Palestina: aberta a embaixada dos EUA em Jerusalém e 55 palestinos pagaram com sua vida hoje

Lucas Fogaça, Porto Alegre/RS

Desde que começou a onda de protestos em Gaza no dia 30 de março, este é o maior massacre feito por atiradores de elite (Snipers) israelenses. Apenas nesta manhã, os snipers executaram pelo menos 55 manifestantes civis desarmados e feriram mais de duas mil pessoas, entre jornalistas, idosos e crianças. É um recorde de vítimas sem precedentes em Gaza em um único dia desde 2014.

No dia 30 de março, conhecido como “Dia da Terra” (tradicional data de mobilizações palestinas), começou a Grande Marcha Pelo Retorno: uma manifestação de seis semanas com pico às sextas-feiras, que reivindica o direito dos palestinos retornarem a suas casas, da onde têm sido expulsos pela ocupação israelense há 70 anos. Nestas semanas, a mobilização foi centrada em Gaza e hoje começaram a entrar os palestinos de Jerusalém e da Cisjordânia. A Grande Marcha está planejada para acabar nesta terça-feira (15/5), data na qual que se marca os 70 anos da criação do Estado de Israel e a catástrofe palestina (Nakba).

O massacre ocorre no mesmo dia da mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém, uma promessa de Donald Trump ao governo Israelense. E poucos dias depois do Estado Israelense destinar aproximadamente 700 milhões de dólares para ocupar e colonizar o Leste de Jerusalém.

Entre tantos absurdos do dia, um fato chamou muito a atenção. Embora todo o discurso na abertura da embaixada seja feito em nome da justiça contra os preconceitos e violações sofridas pelos judeus (como por exemplo por Hitler), quem fez a oração no ato de inauguração da embaixada foi um proeminente líder batista chamado Robert Jeffress. Ele é conhecido por ser um intolerante religioso e entre suas pérolas já afirmou que ele acredita que “os judeus estão destinados ao inferno”. Não satisfeito, o pastor batista ainda preferiu ofensas aos mórmons, hindus e budistas, chegando a afirmar que “o Islã é uma religião que promove a pedofilia e o sexo com crianças”.

Imagem: AP

A brutal ofensiva israelense contra o povo palestino vem se intensificando desde que Trump assumiu o governo e declarou a mudança da embaixada para Jerusalém. A mudança da embaixada no dia anterior aos 70 anos da criação do Estado de Israel busca enviar uma mensagem clara aos povos do mundo árabe: a aliança EUA-Israel está mais forte do que nunca e o compromisso de preservar os mais ínfimos direitos dos cidadãos palestinos está descartado. É um cheque em branco para o massacre que Israel vem realizando.

Foto: Adel Hana/AP

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