Comitê da Praia Vermelha: é possível construir a Greve Geral pela base

Por: Diego Correia, do Rio de Janeiro, RJ

Em meio a uma crise política profunda e uma série de ataques brutais realizados pelo Governo Federal a direitos básicos como a Previdência e a CLT, no fim de março uma reunião entre as Centrais Sindicais definiu para o dia 28 de abril o dia da greve geral. O fato, bastante animador, surge como uma importante ferramenta para derrotar a contrarreforma de Temer.

Mas há que se questionar: quantas trabalhadoras, trabalhadores e estudantes estão sabendo disso? Infelizmente, para a definição desse dia, não houve uma discussão prévia nas bases das categorias dos sindicatos, locais de estudo e bairros. Se houvesse, poderíamos estar em condições mais favoráveis para uma mobilização histórica para o dia 28. Podemos e devemos construir a greve geral, e há tempo para isso, mas a construção desse dia tem que ser pela base e amplamente democrática. Uma importante ferramenta tem sido a criação de Comitês de Construção da Greve Geral. Tentarei descrever um pouco das experiências do Comitê da Praia Vermelha (PV), um dos campus da UFRJ, do qual participo.

Contando já com duas reuniões, o Comitê da PV vem conseguindo importantes acúmulos políticos e de mobilização. Tem sido um espaço amplamente democrático, onde a base constrói e define os rumos do espaço, bastante divulgado e aberto à participação de todas as categorias. A unificação dos debates políticos com as necessárias tarefas para construção do dia 28 têm sido muito ricas.

O espaço tem sido educativo, não só pelo caráter de formação política, mas também no trato às diferenças apresentadas pelos que constroem: todas se mantém no âmbito exclusivamente político, fortalecendo a construção de sínteses. Essa postura, infelizmente rara nos espaços de debate, sem dúvida tem sido um importante impulsionador do Comitê.

É dessa forma que estão sendo planejadas e realizadas diversas atividades, como aulas públicas e debates; diálogo com a população para além dos muros da UFRJ; confecção de panfletos, cartazes e faixas; panfletagens e convocações diárias nas salas de aula, além das divulgações das atividades pelas redes sociais.

Nessa semana mesmo, quarta-feira, dia 19, já teremos uma aula pública com o professor do Serviço Social, Mauro Iasi, discutindo a complexa conjuntura que vivemos no Brasil e América Latina. E na quinta-feira, dia 20, às 17 horas teremos mais uma reunião do Comitê. As mobilizações e a conscientização da construção para o dia 28 estão crescendo no campus da PV a cada dia. No dia em que escrevo este texto, as e os estudantes do curso de Relações Internacionais, localizado na PV, decidiram em assembléia pela adesão à greve geral, sendo o primeiro curso da UFRJ a ter esta iniciativa.

Não restam dúvidas de que podemos construir uma poderosa greve geral, não só indo às ruas, mas também fortalecendo a consciência nos locais de estudo, trabalho e bairros, perante o tamanho do desafio que temos pela frente e da necessidade de mobilização. Para além destas imensas tarefas, há um aspecto fundamental que a construção do dia 28 poderá fortalecer, a confiança das trabalhadoras(es) e estudantes em sua própria força. Ou seja, podemos derrotar as contrarreformas e derrubar o governo através de nossa organização e mobilização.

A luta dura que teremos que travar não irá se encerrar no dia marcado para a greve geral. É preciso continuar, mas sem dúvida, este pode ser o dia da virada do jogo. O legado das construções de comitês e suas continuidades para além do dia 28 serão decisivas para nossa vitória.

Acompanhe o calendário de atividades realizadas pelo Comitê da PV

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