o grupo.

Nesse ano, foram 130 casos de homofobia registrados na região do grande ABC, sendo 65 nos últimos 15 dias.

É impossível não associar isso às eleições 2018. A escalada do ódio e da ignorância se acentuou nesses últimos dias, desde o resultado do 1º turno das eleições desse ano. Vimos há poucos dias a morte da Laysa Fortuna, atacada brutalmente em Aracaju (SE) por Alex da Silva Cardoso, apoiador do candidato a Presidência Jair Bolsonaro, na noite de quinta-feira (18/10), vindo a óbito na tarde de sexta-feira (19/10).

Outros casos poderiam ser citados, não são poucos os crimes motivados pelo ódio apoiado no discurso de um defensor da tortura, de um firme propagandista de uma ideologia enraizada no ataque as pessoas oprimidas, pobres e que morrem pelo simples fato de existirem e serem.

Essa é só mais uma notícia, como muitas outras, que traz a morte de uma transexual estampada. A violência leva mais uma mulher que é o alvo em uma sociedade baseada na perseguição aos negros, mulheres, lgbts e pobres. Mais uma vez entramos em luto, e o problema é que estamos acostumados a entrar em luto. Entramos em luto a cada 19 horas quando um lgbt morre, entramos em luto por Moa do Katendê, por Marielle, por Marlon de Andrade, por Marcos Vinícius, por Laysa e agora por Karholine. Ainda há muito que lamentar, mas principalmente, muito que resistir, até que PAREM DE NOS MATAR!

*Fabio Lopes é militante da Resistência/PSOL no ABC Paulista.
Foto: Elza Fiúza / Ag. Brasil

 

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