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Setembro de 2018: A primavera é das mulheres

Editorial do Esquerda Online de 27 de setembro de 2018

 

As mais de três milhões de mulheres que se organizaram nas redes estarão nas ruas no dia 29

“Dou para CUT pão com mortadela / e para as feministas, ração na tigela / As mina de direita são as top mais belas / enquanto as de esquerda têm mais pelos que as cadelas”. Este é apenas um trecho da música cantada pela campanha de Jair Bolsonaro em Recife (PE).

Bolsonaro representa ideias fascistas. Seu discurso de ódio tem alvos – são os jovens negros, as feministas, pessoas Lgbts, os militantes de esquerda. Seu programa incita o aniquilamento e a exclusão dessas pessoas, os inimigos da sociedade “de bem”. A perversa combinação dessa plataforma de opressões com a defesa do aprofundamento de um projeto ultra neoliberal de contrarreformas, do avanço das privatizações e da redução do papel do Estado nas áreas sociais expressam as características do fascismo no século XXI.

Neste momento, a extrema-direita investe em disseminar o medo. Viram que é possível ganhar, mas não é simples furar a onda de mulheres que bloqueia o caminho para a barbárie. Como resposta, a extrema-direita faz ataques, agressões, ameaças e provocações. Destila ódio e misoginia nas redes e nas ruas, tentando diminuir o tamanho e o impacto que o dia 29 poderá ter na conjuntura eleitoral, e para além dela. É preciso saber que se nos recolhermos neste momento, se abaixarmos a cabeça diante dos “avisos”, eles pisarão em cima de nós.

As mulheres se lançaram à luta contra Bolsonaro e suas ideias. Elas estão à frente, mas não estão sozinhas. Atraídos pelo poderoso movimento “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, se somaram diversos outros segmentos da sociedade: dezenas de categorias de trabalhadores, demais parcelas oprimidas, setores democráticos. O 29 será gigante e, neste dia, a rua será o local mais seguro.

São milhares de mulheres organizando os atos pelo país. Elas decidiram os trajetos e prepararam os palcos, os cancioneiros, as baterias, os sinalizadores, as cores e alas dos atos. São centenas de mulheres dando entrevistas, participando de documentários, respondendo jornalistas, moderando grupos de internet. Mulheres que despertaram e que se arriscam, porque sabem que estão fazendo história. Porque sabem que a história que contarão para as futuras gerações depende da nossa coragem e ousadia de hoje, de amanhã, do dia 29 e dos próximos dias que seguirão.

No Brasil, não há tarefa mais importante neste momento que a convocação do dia 29. Abriu -se uma oportunidade de derrotar Bolsonaro e o fascismo nas urnas, mas, principalmente, de organizar um processo de resistência de massas ao que representa o candidato da extrema-direita. Está tarefa está colocada nas eleições e para além delas. Ainda que Bolsonaro não ganhe, e lutaremos muito por isso, suas ideias se consolidaram em uma parcela significativa da sociedade e é contra elas que lutamos.

Foi construído um Manifesto Nacional unificado, que pode ser assinado pela internet, e que será lido nos atos país afora. É em torno das ideias desse manifesto que queremos disputar a consciência do conjunto da classe trabalhadora e que organizaremos a continuidade dessa batalha, que será decisiva.

No dia 29, assim como no dia seguinte à execução de Marielle e Anderson, a coragem será maior que o medo.

Como diz a bela canção “Metade”, de Oswaldo Montenegro:
“Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte do que eu acredito, não me tampe os ouvidos e a boca”

Eles queriam o nosso medo, mas provocaram a nossa luta. Estamos e estaremos juntas. Mostraremos e enxergaremos a nossa força. Faremos uma linda primavera! Nada poderá detê-la!

#EleNão
#EleNunca

 

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