Bolsonaro anuncia plano, enquanto combate e sabota a vacinação

Presidente afirmou que não vai tomar a vacina, incentivando a população a não se proteger


Publicado em: 16 de dezembro de 2020

Editorial de 16 de dezembro de 2020

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Editorial de 16 de dezembro de 2020

Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Compartilhe:
Ouça a Notícia:

O Brasil assiste ao crescimento da quantidade de casos da covid-19, que se aproxima de 7 milhões, e a aceleração da quantidade de mortes, que somaram 915 nas últimas 24 horas. Ao todo, já foram perdidas 182.799 vidas, sem contar a subnotificação. Apesar de alertas de especialistas e dos organismos de saúde, governos têm sido tímidos em novas medidas de distanciamento e as festas de fim de ano podem levar a um mês de janeiro com recordes de óbitos. O governo federal não garante a continuidade do auxílio emergencial, o que aumentará a miséria e a pobreza, colocando ainda mais pessoas negras e pobres em situação de vulnerabilidade.

A única notícia positiva, em um cenário de novas ondas de contaminação, é o avanço no desenvolvimento das vacinas, com as primeiras aplicações sendo realizadas no Reino Unido, meses antes da maioria das previsões, e diversas vacinas em estágio avançado.

O Brasil está atrasado na corrida mundial pela vacina e não por acaso ou incompetência. Trata-se de uma decisão política, em sintonia com o negacionismo com o qual o governo tratou a pandemia. O Ministério da Saúde não se preparou para a imunização, não tendo feito nenhuma compra ou reserva sequer de seringas, sendo que deverão ser necessárias 300 milhões de seringas e agulhas – a vacina mais avançada é aplicada em duas doses.

Coincidentemente, o setor privado já se movimenta para transformar a pandemia em lucro. Associações dos hospitais privados e de clínicas de vacina propuseram ao governo participar do programa de vacinação, oferecendo a rede de clínicas, hospitais e laboratórios privados. Não se trata, obviamente, de uma ação humanitária, mas nova investida da saúde privada contra o SUS, que deverá ter orçamento reduzido em 2021.

Somente após o desgaste provocado pelo anúncio de governos estaduais oferecendo diretamente a vacina, como o de São Paulo, o governo admitiu a vacinação e afirmou que compraria qualquer vacina aprovada pela Anvisa em “cinco dias”. Nesta quarta, 16, apresentou oficialmente um plano nacional de imunização, feito às pressas e sem consultar sequer os especialistas que o assinam. Na coletiva, o ministro da Saúde garantiu que teria feito o planejamento para a compra das doses e a vacinação em massa, que não haveria tratamento diferenciado aos estados. Pazuello, descaradamente, recorreu ao SUS, ao afirmar: “O povo brasileiro tem capacidade de ter o maior sistema único de saúde do mundo, de ter o maior programa nacional de imunização do mundo, nós somos os maiores fabricantes de vacinas da América Latina. Pra que essa ansiedade, essa angústia?”. A frase é um desrespeito a todas as vítimas da covid-19 e a seus familiares.

Bolsonaro: “Não vou me vacinar”

Essa guinada e as falas do ministro da Saúde contrastam com as declarações e omissões do presidente. Nesta terça, 15, em entrevista ao apresentador Datena, da Band, Bolsonaro afirmou que não iria se vacinar: “Como cidadão é uma coisa e como presidente é outra. Mas como nunca fugi da verdade, digo: não vou tomar a vacina. Se alguém acha que minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final”. O presidente também afirmou que a vacinação não será obrigatória, defendeu um “termo de responsabilidade” a ser assinado por quem for se vacinar e afirmou que pediu ao ministro da Saúde, Pazzuello, que comece “a mostrar o que seria a bula desse medicamento”. E Pazuello só chegou a ministro por não desobedecer ou questionar o presidente…

O presidente assume publicamente que irá atuar para desestimular a vacina, apresentando-a como perigosa. Como destaca o jornalista Bruno Boghossian, da Folha de S. Paulo, os seguidos discursos do presidente encontram eco: “Desde agosto, o percentual de brasileiros que não querem se vacinar subiu de 9% para 22%. São 46 milhões de pessoas que podem sofrer com a doença ou espalhar o vírus.”

É preciso transformar a angústia em revolta: Fora Bolsonaro genocida!

O presidente Jair Bolsonaro foi denunciado no Tribunal de Haia, por conta de seus crimes ao longo da pandemia. Não há dúvidas de sua responsabilidade e a de seu ministro com as milhares de mortes. Há sim motivos para angústia. Bolsonaro segue promovendo aglomerações, permitiu que milhões de testes vencessem e agora combate e sabota a vacinação, utilizando a sua máquina de mentiras para incutir medo em milhares de brasileiros e brasileiras. Sabemos que a imunização em massa é uma forma de impedir o contágio. Sabotar a vacina tem um objetivo: alongar uma situação na qual o governo e o Congresso podem seguir “passando a boiada”, com as privatizações, a reforma administrativa, o excludente de licitude e demais políticas anti-povo. Mais do que nunca, é hora de gritar Fora Bolsonaro, para defender a vida, defender o SUS e exigir a vacinação em massa.


Contribua com a Esquerda Online

Faça a sua contribuição