Apoiador de Bolsonaro mata transexual em Aracaju (SE)

Da redação

A violência política faz mais uma vítima. Na noite do dia 18, a transexual Laysa foi esfaqueada em Aracaju (SE), e faleceu nesta sexta-feira, 19. Antes do ataque, o assassino afirmou: “Quando Bolsonaro ganhar, vocês se preparem porque vou andar armado e todas vão morrer”. Já são  mais de 120 casos de violência política no País, segundo levantamento do site Opera Mundi. Além de Laysa, outras duas pessoas foram mortas, também com motivação política: o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Moa do Katende, morto em Salvador (BA) no dia  de outubro, e uma travesti, identificada até o momento como Priscila, morta a facadas em São Paulo, no dia 16, aos gritos de Bolsonaro. Leia abaixo a nota divulgada por entidades e organizações de Sergipe que denuncia ainda a polícia, que registrou a tentativa de homícidio como lesão corporal leve e liberou o assassino.

 

LAYSA – MAIS UMA TRANS MORTA PELA TRANSFOBIA EM ARACAJU

Hoje, sexta-feira, 19/10/2018, pela manhã, uma força tarefa de defensores de Direitos Humanos e militantes atuaram em defesa da trabalhadora transexual Laysa, de 25 anos, que foi covarde e violentamente assassinada por Alex da Silva Cardoso na noite de ontem. Laysa faleceu no turno da tarde dessa sexta-feira, em decorrência de seus ferimentos.

Laysa foi esfaqueada na noite da quinta-feira, 18/10/2018, por volta das 20:40, nas imediações da Rua Estância, bairro Centro, na capital Sergipana. Seu agressor, Alex da Silva Cardoso, atingiu a vítima na caixa torácica com uma faca de serra. Momentos antes, conforme relato de testemunhas que estavam no local, o agressor avisou a todas as travestis que “Olhe, eu vou tirar onda viu, quando Bolsonaro ganhar, vocês se preparem porque vou andar armado e todas vão morrer” enquanto acenava com a faca de cozinha tipo serra.

Após a tentativa de homicídio, Laysa foi imediatamente socorrida pelo SAMU e encaminhada ao Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), enquanto o agressor era detido pela Policia Militar e levado à Delegacia Plantonista Sul.

O delegado plantonista entendeu que a agressão não teve gravidade suficiente para justificar a prisão, registrando na como LESÃO CORPORAL LEVE, ou seja, ferimento de menor gravidade, e que sequer interferiria na vida cotidiana da vítima. Assim, o assassino foi liberado após sua oitiva.

Por pressão e insistência da militante Transfeminista Linda Brasil, que estava no local, foram ouvidas as testemunhas que relataram o ocorrido do fato, e que o agressor tinha SIM a intenção de matar as trabalhadoras travestis, como matou Laysa.

A todo instante, Jornalistas Sem Medo acompanharam o desenrolar do caso, denunciando às mídias o ocorrido.

O Termo Circunstanciado e não inquérito, pasmem, haja vista que se tratava de uma “lesão corporal leve”, foi encaminhado para a DAGV onde a Delegada responsável colheu o depoimento de Linda Brasil, que estava acompanhada da Comissão de Direitos Humanos da OAB nas pessoas dos advogados Geraldo Nunes e Wesley Soares, assim como pelo advogado Jan Havlik, integrante do coletivo Sem Medo Sergipe e da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia.

Simultaneamente, a advogada Dalvacir Azevedo do coletivo Sem Medo Sergipe e da ABJD e o advogado Rodrigo Longo, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, estavam na Corregedoria da Policia Civil, juntamente com as testemunhas, mulheres Trans, para denunciar o tratamento transfóbico por elas sofrido quando do depoimento policial, além da grave anomalia que acometeu o procedimento investigativo. Uma então tentativa de homicídio, agora homicídio consumado, fora tipificado como lesão corporal leve e o agressor foi solto imediatamente.

O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de Transexuais e Sergipe não faz senão reproduzir essa rotina de exclusão e violência.

A vida de Laysa não foi ceifada, foi exterminada. Mais um crime de ódio. Até quando a população trans terá que sofrer esse extermínio?

A sombra do fascismo se agiganta no Brasil e em Sergipe, crimes como esses se alastram pelo país, o próprio agressor escuda sua violência no discurso de ódio disseminado por Bolsonaro. Esse assassinato bárbaro bateu a porta, veio cair nos nossos pés. O que vamos fazer? O que as circunstâncias pedem de nós?

Por ora, apenas chorar, ir ao velório e sepultamento de Laysa, e não arredar o pé da luta, da militância dos Direitos Humanos e em defesa da vida de todas as minorias.

ABJD, CASAMOR, MTST, JURISTAS SEM MEDO, SEM MEDO SERGIPE, RUA – Juventude Anticapitalista

 

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