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Nada que é humano nos é estranho

Por: Gabriel Santos, de Maceió, AL

É bem verdade que a passagem de um ano para outro não altera nada. Mas, felizmente, não é somente de ceticismo que vivemos. Quando os últimos dias de dezembro chegam, uma sensação de alívio e esperança de que o próximo ano pode ser diferente, de que o ano que estar por vir pode ser melhor, toma conta de milhares de pessoas. Este ano foi difícil, bastante difícil. Assim que o calendário marcar o dia 31 desse mês, em alto e em bom som ouviremos algo como “Ufa, acabou”.

A virada de ano pode parecer para os céticos um mero momento, de insignificância e indiferença. Para os mais conhecedores da ciência pode ser apenas um momento de reagrupamento dos corpos celestes. Mas, para a imensa e esmagadora maioria das pessoas, é um ritual marcante, de rejuvenescimento, onde a esperança volta e a fé num futuro melhor, mais belo, cheio de alegria e felicidades parecem ser as principais palavras de ordem. Essa é a força do subjetivo.

Este ano que termina foi marcado por imensos ataques da burguesia e do governo. Não teve um único mês que passou tranqüilo, sem que tenha ocorrido um fato marcante e determinante.

Foi um ano difícil para os trabalhadores e para os lutadores de todo o mundo. Os 1% ficando cada vez mais ricos, enquanto o desemprego e a retirada de direitos cresce do lado dos outros 99%. Os governos salvam bancos e condenam milhares a misérias.

O governo Temer se manteve e continua a atacar e retirar nossos direitos em um ritmo assustador, mas não faz isso sem passar por inúmeras crises. O Judiciário segue avançando e agora ameaça um novo ataque à democracia com a possível proibição de Lula a ser candidato. Porém, também fica na história a maior Greve Geral já feita por trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.

No nosso país vizinho, os trabalhadores argentinos fizeram lutas heroicas contra o governo Macri, que conseguiu impor uma cruel Reforma da Previdência. Na Venezuela, o ano termina com o chavismo tendo vencido a ofensiva reacionária da direita golpista. No Chile, a direita vence nas urnas e volta ao governo central do País.

Do outro lado do mundo, Israel segue oprimindo o povo palestino, que resiste ao Apartheid. A crise no Iêmen se intensifica e não parece caminhar para um fim.

No velho continente, o Estado Espanhol segue impedindo a independência da Catalunha, e os catalães continuam a ocupar as ruas. Na Alemanha, a criminalização dos grupos que organizaram gigantesca manifestações contra o G20 continua avançando. Na Polônia, vimos imensas manifestações da extrema-direita fascista. Na Bélgica, o ano vai terminar com os trabalhadores nas ruas tentando barrar a Reforma da Previdência proposta pelo governo local.

Nos Estados Unidos, o megalomaníaco de Trump segue desmontando o Obamacare, no plano internacional joga fogo no conflito Israel e Palestina, impedindo as negociações de paz. E continua com as perigosas ameaças à Coréia do Norte.

Na Angola, vimos um golpe de estado, e na Líbia foram gravadas imagens que deveriam ter chocado todo o mundo e mostrado como o atual sistema socioeconômico é um fracasso. O leilão de escravos em pleno século XXI é uma demonstração de que a miséria extrema em um nível inimaginável para os que vivem em países do primeiro mundo é a realidade diária de parte da população mundial. Pois enquanto muitos africanos e árabes morrem tentando atravessar o Oceano para fugir de guerras, alguns poucos europeus e norte-americanos vivem a “Quarta Revolução Industrial” e a era da pós-verdade.

O ano de 2017 vai embora e sem deixar saudades. Ele termina tentando dar uma rasteira nos otimistas, dizendo que o futuro é desolador, ou melhor, dizendo que nós, aqueles que fazem parte de 99%, não temos direito ao futuro. Ele chamará os pessimistas e dirá que eles têm razão. Que nós perdemos a batalha. Que chegou ao final e não adianta o quanto nos esforcemos, não vamos conseguir mudar, não vamos vencer.

A nós, cabe o direito de dizer que o ano vai embora, mas a história continua. Que em 2018 teremos novas batalhas para lutar, vencer algumas, perder outras, mas tirar as lições e acumular forças para a batalha final, que não foi em 2017 e não sera 2018, o fim ainda está longe. Dia 1 de janeiro de 2018, tudo recomeça de novo, estaremos mais firmes, bêbados, e mais esperançosos.

Somos humanos, e nada que é humano nos é estranho. É preciso ter esperança, plantar esperança, regar e colher os frutos. E é por essa esperança num futuro diferente, mais justo e mais igualitário, no qual o ser humano possa ser verdadeiramente livre, sem opressores e oprimidos, que nós lutamos.

Marcado como:
2017 / 2018 / mundo