Nem uma a menos, nenhum direito a menos! Construir a luta internacional das mulheres

 

Por: Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online

Infelizmente, a violência contra a mulher é muito comum no Brasil e no mundo todo. O Brasil é o país com o quinto maior número de assassinatos de mulheres por violência machista. Todos os dias aparecem notícias de mulheres estupradas, violentadas e até mesmo assassinadas pelo ódio e pelo machismo. É urgente nos unirmos e lutarmos para que as mulheres possam ser donas de seus corpos e de suas vidas!

Vamos nos unir à greve internacional das mulheres no dia 8 de março
Na Argentina, mulheres se levantaram contra o feminicídio dizendo: “Nenhuma a menos!” Nos Estados Unidos, mulheres foram às ruas contra o machista, LGBTfóbico e racista Donald Trump. Na Rússia, acabou de ser aprovada uma lei que legaliza que os homens batam nas próprias esposas. Basta de machismo! Neste dia internacional de luta das mulheres, vamos nos unir ao chamado de greve internacional em defesa das mulheres. Vamos nos unir às argentinas, às estadunidenses, às russas e às mulheres do mundo todo que não aguentam mais a violência machista e a negligência dos governos.

Nenhum direito a menos!
O presidente golpista Michel Temer quer aprovar Reforma da Previdência, um retrocesso que vai tornar igual o tempo de mulheres e homens para se aposentar. Mas, na nossa sociedade machista, são as mulheres que, em sua maioria, são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e de cuidados, tendo uma dupla jornada de trabalho, em casa e fora de casa. Além disso, as mulheres são as únicas provedoras em 37% dos lares, recebendo em média 30% a menos que os homens. As mulheres negras recebem em média 70% a menos que os homens brancos e são ainda mais afetadas pelo desemprego e a precarização do trabalho.

Nenhuma a menos!
Os assédios são constantes: no metrô, no ônibus, na rua. Muitos homens não sabem respeitar os nossos corpos, como se fôssemos mercadorias. Nossa luta é todo dia. Queremos o fim da cultura do estupro. Lutamos pelo fim da homofobia e transfobia, responsável pela violência e pela morte de muitas LGBTs. Não aceitaremos as pedras que vivem atingindo as travestis e as prostitutas que vivem na periferia. Enfrentamos o racismo que atinge as pessoas negras que frequentam shoppings, mercados e universidades. Somos contra o genocídio da juventude negra da periferia, que causa sofrimento de tantas mães.

Vamos paralisar nosso trabalho e vamos à luta
Mulheres trabalhadoras, estudantes, camponesas e marginalizadas ao redor do mundo todo vão às ruas no Dia Internacional de Luta, paralisando suas atividades de trabalho, convocando greves e manifestações de rua. Se nossas vidas não importam, as corporações devem produzir sem nós.

Vamos lutar contra o governo ilegítimo de Michel Temer, contra o desmonte das políticas públicas para as mulheres.

Vamos exigir mais Delegacias da Mulher, que tenham atendimento 24 horas e também abrigos para as mulheres vítimas de violência doméstica.

Queremos salário igual para trabalho igual, queremos o reconhecimento do trabalho, queremos o respeito às mulheres trans e às travestis, queremos o fim da exploração de meninas e mulheres!

Por uma vida sem machismo, sem racismo, sem LGBTfobia, sem capacitismo: Nenhuma a Menos! Nenhum direito a menos!

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