Combater o fascismo imperialista não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência


Publicado em: 22 de janeiro de 2026

Paulo Pasin

Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo (SP) e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).

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O termo “fascismo” tem sido utilizado de forma genérica e descontextualizada, sugerindo, em certas ocasiões, que consiste apenas em uma expressão polêmica direcionada à direita, o que naturaliza as ações fascistas do imperialismo contra os povos. Para os marxistas, entretanto, a definição de fascismo apresenta-se de forma precisa e rigorosa.

Qual é o significado de uma ofensiva fascista global? A resposta a essa questão é crucial para determinar nossos posicionamentos e ações na luta de classes, abrangendo desde a política geral até os conflitos cotidianos. Afinal, a história nos ensina que, diante do primeiro sinal de avanço fascista, temos o dever de alertar os trabalhadores e oprimidos sobre os riscos iminentes e dar prioridade absoluta ao enfrentamento enérgico ao fascismo por todos os meios. Detalhe que não é detalhe: POR TODOS OS MEIOS. Principalmente quando se trata de uma ofensiva fascista mundial impulsionada pelo país mais poderoso do mundo, única potência geopolítica global.

Em um contexto marcado por conflitos geopolíticos, desigualdade de renda extrema, crise ambiental global, além do declínio da consciência da organização da classe trabalhadora decorrente do colapso da URSS e da precarização do trabalho, é necessário compreender estes fenômenos na sua totalidade e identificar que resposta um setor do capital — e não é qualquer setor — está dando para enfrentar a crise sistêmica.

A plutocracia das big techs norte-americanas, situada no epicentro do capital internacional, responde à crise profunda mediante uma contrarrevolução planetária, visando intensificar a exploração da classe trabalhadora e dos povos oprimidos. Dessa forma, Trump encarna uma escolha consciente do centro do capitalismo americano pelo fascismo, agindo como um tirano que banaliza o uso da força como instrumento de dominação. Subestimar esse fato é arriscar-se ao máximo, pois implica afirmar que essa ofensiva não passa de um evento comum na história da humanidade.

Intelectuais e líderes de esquerda acreditam que essa investida contrarrevolucionária pode alcançar resultados imediatos; entretanto, no longo prazo, levará ao colapso total do imperialismo americano. Uma espécie de último suspiro antes da morte. Trata-se apenas de uma previsão, uma verdade abstrata cuja concretização depende do desenvolvimento de múltiplos fatores, desiguais e combinados. “Um dos princípios básicos da dialética é que não existe verdade abstrata, a verdade é sempre concreta.” (Lênin, Um passo à frente, dois passos atrás, maio de 1904).

A sorte do imperialismo americano está profundamente ligada ao resultado da luta de classes em escala global, sendo prematuro fazer prognósticos sobre o desfecho desse conflito. Nota-se que a luta de classes se intensificou significativamente em muitos países, com manifestações fortes e radicalizadas nos EUA, à medida que a população reage em um combate que transcende as disputas geopolíticas, visto que o imperialismo comanda uma corrente fascista internacional. Estamos em uma batalha decisiva que necessita de ação internacionalista duradoura, apoiando todas as manifestações, greves, atos e embates protagonizados pela nossa classe com determinação e entusiasmo.

Em cada país e região do planeta, este processo ocorre mediante meios distintos, seja pela via eleitoral e golpes de Estado, com o apoio de traidores da pátria, sequestro de mobilizações populares e/ou intervenções militares. Diante do cenário internacional atual, a situação na América Latina é especialmente crítica. A política imperialista fascista visa recolonizar a região por meio de regimes autoritários desprovidos de características civilizatórias básicas, alinhados aos interesses políticos e econômicos dos EUA.

Estão profundamente iludidos aqueles que creem que uma conexão pessoal com Lula seja capaz de conter o ímpeto fascista de Trump na região. A Casa Branca e as big techs, em aliança com a mídia hegemônica, porta-voz dos colonizadores em todas as disputas, empregarão força máxima a favor dos adversários de Lula nas eleições presidenciais deste ano.

“Tudo é possível pela força do império e das armas quando o direito internacional é desprezado, como foi em Gaza. Vivemos uma época de fascismo do império. O que impediria amanhã uma potência imperialista de achar que uma parte da Amazônia lhe pertence por causa das águas ou minérios? Devemos conversar com os jovens sobre as eleições no Brasil e a ameaça que seria se o Lula perder.” Em entrevista ao Brasil de Fato, o escritor brasileiro Milton Hatoum, integrante da ABL, chama a atenção.

É crucial unir forças em defesa da América Latina para resistir à ofensiva fascista, promovendo a soberania e autodeterminação das nações, a integração latino-americana e a consolidação do BRICS, as liberdades democráticas, a reforma agrária agroecológica, a reforma urbana ecológica, a taxação dos super-ricos, o fim de todas as privatizações, concessões e terceirizações, e a valorização da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, com o objetivo imediato de aprovar a redução da jornada de trabalho, extinguir a escala 6×1 e defender o veto do Presidente Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria.

Encontramo-nos numa encruzilhada onde atitudes sectárias, divisionistas e autoproclamatórias comprometem o processo da unidade necessária para enfrentar o fascismo. Com efeito, o sectário não declara abertamente hostilidade à luta unificada, mas a revela por meio de suas ações e atitudes. Não foi sem razão que Trotsky dedicou um capítulo do Programa de Transição aos sectários, certamente não por diletantismo ou capricho.Combater o fascismo imperialista não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência.

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