Venezuela: Maduro sofre atentado a bomba frustrado. Caracas tem marcha de repúdio hoje

Por: Pedro Campos, São Paulo (SP)

Momento do ataque. Reprodução

Momento do ataque. Reprodução

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi alvo de um atentado a bomba frustrado, na tarde de sábado (4), durante um evento militar na Avenida Bolívar, em meio às comemorações dos 81 anos da Guarda Nacional Bolivariana. Maduro saiu ileso, mas sete efetivos da GNB estão feridos e a condição de três deles é de prognóstico reservado.

Segundo o jornal Correo del Orinoco desta segunda (6), num primeiro balanço oficial apresentado pelo ministro do Poder Popular para as Relações Interiores, Justiça e Paz, Néstor Reverol, ele explicou que duas aeronaves tripuladas a distancia com carga explosiva foram ativadas a partir de ruas adjacentes ao evento. Cada artefato continha um quilo de C4 “capaz de fazer dano efetivo a um raio de 50 metros”.

Agregou que “os drones eram do tipo DJI M600, especialmente desenhado para trabalhos industriais o que lhes permitem suportar grandes cargas …”.

Continuou explicando que “Um drone sobrevoou a tribuna presidencial, mas graças as técnicas de segurança da Guarda de Honra Presidencial e a instalação de equipamentos inibidores de sinal, foi possível desorientá-lo”. Os autores ainda “conseguiram ativar a explosão, mas já fora do perímetro que haviam planificado”.


A outra nave “perdeu o controle e caiu junto ao edifício Don Eduardo, localizado próximo da avenida Bolívar, detonado na altura do 1º andar”.

O segundo drone caiu a cerca de três quadras do local do ato

Responsáveis materiais e intelectuais do atentado frustrado
Já no domingo (5), ontem, Reverol havia revelado que seis pessoas estavam detidas como suspeitas do atentado. Ao Correo del Orinoco de hoje (6) complementou que um dos detidos tem ordem de prisão por estar diretamente vinculado ao assalto ao Forte Paramacay, em Valência, estado de Carabobo, ocorrido em 6 de agosto de 2017. Completou que outros dentre os seis capturados nas imediações do local do atentado haviam sido detidos por terem participado das “guarimbas” (bloqueios de rua e estradas) que pediam a queda do governo no ano passado.

Anunciou também a apreensão de “vários veículos e a realização de algumas buscas em hotéis da cidade, onde temos recebido importantes evidencias e interesse criminalísticos e material filmado de prováveis colaboradores deste fato”. Assegurou, ao final, que os autores intelectuais e materiais estão plenamente identificados, dentro e fora do país e que “não se descartava mais detenções nas próximas horas”.

Já o ministro do Poder Popular para as Relações Exteriores, Jorge Arreaza, explicou que que “o atentado frustrado não é casual, já que forma parte de um conjunto de eventos conspirativos contra o povo, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, os poderes Pública e a Revolução Bolivariana”. Indicou que o ocorrido é parte “de um plano terrorista perverso e macabro, reivindicado por grupos de extrema direita, cujos responsáveis intelectuais se encontram em Bogotá-Miami-Caracas”.

A vice-presidente, Delcy Rodríguez, denunciou no domingo que o presidente da Colômbia em fim de mandato, Juan Manuel Santos, está envolvido no atentado. Afirmou em twitter que “Visões premonitórias de Juan Manuel Santos, suas sistemáticas agressões contra o povo da Venezuela, seus ataques pessoais contra o Pdte. Nicolás Maduro, a defesa que oferece aos paramilitares e bandos criminosos para atacar nossa economia e seu ódio santanderista (1) são inocultáveis”. Rodríguez colocou essa mensagem junto com uma declaração em que Santos assinalava: “Vejo próxima a queda de Maduro na Venezuela”.

Por sua vez, como é sabido, Álvaro Uribe, dirigente histórico da direita colombiana, já colocou em reiteradas ocasiões a “necessidade” de um golpe de estado na Venezuela a ser executado por militares.

Nicolás Maduro num pronunciamento à nação afirmou categoricamente: “Não tenho dúvidas (…) estou seguro que aparecerão todas as provas, mas os primeiros elementos da investigação apontam para Bogotá”.

Marcha de repúdio
Hoje, segunda (6), está convocada uma marcha de repúdio ao atentado à Nicolás Maduro. A concentração iniciará as 10 horas da manhã na Plaza Morelos, localizada na avenida México de Caracas, devendo partir em direção ao Palácio Miraflores, sede do governo no centro da cidade.

NOTAS
1 – Uma referência a Francisco de Paula Santander, que rompeu com Simon Bolívar ao não aceitar manter o caráter unitário da Grande Colômbia – Colômbia e Venezuela eram um só país – e o caráter continental da independência, defendendo um caráter federal e local. Assim, Colômbia e Venezuela terminam se separando.

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