Maria Antônia, presente. Precisamos falar sobre drogas



Carlos Daniel, de São Paulo (SP)

Morreu na madrugada desta segunda-feira (07) a artista plástica Maria Antônia Goulart, que há mais de 10 anos vinha lutando contra a doença. Primeiro foi no intestino, depois, em 2017, foi diagnosticado um novo tumor, no cérebro.

Maria Antônia foi a primeira brasileira a ter a liberação do uso medicinal da maconha. Seu uso foi indicado por médicos e psicólogos e, segundo ela mesma, ajudava a enfrentar as dores e enjoos da quimioterapia.

Sua história foi amplamente divulgada pelo movimento antiproibicionista para vencer a clandestinidade da Marcha da Maconha, legalizada pelo STF em 2011.

Na época, Maria Antônia gravou vídeos e mostrou ao mundo como usava medicinalmente a Cannabis sativa inclusive em suas internações em hospitais públicos de São Paulo.

Sua história ganhou notoriedade e ajudou a quebrar muitos preconceitos inclusive dos profissionais da saúde.

No próximo dia 26 de maio será realizada a Marcha da Maconha de São Paulo, muitas pessoas estarão presentes também para homenagear a luta de Maria Antônia e para exigir o fim da política de drogas do Brasil.

Não aceitamos mais o encarceramento em massa da população da periferia, sobretudo negros, por conta da criminalização do uso das drogas.

Nós da Resistência/PSOL sabemos que esta luta é necessária. Entendemos que o uso recreativo de drogas é parte integral de praticamente todas as sociedades humanas e diz respeito a uma esfera de privacidade e intimidade que deve ser resguardada como um direito civil indispensável. Mas, além do uso recreativo de milhões de pessoas, a maconha (e também outras drogas ilícitas, como os psicodélicos) tem um importante e crescente uso medicinal. Nos Estados Unidos, 21 estados já permitem isto. No Brasil cresce o clamor de mães com filhos portadores de epilepsias graves e diversas outras doenças neurológicas ou não, que tiveram seus quadros aliviados enormemente com o uso de extratos de maconha ricos em Cannabidiol (CBD) ou THC, princípios ativos existentes na planta.

No dia 26 de maio honraremos a memória de Maria Antônia nas ruas.

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