O silêncio como mensagem
Publicado em: 2 de novembro de 2022
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during a tribute to the Brazilian athletes who won the second place in the general medal table of the Normandy 2022 Gymnasiade in Brasilia, on July 6, 2022. (Photo by Sergio Lima / AFP)
A eleição brasileira terminou com uma importante vitória da coalizão democrática liderada por Lula. Após o anúncio oficial do TSE, os presidentes do Senado e da Câmara parabenizaram o petista. Lideres políticos de todo o mundo utilizaram as redes sociais para congratular o novo presidente do país. Até mesmo o governador bolsonarista eleito em São Paulo Tarcísio de Freitas já admitiu a legitimidade da eleição de Lula. Só Jair Bolsonaro, o derrotado, até agora não falou nada.
O silêncio de Bolsonaro não é inocente. Na verdade o que ele está fazendo é a política do Dog Whistle ou apito de cachorro. O presidente derrotado está enviando um sinal para sua base que não reconhece a vitória de Lula. Não é por outro motivo que os bolsonaristas mais raivosos estão realizando focos de terror em rodovias brasileiras para questionar a eleição e pedir intervenção militar.
Bolsonaro é inimigo da democracia. Era certo que iria questionar o processo eleitoral como fez Trump nos EUA. Tentou sem sucesso deslegitimar as urnas eletrônicas. Mas ele também aprendeu com o episódio da invasão do Capitólio e não irá se expor. Sabe que não tem correlação de forças para uma tentativa de Golpe de Estado e caso faça ficará isolado internacionalmente e irá para prisão. Por isso, não fala abertamente que a eleição não é legítima, mas ao ficar em silêncio envia sua verdadeira opinião para sua falange.
Quanto mais tempo Bolsonaro se puser em silêncio mais instabilidade e incerteza teremos nos rumos do país. A eleição de Lula goza de amplo reconhecimento. A narrativa do bolsonarismo é frágil. Os movimentos sociais não podem ficar na defensiva e caso outras ações golpistas aconteçam precisam convocar manifestações democráticas para exigir respeito ao resultado eleitoral e garantir a posse de Lula.
* Lucas Scaldaferri é da Coordenação Nacional da Resistência
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