Eleições no Rio de Janeiro: unidade para eleger Lula e duas mulheres ao Senado
Publicado em: 29 de agosto de 2026
Instagram/Monica Benicio
Berço do bolsonarismo, o Rio de Janeiro se apresenta como um palco fundamental nas eleições de 2026. Por agência da extrema direita, o estado se encontra em elevado grau de deterioração institucional, sob a perniciosa fusão entre o regime político, as milícias e o crime organizado. É nesse cenário que, a pouco mais de um mês para as eleições, apontamos brevemente a seguir algumas considerações sobre a tática e estratégia a serem adotadas pela esquerda socialista e o PSOL-RJ, no âmbito de uma campanha eleitoral que se desenrola como uma luta política tão áspera e intensa quanto inadiável.
A indefinição é mesmo a marca das eleições presidenciais. As pesquisas indicam um empate técnico nas intenções de voto de Lula e Flávio Bolsonaro. Esse cenário é bastante distinto se comparado ao de quando faltava cerca de 1 mês para as eleições de 2018 (quando Bolsonaro venceu) e de 2022 (quando Lula venceu): em ambas as ocasiões, as pesquisas atestavam, a esta altura, vantagem relativamente folgada para a candidatura de esquerda. O cenário internacional, igualmente, é bastante mais desfavorável, com Trump atuando abertamente nas eleições em nosso continente, onde a extrema direita tem conquistado vitórias em diversos países.
A maior parte do desgaste de Flávio Bolsonaro com sua vinculação a Vorcaro e com a crise aberta com Michelle Bolsonaro parece ter se dissipado. A imprensa agora pauta repetidamente as denúncias contra o filho do Presidente. Como fatos positivos, Lula tomou nova iniciativa no embate contra Trump pela soberania, propondo nova rodada de negociação ainda durante a campanha. E, sobretudo, o acordo com Alcolumbre destravou a tramitação da proposta que dá fim à escala 6×1 no Senado. Nesse plano, é útil reforçar a agitação por “aprovar o fim da escala 6×1, eleger Lula Presidente”.
o papel do PSOL, de todas as suas candidaturas e todos e todas ativistas de esquerda é fortalecer a campanha de Lula como tarefa mais importante do momento.
Mais além de todas as razões de fundo que não nos faltam para nos engajarmos e nos identificarmos fortemente com a campanha de Lula, é preciso compreender com nitidez que a eleição não está mesmo decidida. Nesse sentido é que acreditamos que o papel do PSOL, de todas as suas candidaturas e todos e todas ativistas de esquerda é fortalecer a campanha de Lula como tarefa mais importante do momento.
No último sábado, consideramos que a presença de Lula em Comício, em Bangu, foi um fato importante da campanha eleitoral, no Rio. A mobilização de milhares de apoiadores ao evento contribui de forma evidente para crescer o necessário engajamento nas ruas, famílias, locais de trabalho e comunidades para disputar os votos necessários a impor uma derrota a Flávio Bolsonaro também em nosso estado.
Cabe pontuar, ainda assim, um erro da direção do PT e do PSD no evento, por terem excluído o PSOL do palanque. Um erro não simplesmente por ferir um interesse pragmático de nosso partido, mas pelo fato de que as pesquisas sugerem que nunca foi tão urgente somar forças para eleger Lula – o que é o oposto de buscar isolar um partido comprometido com essa tarefa e com considerável peso eleitoral no Rio.

Em todo caso, foi acertado que o PSOL se tenha feito presente. Conforme tem agido nos últimos anos de virada conservadora no país, tratou-se de reafirmar, uma vez mais, que o compromisso do PSOL com Lula contra o bolsonarismo é fruto de uma genuína responsabilidade política com o maior desafio de nosso tempo – e não de uma busca por cargos e benefícios imediatos. Destacamos o papel, nesse sentido, cumprido pelas campanhas de Talíria Petrone Deputada Federal e Luciana Boiteux Deputada Estadual, bem como a presença no evento de nossas candidaturas ao governo William Siri e ao senado Monica Benicio, e do presidente do partido no RJ, Flávio Serafini – também candidato a Deputado Estadual.
No âmbito da eleição para governador, situamos que o bolsonarismo parece ter virado a página da crise que sofreu em sua chapa na pré-campanha. A campanha de Douglas Ruas está com forte volume nas ruas e sua dinâmica nas pesquisas também é de crescimento. A vantagem que Eduardo Paes ainda registra nas intenções de voto não deve nos iludir sobre a hipótese bastante razoável de haver segundo turno, também, para o governo do estado. É também um cenário desafiador, em que lutaremos pelo voto em William Siri, único candidato ao governo com presença política real sem alianças com bolsonaristas em sua chapa.
É, contudo, nas pesquisas para o Senado que a última semana marcou um fato alvissareiro para o PSOL e a esquerda. Além da liderança de Benedita (10%), Monica Benicio apareceu, segundo a Quaest, em quarto lugar com 5% das intenções, à frente de Pedro Paulo (PSD, apoiado por PT). No quesito “segundo voto”, Monica liderou a pesquisa com 7%. É uma notícia muito importante e que, como em qualquer pesquisa, precisa ser bem interpretada.
Se considerarmos que, de acordo com a pesquisa, indecisos, brancos, nulos e abstenções somam 49% do eleitorado, o fato é que a eleição para o Senado igualmente está muito em aberto. Além da fragmentação do cenário, é de praxe que o cargo mobilize de vez o voto mais na reta final da campanha. Por isso, o fato é que é preciso continuar aumentando o engajamento na campanha para eleger Benedita da Silva.
O que é, no entanto, muitíssimo importante destacar na pesquisa é o bom posicionamento de Monica Benicio neste momento, que sugere uma crescente em sua audiência no eleitorado de esquerda e mal estar na própria base petista com o equivocado apoio do PT a Pedro Paulo. Afinal, é mais que razoável questionar o sentido de depositar os votos do eleitorado de esquerda em Pedro Paulo. Afora seu histórico de denúncias de violência de gênero, seu voto a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e pela chamada PEC da Blindagem, ou, ainda, seu papel atual na proposta de contrarreforma administrativa, sugerem que a solidez de sua aliança com Lula é, na melhor das hipóteses, instável. Calibrando as expectativas com lucidez, o PSOL deve explorar a fundo essa brecha, que pode tornar a campanha de Monica um fator importante para a localização política do partido na disputa como um todo – inclusive a das bancadas proporcionais.
É preciso trabalhar nas próximas semanas com iniciativas políticas e incidência no sentido de abrir agendas dos nossos candidatos proporcionais à Monica Benicio, a fim de lhe apoiar com a maior tração possível na campanha de rua e nas redes.
É preciso trabalhar nas próximas semanas com iniciativas políticas e incidência no sentido de abrir agendas dos nossos candidatos proporcionais à Monica Benicio, a fim de lhe apoiar com a maior tração possível na campanha de rua e nas redes.
O excelente desempenho atual de Monica Benicio, diante do mal estar com Pedro Paulo na base petista, atestado inclusivamente pelas vaias no Comício de Bangu, coloca uma oportunidade de avançar no debate no sentido de que tipo de aliança Lula precisa para transformar o Brasil, afirmando o compromisso do PSOL em trabalhar com o Presidente por um programa em prol da classe trabalhadora e contra o fascismo. É hora de intensificar a campanha para “eleger 2 mulheres ao Senado”, afirmando Monica na luta pelo segundo voto, junto com Benedita.
Todos os levantamentos sérios atestam que a combativa bancada do PSOL na Câmara dos Deputados foi mais leal, ainda que resguardando sua independência, ao presidente Lula em suas votações do que parlamentares como os do PSD, de Eduardo Paes e Pedro Paulo. A aliança mais importante para Lula poder transformar o Brasil é com o povo organizado e pressionando nas ruas o Congresso Nacional. É nesse sentido que estamos convencidos que o PSOL vem e poderá seguir cumprindo um papel útil à gente trabalhadora de nosso país e de nosso estado. É desse ponto de vista, entendendo que o eixo unificador de nossa campanha é a luta para eleger Lula e derrotar o bolsonarismo, que trabalhamos por manter e crescer as bancadas de nosso partido na Câmara e também na Alerj.
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