O que os números de Florianópolis mostram para o segundo turno


Publicado em: 5 de outubro de 2026

Por João Gabriel Moraes

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Esquerda Online

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Crédito Reprodução/Redes sociais
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Fiz uma comparação entre os resultados de Florianópolis no primeiro turno de 2026 e o primeiro turno de 2022, olhando não apenas para os votos de Lula e Bolsonaro, mas também para o crescimento do eleitorado, a abstenção, os votos brancos e nulos, os demais candidatos e, principalmente, o comportamento de cada bairro.

De cara, três números chamam atenção: Florianópolis passou de 403.446 para 424.001 eleitores, um crescimento de mais de 20 mil pessoas. Entretanto, as abstenções cresceram ainda mais, passando de 72.130 para 86.497. Ou seja, a cidade ganhou mais de 20 mil eleitores, mas também teve mais de 14 mil abstenções adicionais.

Os votos brancos e nulos , por outro lado, permaneceram praticamente estáveis: foram 11.659 em 2022 e 10.629 em 2026 . Isso reforça a ideia de que o grande movimento desta eleição não está nesse grupo.

O que realmente mudou foi a distribuição dos votos: Lula passou de 135.981 para 133.443 votos, enquanto Bolsonaro passou de 146.358 para 158.953. Ao mesmo tempo, os demais candidatos somados caíram de 42.649 para 34.479 votos.

Assim, a vantagem que era de aproximadamente 10,4 mil votos em 2022 passou para 25,5 mil em 2026.

Mas é justamente quando abrimos os números por bairro que a fotografia fica mais interessante.

Onde Bolsonaro está forte e ampliando sua vantagem

Alguns dos principais movimentos estão em Ingleses, Rio Vermelho, Canasvieiras, Capoeiras, Costeira do Pirajubaé e Saco dos Limões.

Ingleses é o caso mais expressivo: Bolsonaro passou de 8.249 para 10.893 votos, enquanto Lula passou de 6.435 para 7.297. A vantagem bolsonarista cresceu de 1.814 para 3.596 votos.

Rio Vermelho talvez seja ainda mais simbólico: em 2022 havia praticamente um empate — Lula tinha 3.608 e Bolsonaro 3.611. Em 2026, Lula cresceu para 4.879, mas Bolsonaro chegou a 5.944. Ou seja, Lula também cresceu, mas Bolsonaro cresceu muito mais.

Também merece atenção o crescimento bolsonarista em grandes colégios como Centro, Itacorubi, Campeche, Estreito e Coqueiros.

Onde a disputa está mais equilibrada ou em transição

Existem bairros que não podem ser simplesmente classificados como “lulistas” ou “bolsonaristas”, porque a dinâmica mudou bastante.

Rio Vermelho é o principal exemplo: saiu de praticamente um empate para uma vantagem de mais de mil votos para Bolsonaro.

Tapera também chama atenção, passando de uma pequena vantagem de Lula em 2022 para vantagem de Bolsonaro em 2026.

Saco dos Limões também merece atenção, assim como Rio Tavares, Pantanal e Lagoa, onde pequenas alterações na margem podem representar centenas de votos.

Esses territórios mostram que Florianópolis não é uma cidade eleitoralmente homogênea. Há bairros onde a disputa está muito mais aberta do que a média municipal sugere.

E os grandes colégios eleitorais?

Aqui está outro ponto fundamental.

Entre os maiores eleitorados aparecem Centro, Estreito, Itacorubi, Ingleses, Campeche, Coqueiros e Rio Vermelho.

E alguns deles também registraram forte aumento de abstenção.

Ingleses, por exemplo, ganhou mais de 6 mil eleitores desde 2022, mas também teve mais de 2,2 mil abstenções adicionais.

No Centro, a abstenção aumentou em mais de 1,6 mil.

No Rio Vermelho, mais de 1,5 mil.

Na Trindade, quase mil.

No Campeche, quase 900.

Ou seja, a participação eleitoral é uma variável muito importante para entender o resultado de Florianópolis.

Mas existe uma Florianópolis onde Lula continua forte

E esse talvez seja o dado mais importante para não cair em uma leitura pessimista dos números.

Lula continua na frente em diversos bairros importantes.

A Trindade, por exemplo, continua sendo uma forte base eleitoral: Lula teve 9.781 votos contra 6.121 de Bolsonaro em 2026 — uma vantagem de 3.660 votos.

Carvoeira é ainda mais significativa: Lula ampliou sua vantagem de 841 para 1.255 votos.

Também permanecem importantes para Lula Monte Cristo, Pantanal, Lagoa, Campeche e Rio Tavares.

Portanto, a cidade não está simplesmente “perdida” para Lula. Há uma parcela expressiva de Florianópolis onde o presidente mantém uma vantagem importante.

O que os números realmente mostram?

A eleição de Florianópolis não será explicada apenas pelos 25.510 votos que hoje separam os dois candidatos.

Há 86.497 eleitores que não compareceram, 34.479 votos que foram destinados a outros candidatos e uma série de bairros onde a disputa está muito mais equilibrada do que a média da cidade.

Isso não significa que todos esses eleitores sejam automaticamente votos disponíveis para qualquer candidato. Abstenção não é sinônimo de voto indeciso, e voto em outro candidato não significa necessariamente transferência automática.

Mas significa que existe uma eleição de segundo turno completamente diferente da primeira.

E existe algo que os números deixam muito claro:

Florianópolis tem bairros onde Bolsonaro está consolidado, bairros onde a disputa mudou bastante e bairros onde Lula continua tendo uma vantagem expressiva.

A diferença de 25 mil votos é grande, mas não é uma fotografia uniforme da cidade.

Por isso, mais importante do que olhar apenas para a média municipal é compreender bairro por bairro, mobilizar quem já tem preferência, conversar com quem ainda está em dúvida e, principalmente, lembrar que cada voto e cada eleitor que decidir participar do segundo turno podem fazer diferença.

Florianópolis ainda tem uma disputa pela frente.

 


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