Lula e a lua vermelha


Publicado em: 23 de outubro de 2026

Coluna Fábio José de Queiroz

Cearense, marxista, graduado em história, mestre e doutor em sociologia, professor associado da URCA (Universidade Regional do Cariri). Há mais de 40 anos milita sob a bandeira do trotskismo. É militante do Semear, corrente interna do Psol. É autor, entre outros livros, de "1964: O dezoito de brumário da burguesia brasileira" (2015)

Coluna Fábio José de Queiroz

Fábio José de Queiroz

Cearense, marxista, graduado em história, mestre e doutor em sociologia, professor associado da URCA (Universidade Regional do Cariri). Há mais de 40 anos milita sob a bandeira do trotskismo. É militante do Semear, corrente interna do Psol. É autor, entre outros livros, de "1964: O dezoito de brumário da burguesia brasileira" (2015)

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Crédito @juventudescomlulace

Ato 'Viradão com Lula', em Fortaleza (22/10)

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Lua vermelha
Pedra que flutua
Que ilumina o poste
Que ilumina a rua
(Brown/Antunes)

De Netanyahu a Trump, passando pela América Latina, nos últimos anos, o planeta tem vivido a longa noite da ascensão da extrema direita, com repercussões em todos os continentes.

É nesse contexto que o Brasil caminha para o segundo turno da eleição presidencial. O mundo inteiro se volta para o nosso país, onde multidões, usando blusas e bonés vermelhos, ocupam incansavelmente as ruas, o que, na prática, nos transformou na lua vermelha que ilumina a longa noite de um tempo marcado por uma onda reacionária poucas vezes observada na história.

A pergunta que o mundo inteiro faz é muito simples: triunfará a lua vermelha em torno de Lula da Silva ou se aprofundará a escuridão no planeta terra?

A extrema direita no Brasil e o seu programa

As forças de ultradireita no maior país da América Latina são lideradas por um agrupamento político de gradação neofascista: o bolsonarismo. Nessas eleições, o líder desse grupo está enclausurado, mas o filho é o representante do bando na disputa em curso.

A vitória de Flávio Bolsonaro representará o triunfo do programa do AÇO: “revogaço”, “tesouraço” e “tarifaço”.

O revogaço implica anular decisões como o fim da escala 6×1, o fim das BETs, o perdão da dívida dos microempreendedores individuais e a tarifa zero nos finais de semana e feriados. Sem falar do perdão aos golpistas.

O tesouraço significa um corte no orçamento nacional de um valor que pode ir de 200 a 280 bilhões de reais, com impactos catastróficos na educação, na saúde, na aposentadoria, no salário mínimo, no bolsa-família, na agricultura familiar e em outras políticas do Estado brasileiro.

O candidato do PL indica que o seu programa é o da Argentina de Milei, que aplicou um tarifaço no dia seguinte à sua posse, fazendo o preço dos serviços públicos (água, luz, gás e transporte público) se elevar muito acima da inflação, levando os argentinos ao desespero.

Esse programa aparece no processo eleitoral sob múltiplos disfarces e é apoiado abertamente pelas oligárquicas econômicas.

Lula enfrenta forças muito poderosas

O candidato do PL é só a manifestação particular de um projeto que conta com o apoio de Trump, das Big Techs, da imprensa dos patrões (Globo etc.,) e da oligarquia financeira.

Portanto, Trump não quer o Lula. As Big Techs (a exemplo da Meta) não querem o Lula. A Globo não quer o Lula. O mercado financeiro, em particular, não quer o Lula.

Apenas a classe trabalhadora da cidade e do campo e a imensa maioria da juventude universitária, secundarista e das periferias – reforçadas e amplificadas pelo campo cultural e pela intelectualidade progressista – querem o Lula.

Nessa confrontação, muito se indagam: é possível vencer uma aliança reacionária tão poderosa como essa encabeçada por Trump?

A lua vermelha ilumina as ruas do Brasil

Não devemos duvidar da capacidade da classe trabalhadora, da juventude e da vontade coletiva de milhões de mulheres e de homens que sabem do risco de entregar a presidência da república para um miliciano jovem e corrupto, que, efetivamente, pretende ampliar e aprofundar o legado sinistro do governo do seu pai.

É nesse contexto que podemos falar de uma lua vermelha iluminando as ruas do Brasil e desafiando a escuridão de tempos tão rudes e adversos. Podemos chamar essa massa vermelha nas ruas de maré, de onda, de tsunami etc. Não estaríamos errados. Preferimos nomear aqui, no entanto, de lua vermelha para chamar a atenção para a situação sombria que perpassa um mundo que cruza uma de suas esquinas mais perigosas.

As ruas vermelhas viraram as redes vermelhas, uma vez que as redes sociais foram ocupadas por milhões de mulheres e homens que, no momento em que escrevemos este breve texto, ousam desafiar a Meta, a Globo, o TSE bolsonarizado e a multidão de fake news.

Só essa lua vermelha, essa maré vermelha, esse mar vermelho, essa onda vermelha, só essa vermelhidão, enfim, pode alcançar a virada que parecia impossível.

Viradão do Lula?

O resultado da eleição é o enigma não resolvido da história, mas Lula – que enfrentou a ditadura, dirigindo greves operárias monumentais, que enfrentou a prisão injusta e se reelegeu presidente da república pela terceira vez – pode, nesse momento, à frente de seu exército nas ruas e nas redes sociais, produzir o maior viradão dos nossos tempos.
É difícil? E quando foi fácil para nós?

É impossível? Se é impossível, faltam poucas horas para transformarmos o impossível em realidade. Como diziam os jovens de 1968: “Sejamos realistas, exijamos o impossível!”


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