“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”


Publicado em: 29 de setembro de 2026

Mauro Puerro, de São Paulo (SP)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Mauro Puerro, de São Paulo (SP)

Esquerda Online

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“Véu do Sol¨
¨Apagam a lâmpada e culpam o breu,
Negam a terra que o pé já pisou.
O fato concreto que o tempo escreveu,
A mão da ignorância riscou e apagou”

O negacionismo é uma tragédia para a humanidade em pleno século XXI. Virou programa dos neofascistas. Negar a ciência – inclusive as vacinas – negar a crise climática, negar a história, negar até que a terra é redonda, entre outras loucuras, são lemas abraçados por eles. O pior é que arrastam multidões por vários países e também aqui nesta terra onde canta o sabiá. É tarefa fundamental da humanidade combater o negacionismo, assim como é de vida e morte para a esquerda o combate ao neofascismo.

Há também o negacionismo na política. Existem Coletivos da Esquerda Radical que se contaminaram por esse vírus. Há nesses Coletivos camaradas abnegados que dedicaram parte da sua vida à causa dos trabalhadores. Entretanto negam a existência e o peso do neofascismo. Negam também o perigo que isso representa para nossa classe. Fazem campanha nesta eleição pelo voto nulo com o argumento de que Lula e Bolsonaro são iguais. É verdade que uma eleição não resolve a vida da nossa classe, mas o resultado dela pode ser fatal para os oprimidos. Um segundo governo Bolsonaro, com seus generais fora da prisão ao lado do Imperialismo de Trump, será uma tragédia para a classe trabalhadora brasileira e de toda a América Latina. E será muito terrível para as organizações políticas e sindicais da classe, assim como para a parca e frágil democracia que temos.

Também há partidos da esquerda radical, UP, PSTU, PCB, PCO, que optaram por lançar candidaturas próprias. Defendemos seu direito de fazê-lo. Há vários camaradas valiosos nessas organizações. Optaram por uma tática eleitoral cuja finalidade é apresentar seu programa e buscar sua autoconstrução. Discordamos da tática, mas reconhecemos sua legitimidade. Discordamos desta tática porque essa não é uma eleição normal. A Frente Eleitoral encabeçada por Lula se enfrenta com uma ultradireita neofascista que pode ganhar as eleições. Está ainda tudo indefinido. Por mais críticas que se possa ter ao governo Lula, igualá-lo à variante fascista é um erro grave.

há uma pergunta que não quer calar aos camaradas da UP, PCB, PSTU e PCO: não seria correto retirar as candidaturas agora chamando o voto em Lula para derrotar o neofascismo?

Esta eleição será definida por margem mínima, tanto no primeiro como no segundo turno. Inclusive o primeiro turno pode ser uma antecipação do segundo. Largar na frente pra a segunda volta pode ser decisivo. Um milhão ou mesmo 500 mil votos podem decidir a eleição. Esse é o cenário em que estamos. Faltam poucos dias para a votação. Reconhecemos que os companheiros lutaram bravamente por suas posições. Mas há uma pergunta que não quer calar aos camaradas da UP, PCB, PSTU e PCO: não seria correto retirar as candidaturas agora chamando o voto em Lula para derrotar o neofascismo? Já não foi cumprida a tarefa de defender o programa e dialogar com as massas? Já não foi cumprida a tarefa de buscar a construção das organizações?

Essa atitude, retirar as candidaturas chamando voto em Lula, pode ser decisiva no resultado final e essas organizações sairiam com muito prestígio e respeito na ampla vanguarda da esquerda brasileira

Essa atitude, retirar as candidaturas chamando voto em Lula, pode ser decisiva no resultado final e essas organizações sairiam com muito prestígio e respeito na ampla vanguarda da esquerda brasileira. Como diz a antiga canção: ¨Quem sabe faz a hora, não espera acontecer¨. Esperar o fascismo acontecer com a eleição de Flávio Bolsonaro seria erro gravíssimo. Subestimar ou minimizar o perigo fascista pode se tornar erro tão grave quanto negá-lo.


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