Servidores do Recife estão em greve contra arrocho salarial de três anos

Por Hélder Almeida e Ismael Feitosa, de Recife, PE*

Os servidores do Recife estão em greve desde o dia 4 de maio, após decisão da gestão do prefeito Geraldo Júlio (PSB) de não responder a pauta de reivindicação dos servidores no que seria a primeira mesa de negociação, no dia 19 de abril. Não houve negociação, a gestão apenas prometeu apresentar a primeira proposta no próximo dia 16.

A data base de reajuste salarial dos servidores do Recife foi alterada para janeiro já há alguns anos pelo atual prefeito, mas nunca foi respeitada. Os servidores estão com o salário congelado há mais de três anos, o que significam perdas inflacionárias de quase 30%, apenas na gestão de Geraldo Júlio. Enquanto milhares de servidores sobrevivem com salários baixíssimos e sem reajuste, mais de 1.700 cargos comissionados, entre eles filhos de políticos, candidatos derrotados nas eleições e indicações políticas loteiam a Prefeitura e recebem supersalários.

A gestão do PSB e do PCdoB à frente da Prefeitura do Recife tem deixado bastante explícita a sua opção de como governar a cidade, usando o poder e recursos públicos para beneficiar construtoras, grandes grupos empresariais do setor educacional e empresas do transporte público de passageiros. Isso tem se expressado por meio da política de isenção fiscal sobre estes setores, da não cobrança e não desapropriação de grandes edifícios com dívidas milionárias de IPTU e sem uso social e, até, do financiamento de vagas em universidades particulares por meio do Prouni Recife.

Chama também a atenção dos servidores e da população pobre do Recife, a decisão tomada pelo prefeito no mês de abril de realocar 50 milhões de reais do orçamento municipal para gastos com publicidade. Este valor foi retirado de setores como o de prevenção de desmoronamento de morros e de manutenção urbana. Ou seja, o prefeito optou por aumentar o risco e diminuir ainda mais a qualidade de vida da população que habita as periferias da capital pernambucana.

Por tudo isso, pelo fim do arrocho salarial e do favorecimento político de um pequeno número de empresários e por mais investimentos da Prefeitura nos serviços públicos, é que nós, servidores públicos municipais do Recife, nos encontramos em greve e pedimos o apoio e solidariedade do conjunto dos trabalhadores.

Esta greve é dos trabalhadores que prestam atendimento à população nos postos de saúde, nos Centros de Apoio Psicossociais, nos Centros de Referência de Assistência Social, nas creches, na assistência social às pessoas de todas as idades em situação de rua, daqueles que trabalham na manutenção da cidade, que protegem o meio ambiente, dentre outras atividades do serviço público municipal, como os professores que estão também em greve desde sexta-feira (11).

‘Zeraldo’ Júlio, como o prefeito foi rebatizado pelos servidores, precisa apresentar uma proposta de reajuste e recomposição salarial decente para que possamos aliviar a pressão inflacionária sobre nosso salário. Precisa lembrar que a arrecadação do município está 3% superior em 2018 se comparado com o mesmo período de 2017. Que as isenções e sonegações precisam acabar.

Na próxima quarta-feira (16), os servidores do Recife se reunirão em assembleia na sede da prefeitura, às 9h, para avaliar a proposta que ficou de nos ser apresentada pelo prefeito.
Até lá, a nossa greve deve permanecer e se fortalecer.

*Os autores do texto são servidores do município de Recife

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