Atentado na Somália deixa mais de 300 mortos e de 350 feridos

Por: Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online

Dois caminhões-bomba explodiram no centro de Mogadíscio, capital da Somália, na tarde deste sábado, dia 14 de outubro. Até ontem à noite, foram contabilizadas 300 pessoas mortas e pelo menos outras 350 ficaram feridas.

O primeiro caminhão explodiu numa esquina muito movimentada, ao lado de um caminhão de combustível, que potencializou a explosão, atingindo quarteirões inteiros, incluindo hotéis, embaixadas, prédios do governo, dezenas de veículos e a embaixada do Catar. O segundo explodiu em um mercado, deixando centenas de pessoas feridas.

É possível que o atentado esteja ligado à guerra civil que assola o país há 20 anos. O governo e a imprensa local afirmam que o ataque foi realizado pela milícia jihadista Al Shabab, a principal oposição do governo na guerra. Entretanto, até agora, nenhum grupo assumiu autoria do ataque.

Os feridos lotaram os hospitais, que ficaram sem remédios para atender a todos. Cerca de 70 pessoas feridas foram levadas para serem atendidas na Turquia.

Nenhuma intervenção militar imperialista na Somália
Diante da situação, a União Europeia pediu ao governo somali que tenha unidade na luta contra o terrorismo. Os Estados Unidos ofereceram-se para “ajudar” a Somália na luta contra os responsáveis pelo atentado. Outros países, como a França e a Grã-Bretanha, também manifestaram apoio.

Uma intervenção militar dos países imperialistas não seria em benefício do povo somali. Muito pelo contrário, serviria para reprimir e oprimir o país. Não podemos nos esquecer que, até a segunda metade do século passado, a maioria dos países da África eram colonizados por países europeus. Somos contra o aprofundamento da relação de dominação política e militar da União Europeia e dos EUA sobre os países da África, da Ásia e da América Latina.

Se os EUA e alguns países europeus quisessem mesmo ajudar, então já teriam ajudado há muito tempo, com seus vastos recursos, a acabar com a miséria e a pobreza na África. Este ano, o governo Trump aumentou o orçamento militares dos EUA em US$ 54 bilhões, totalizando US$ 596 bilhões. Destes, US$ 7,5 bilhões são destinados à luta contra o “terrorismo”, em particular o Estado Islâmico. Esse dinheiro é maior que o PIB da Somália, que é de US$ 6,2. Sem dúvida, os gastos militares dos EUA ajudariam muito mais na luta contra o “terrorismo” se fossem investidos em infraestrutura, alimentação, educação e saúde para esses povos.

Solidariedade ao povo da Somália
O PSOL reproduziu a seguinte nota de solidariedade à Somália, com a qual temos pleno acordo:

“O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) presta a sua solidariedade ao povo da Somália, país localizado no Nordeste Africano, cuja população sofreu, no último sábado (14/10), um massivo ataque, considerado o mais violento nos últimos dez anos. Pelo menos 276 pessoas foram mortas na capital Mogadíscio. Outras 300 pessoas ficaram feridas, depois que dois caminhões repletos de explosivos foram detonados próximo a um hotel. A maioria das vítimas é de civis.

É o ataque mais mortal na Somália desde que o grupo islâmico al-Shabab iniciou sua ofensiva, em 2007. Embora ainda não tenha sido confirmada a autoria do atentado, há fortes suspeitas de que o grupo seja o responsável, já que Mogadíscio é alvo da milícia jihadista que assola a região com constantes ataques.

Além de nos solidarizarmos com o povo somali, também repudiamos a ação, que em nome do fundamentalismo religioso, ameaça a vida de milhares de pessoas daquele país. Também repudiamos a cobertura da imprensa brasileira, que quase nada tem falado a respeito do atentado, como se a vida daquele povo não tivesse importância.

16 de outubro de 2017

Executiva Nacional do PSOL”

Foto: Local do atentado com caminhão-bomba que deixou mais de 200 mortos na Somália MOHAMED ABDIWAHAB (AFP)

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