Plínio Jr: ‘Não queremos o PSOL com o dedo do Lula’



O economista Plínio Jr. priorizou em sua fala a defesa da realização das prévias e o debate sobre o caráter da pré-candidatura de Guilherme Boulos, que segundo ele, seria resultado de uma interferência de Lula no PSOL. Plínio fez um duro balanço do governo Lula e afirmou que o golpe parlamentar não significa uma divisão entre “duas eras” na conjuntura nacional. Ele criticou as bases da plataforma Vamos e defendeu um programa radical, que parta das reivindicações das jornadas de junho e que una a esquerda socialista. “Somos radicais e queremos colocar na ordem do dia as causas do problema”.
Plínio fez ainda um chamado à Guilherme Boulos pelas prévias, como forma de superar o que chama de “déficit de legitimidade” de sua candidatura.

ENTREVISTA


CONJUNTURA

“2013 mostra as contradições da sociedade brasileira. A ponte para o futuro levou o Brasil para o atraso. Estão transformando o Brasil em uma megafeitoria moderna. E ainda estão destruindo o fiapo de democracia que temos.”

“Eu não faço a mesma leitura feita pelo Vamos, que divide a história do Brasil em duas eras: antes de Temer e depois de Temer. Antes de Temer, as coisas iam mal, mas melhorando. Depois de Temer, é uma catastrófe total. Não podemos escolher entre o Bolsonaro e a candidatura do ‘salvem-se todos’ “.

BALANÇO DO PT
“O governo do PT foi desastroso e todo os problemas – morais, políticos econômicos – tudo tem a digital de lula. O neodesenvolvimentismo do PT é um desenvolvimentismo “Michael Jackson”: parece que anda para a frente e anda para trás.”

“Nós estamos perdendo porque o povo está desarmado. E quem desarmou? O Lula.”

DEBATE INTERNO PSOL
“O Boulos é uma liderança respeitável e pode contribuir muito na construção do PSOL. Mas não com o dedo do Lula. É um absurdo que o Lula tenha a digital dele em uma candidatura do PSOL. Isso nunca aconteceu.”

“O Lula está redefinindo a esquerda. Ele precisa se deslocar para o centro e por isso ele interfere no PSOL, cria a candidatura da Manoela… Nós precisamos impedir esse desastre anunciado. Esse debate não pode ser um verniz. Boulos, sua candidatura não pode nascer com um deficit de legitimidade. As prévias são uma forma de evitar isso.”

“A nossa pré-candidatura expressa a resistência que o partido fez diante da capitulação do PT ao capital. Expressa a candidatura dos radicais, de Babá, de Luciana. É uma candidatura que representa o PSOL feito pela base. E não por notáveis ou por dirigentes que nos surpreendem com fatos prontos, como o vídeo do Lula no ato de Boulos.”

PROGRAMA E CANDIDATURA
“A base do nosso programa foi sugerido nas jornadas de junho. E o que pediram as pessoas nas jornadas? Direitos já, reforma agrária já… O programa é um plano de luta. É na rua que nós vamos mudar o Brasil, porque o sistema político afundou e ele vai ser refundado na rua. O problema no Brasil é a barbárie. A causa da barbárie é a crise estrutural capitalista. Nossa tarefa é enfrentar o capital, as oligarquias.”

“Lutamos por uma unidade estratégica, uma unidade programática da esquerda socialista. Queremos uma unidade com o PSTU, o PCB e todas as forças. Somos radicais e queremos colocar na ordem do dia as causas dos problemas. Viemos para enfrentar o imperialismo e o capital, que estão por trás de todos os problemas.”

“A crise mata o velho e abre espaço para o novo. Ela abre espaço para a esquerda, mas qual esquerda? Nós vamos reciclar a esquerda da ordem ou construir uma esquerda radical?”

 


“Eu tô com Plínio / sou radical / e do Lula não preciso de aval.”


FOTO:
Kauê Scarim | PSOL Nacional

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