MULHER NEGRA – A constante luta pela emancipação de raça, gênero e classe

por Gleide Davis

Acredita-se ainda que mulheres negras que ganham destaque por sua bagagem intelectual são minoria. Os espaços mistos ainda tem sido bastante nocivos para nós que ainda lutamos fortemente para nos estabelecermos intelectualmente fora de um contexto de servidão.

A nossa propriedade intelectual é muitas vezes menosprezada ou delegada a ser focada no campo representativo. A militância mista ignora que possamos falar sobre quaisquer outros assuntos pertinentes a sociedade que não o racismo; nós não temos autonomia política para nos expressarmos livremente caso tenhamos conhecimentos teóricos para além do racismo, mesmo que tenhamos uma clara gama de instrução sobre o assunto.

A militância das mulheres negras é paralela à militância feminista e do movimento negro, não porque elas fogem das pautas estabelecidas por estes, mas porque as suas demandas são tão especificas, que são muitas vezes tratadas como radicalismo por parte dos que não sofrem as suas demandas de opressão.

Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, as negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito e o racismo.

(..) Não existe lei Maria da Penha que nos proteja da violência de nos submeter aos cargos de limpeza – Eduardo Taddeo.

O Brasil ainda traz consigo o peso da hierarquização de raça, como uma consequência histórica da construção da falsa democracia racial pelo estupro de escravas e indígenas; o embranquecimento do mercado através da imigração da mão de obra europeia, e da estética feminina, padronizando mulheres brancas e subordinando mulheres negras à aproximação dos estereótipos de beleza da mulher branca, através do processo de negação da auto declaração racial.

A luta das mulheres negras não se resume apenas aos espaços de senso comum, mas à sua labuta diária é também inserida fortemente nos meios de militância, exigindo para nós um exercício maçante e diário de desconstrução de indivíduos que teoricamente possuem um grau de consciência, ora de gênero, ora de raça e em pouquíssimos casos, inclui-se também, a consciência de classe.

A nós, a que fomos delegadas à inaptidão do abandono de nossas forças para suportarem as mazelas da vida; da falta de oportunidades; da falta de espaços de crescimento intelectual; do genocídio que atinge os nossos e consequentemente  nós mesmas.

A revolução virá inevitavelmente, e principalmente pelas mãos das mulheres pretas.

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