A batalha das batalhas
Publicado em: 9 de julho de 2026
Coluna Paulo Pasin
Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo (SP) e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).
Coluna Paulo Pasin
Paulo Pasin
Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo (SP) e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).
Brasil de fato
A troca de correspondências entre Flavio Bolsonaro e Marco Rubio sobre uma suposta transição de governo confirma o que se sabia: para o imperialismo norte-americano, a eleição brasileira é determinante. Todos os que defendem as liberdades democráticas com visão minimamente realista sobre o cenário mundial compreende que, após o impasse no Irã, a eleição brasileira representa a batalha das batalhas para Trump na região. Definitivamente, para o império decadente em uma intensa luta geopolítica com a China, o controle total da América Latina é estratégico, sendo a conquista do Brasil essencial para alcançar esse objetivo.
É sempre importante ressaltar que nosso país ocupa a oitava posição na economia mundial e é o quinto maior territorialmente, abrigando patrimônios naturais valiosos, como minérios, biodiversidade, a Floresta Amazônica e as maiores reservas de água doce do planeta, além de possuir depósitos estratégicos de terras raras, nióbio, ferro, cobre e ouro.
Independentemente das divergências acerca do governo Lula e do PT, a presente eleição é muito mais do que apertar um botão, envolve uma questão maior: a preservação da nossa independência em relação ao império americano.
Agora é fundamental concentrar todos os esforços na reeleição, visto que a campanha tem apenas três meses e até o dia 19 de julho dividimos a atenção com a Copa. Nosso tempo para evitar a vitória da extrema-direita nas eleições deste 2026 esta se acabando
Afinal, nunca foi tão certo que nossos sonhos não se limitam a urnas, mas nossos pesadelos podem emanar delas. No cenário catastrófico de ascensão dos vassalos de Trump ao poder, nossos direitos fundamentais seriam severamente limitados, nossas empresas e recursos naturais seriam expropriados, e as liberdades políticas e organizações populares seriam drasticamente cerceadas. As recentes eleições no Equador e na Colômbia, onde a extrema-direita venceu por uma margem estreitíssima de votos, demonstraram que não podemos subestimar a extrema-direita, o risco de uma derrota histórica é real. Façamos, sim , o debate estratégico sobre a reorganização da debate estratégico sobre a reorganização da esquerda revolucionaria , mas no momento correto e em espaços adequados. Agora é fundamental concentrar todos os esforços na reeleição, visto que a campanha tem apenas três meses e até o dia 19 de julho dividimos a atenção com a Copa. Nosso tempo para evitar a vitória da extrema-direita nas eleições deste 2026 esta se acabando. Diz-se que esta é a eleição mais importante das nossas vidas devido à ameaça fascista, entretanto, na prática, não se constata uma postura diferente da maioria da esquerda em comparação com os outros processos eleitorais.
Não parece que os partidos de esquerda que lançaram candidaturas próprias para presidente e quase todas as candidaturas proporcionais dos partidos que apoiam a reeleição de Lula tenham compreendido que esta eleição não se enquadra no padrão de uma eleição comum no regime democrático-liberal brasileiro, onde projetos de autoconstrução e disputas internas são naturais em função da heterogeneidade da são naturais em função da heterogeneidade da esquerda brasileira.
Acrescente-se a isso o modelo eleitoral adotado em nosso país, que incentiva o voto personalizado em detrimento do programa partidário nas eleições proporcionais, o que acaba por promover a hiperindividualização das campanhas e gerar disputas entre candidaturas de mesmo perfil político ideológico, situação que se agrava com o impacto das redes sociais.
O mais preocupante é que o neofascismo imperialista, que muitos não parecem entender, se utiliza das eleições em todos os países para chegar ao poder e subverter o regime político em vigor, instaurando o autoritarismo e destruindo a soberania nacional
O mais preocupante é que o neofascismo imperialista, que muitos não parecem entender, se utiliza das eleições em todos os países para chegar ao poder e subverter o regime político em vigor, instaurando o autoritarismo e destruindo a soberania nacional. Assim, não é conveniente, mesmo em uma eleição de dois turnos, debilitar, nessa situação dramática, o campo que enfrenta os partidários de Trump nas urnas na primeira rodada.
Lidar com essa realidade exigirá uma transformação cultural na esquerda, abandonando abordagens autocentradas , a abandonando abordagens autocentradas , a disputa predatória e priorizando o interesse geral do movimento operário e popular. Isso significa diminuir o vanguardismo, sem deixar de apresentar um programa anticapitalista e ampliar a política de massas para alcançar setores mais amplos afetados pela crise, incluindo aqueles que não se identificam como esquerda ou progressista.
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