Esqueça a Copa por um segundo e mantenha os olhos em Gaza
Publicado em: 10 de julho de 2026
Gabriel Santos é nascido no nordeste brasileiro. Alagoano, mora em Porto Alegre. Militante do movimento negro e popular. Vascaíno e filho de Oxóssi
Gabriel Santos
Gabriel Santos é nascido no nordeste brasileiro. Alagoano, mora em Porto Alegre. Militante do movimento negro e popular. Vascaíno e filho de Oxóssi
“02 de agosto de 1914. A Alemanha declarou guerra à Rússia. À tarde fui nadar”
Franz Kafka
Saleem Al-Ashqar saiu de casa para buscar doação de gás e nunca mais voltou. Ele tinha 32 anos, era recém casado, esperava o nascimento do primeiro filho. Foi assassinado pelo exército israelense.
Saleem era goleiro. Em sua carreira passou pelos clubes palestino Shababa Khan, Al Aqsa, Khadamat Khan e Al-Madsar. O goleiro se soma a outros 1.012 atletas palestinos que foram assassinados pelo Estado de Israel desde outubro de 2023. Diante do silêncio da FIFA que vê jogadores de futebol serem mortos e do mundo do esporte internacional que não emite opiniões.
a Serie A do campeonato brasileiro de futebol conta com 780 atletas. Foram mortos pelo sionismo um número de atletas palestinos bastante superior do que a soma dos jogadores de todos os clubes de futebol da primeira divisão do futebol brasileiro.
Para se ter proporções do número, a Serie A do campeonato brasileiro de futebol conta com 780 atletas. Foram mortos pelo sionismo um número de atletas palestinos bastante superior do que a soma dos jogadores de todos os clubes de futebol da primeira divisão do futebol brasileiro.
Mohamed Wahidi, palestino e trabalhava no comitê egipcio de solidariedade a Gaza. Era o responsável pela exibição dos jogos da Copa do Mundo em alguns telões pelo território. As imagens da transmissão do jogo entre Egito e Argentina rodaram e emocionaram o planeta. Mohamed Wahidi foi assassinado pelo exército sionista enquanto estava em seu carro com Ahmed Dagmush indo assistir a partida.
Hamza al-Deri e Fari al-Deri eram irmãos. Tinham 8 e dez anos. Foram assassinados pelo exército do Estado de Israel. Estavam indo assistir a partida da Copa quando o míssil que atingiu o carro de Mohamed Wahidi também tirou a vida deles.
No dia anterior, o treinador da seleção egípcia Hossam Hassan fez a entrevista mais importante da Copa do Mundo, quando disse “as crianças palestinas apaixonadas por futebol estão sendo mortas a todo momento enquanto vestem camisas com os nomes de seus ídolos e ninguém faz nada”.
As histórias da vida de Saleem, dos irmãos el-Dari, de Ahmed e de Mohamed Wahidi são histórias interrompidas e que se conectam por uma história de algo maior, a história do genocídio palestino cometido pelo sionismo e pelo Estado de Israel. Neste ponto eles se encontram entre si e se juntam com os 130 mil palestinos mortos desde o início da ocupação colonial da Palestina pelo Estado de Israel.
Os nomes e histórias brevemente contadas nas linhas acima são invisibilizadas pela grande mídia. Que trata nomes, histórias, sonhos e a vida de palestinos com frieza e distância. Afinal, números não geram sentimentos e comoção. Se o Estado de Israel assassina 5, ou 15, ou 150, pouco importa, se tornam apenas dados.
O assassinato de palestinos se transforma em fato banal do cotidiano. “O preço da laranja aumentou, a gasolina diminuiu, duas crianças foram mortas por bombas. Vamos ao intervalo comercial.”
O assassinato de palestinos se transforma em fato banal do cotidiano. “O preço da laranja aumentou, a gasolina diminuiu, duas crianças foram mortas por bombas. Vamos ao intervalo comercial.”
O Estado de Israel normalizou a morte de palestinos. A exibição da Copa, a comemoração vendo os jogos, a junção entre o povo diante do telão rompendo o silêncio para soltar o grito de gol preso na garganta, era uma forma dos palestinos enfrentarem a guerra, a barbárie e a própria morte. Olharem para a violência colonial, para a ocupação ilegal, para os crimes de guerra, e afirmar nós estamos aqui, nós temos vida, e vamos insistir em vivela. Era uma forma, perdão pelo trocadilho, de driblar a morte e tentar criar vida.
Para o sionismo esta atitude e esta coragem palestina é inaceitável.
O Estado de Israel não quer apenas as terras de Gaza para construir prédios de luxo. Quer o fim da Palestina como espaço de vida. Quer a morte física dos palestinos, mas também a aniquilação simbólica daqueles que ainda insistem em tentar viver e enfrentar a morte.
Diante dos olhos sionista, ao palestino nada deve ser permitido. Nem alimento, nem água, nem terra, não tem direito a alegria e nem mesmo ao grito de gol ou a uma simples partida de futebol.
Terão suas terras roubadas, suas casas destruídas, seus filhos mortos, e ninguém se lembra de seus nomes. Tornarão-se, diante do planeta, apenas números, somente dados, obras do acaso.
Dia 10 de Julho. A França classificou-se para a semifinal da Copa do mundo. O PSDB não terá candidato à presidência. Plutão fica visível no céu.
O Estado de Israel assassina crianças palestinas
O Estado de Israel assassina crianças palestinas
O Estado de Israel assassina crianças palestinas
O Estado de Israel assassina crianças palestinas
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