Precisamos de Manuela d’Ávila senadora do Brasil
Publicado em: 12 de março de 2026
Nossa hora é agora. Estas eleições são determinantes para o futuro da esquerda brasileira. Precisamos apostar todas as fichas para reeleger Lula e posicionar nossas melhores lideranças políticas para a próxima etapa da batalha. A pré-candidatura ao senado de Manuela d’Ávila pelo Rio Grande do Sul é um passo fundamental para a construção do país que queremos.
Com o fim da janela partidária no início de abril, as eleições de 2026 começam a esquentar. As pré-candidaturas vão se definindo e a disputa entre a frente democrática em torno da reeleição de Lula tem tudo para enfrentar um cenário adverso parecido com 2022. Apesar da grande vitória que é a prisão de Bolsonaro, ela não foi suficiente para derrotar a extrema direita no país. As eleições também não serão, mas são uma etapa determinante da guerra.
A ofensiva de Trump e seu projeto de recolonizar o mundo e interferir diretamente na soberania dos países é peça central nesta disputa. O neofascismo já ensaia colocar o Brasil na rota do discurso usado contra México, Venezuela, Colômbia, Equador de combate ao “narcoterrorismo”, ou seja, legitimando uma possível intervenção militar nos países da América Latina.
O lado de lá está se unificando em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e vem demonstrando uma tendência de crescimento forte nas pesquisas. No dia 1 de março fizeram um esquenta nas ruas, realizando atos em diversas cidades e apresentando o pré-candidato na Avenida Paulista para 20 mil pessoas.
A esquerda precisa ter a capacidade de tomar a iniciativa da ofensiva política, como foi na resposta a derrubada do decreto do IOF, a derrota da PEC da bandidagem e a aprovação da isenção do imposto de renda. Sem mobilização social, não haverá vitória.
Manuela é necessária no Congresso Nacional
Manuela d’Ávila é a maior liderança feminista do país. Na verdade, Manuela é uma das principais lideranças políticas do país, ponto! Eleita pela primeira vez em 2004 como a vereadora mais jovem de Porto Alegre, foi eleita deputada federal em 2006 e reeleita em 2010 com recordes de votação. Além de colocar seu nome para a disputa da prefeitura de Porto Alegre em três ocasiões, foi candidata a vice-presidência aos 36 anos em 2018, um dos momentos mais duros da história do país.
Mas repassar o currículo eleitoral é pouco para o tamanho da figura política que Manuela é e o papel que ela pode desempenhar no próximo período no Congresso Nacional.
Um dos principais alvos da violência política de gênero do país, foi a voz que impulsionou o debate sobre as fake news e como a organização do neofascismo estava muito bem apropriada das novas tecnologias, alertando para o atraso da esquerda sobre o tema. O discurso de ódio nas redes tem impactos concretos reais, que hoje vemos diariamente sendo confirmado na imprensa como o caso do estrupo coletivo em Copacabana. Mais do que isso, as novas tecnologias impactam diretamente as eleições, os regimes políticos e as guerras contemporâneas.
Uma liderança que é vanguarda nesses temas já é uma forte candidata ao Senado brasileiro. Quem está olhando o presente e vendo nossa juventude cada vez mais ganha para ideias conservadoras e se tornando lideranças políticas ao redor do mundo, sabe que precisamos agir imediatamente para inverter essa tendência e proteger nosso futuro. O programa neofascista não pode vencer como resposta para a crise do capitalismo.
A luta contra a extrema direita não se encerrará em 2026. É o desafio de todo um período histórico. Manuela já provou ser uma figura que tem a criatividade para renovar a política, mas também um horizonte programático de emancipação da classe trabalhadora que confronta o projeto neofascista. E está disposta a disputá-lo! Ao mesmo tempo que tem capacidade de aglutinar forças políticas democráticas e garantir diálogo e amplitude que a nossa luta precisa para vencer essa guerra. Reorganizar a esquerda e construir confluência política: a saída é coletiva e para essas tarefas Manuela d’Ávila é necessária.
A estratégia do neofascismo
O Senado federal está na mira da extrema-direita. A luta pela destruição das instituições democráticas e implementar uma mudança de regime no país, passa por dominar a maioria das cadeiras da câmara alta do Congresso Nacional. O Senado é estratégico: pode pautar e votar o impeachment de membros da suprema corte. Para aqueles que articulam a PEC da bandidagem, é um prato cheio para o seus crimes, sejam eles comuns ou contra o regime político.
O Senado ainda tem a prerrogativa de julgar outras autoridades como presidentes, procurador geral da República, ministros e comandantes das Forças Militares. Além de analisar e aprovar nomes indicados para cargos comoos próprios ministro do STF. Na prática, facilita impor uma agenda de perseguição política para os inimigos e blindagem para os aliados.
Nesta eleição serão disputados 2/3 das vagas, ou seja 54 parlamentares da casa estão disputando suas vagas para reeleição ou serão substituídos. A intenção dos bolsonaristas é eleger metade dessas vagas. No total são 81 senadores. Em 2022 elegeram 14 senadores das 27 cadeiras que estavam na disputa. Segundo levantamento do The Intercept, o grupo precisa reeleger 11 senadores e ganhar mais 16 para alcançar o controle da casa.
A maioria simples ainda não é suficiente para aprovar uma PEC ou efetivar um impeachment, que exige maioria qualificada de 54 senadores, mas já é meio caminho andado (ou literalmente 75% do caminho andado).
Nas eleições de 2022 só o PL elegeu oito senadores das 27 cadeiras que estavam na disputa, tornando-se a maior bancada da Casa.
As peças ainda estão se movimentando e as candidaturas estão se definindo nas próximas semanas. A ideia é espalhar nomes fortes do “bolsonarismo raíz” pelos estados chave. Chama atenção o caso de Santa Catarina: o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, será o candidato. Já no próprio Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro como candidato a presidencia liberaria uma vaga, mas nomes não faltam no estado em que os três atuais senadores já são da extrema-direita. Em São Paulo a pretensão era lançar Eduardo Bolsonaro, mas como ele segue fugindo da justiça nos EUA a vaga deve se abrir pra outros nomes como Guilherme Derrite, Ricardo Salles ou Mario Frias.
A estratégia da esquerda
O presidente Lula já declarou preocupação com a eleição do Senado. “Para o Brasil, tem que pensar onde a gente pode eleger e pegar os melhores quadros e eleger senador, deputado, porque nós precisamos ganhar maioria no Senado”, declarou ainda em 2025. Essa estratégia tem avançado e a chamada “tropa de elite” dos ministros de Lula devem disputar as cadeiras em seus estados.
Não podemos cometer o mesmo erro de estratégia de 2018, quando também se disputava duas vagas ao Senado. Em São Paulo, Eduardo Suplicy (PT) liderava as pesquisas durante toda a eleição, seguido pela candidatura do negacionista que morreu de COVID, Major Olimpio (PSL). Na ânsia do campo progressista de derrotar o candidato da extrema-direita, a pressão do voto útil no segundo nome tirou votos de candidatos de esquerda como Silvia Ferraro (PSOL) e migraram para Mara Gabrili (PSD). O resultado foi trágico: Mara superou os votos de Suplicy. Retirou um nome da esquerda para eleger um nome de centro.
Coisa parecida aconteceu em Minas Gerais com a presidenta Dilma Rousseff. A frente das pesquisas até a véspera, acabou ficando em quarto lugar e os eleitos foram Rodrigo Pacheco (PSD) e Carlos Viana (PODE).
A eleição para o senado é majoritária e, sendo dois nomes, o mais estratégico é que os votos da esquerda fiquem na esquerda. Apresentar dois nomes e fazer o voto casado é a melhor estratégia para disputar contra o bolsonarismo e também eleger lideranças populares para a câmara alta do Congresso Nacional.
Cenário do Rio Grande do Sul
A disputa eleitoral no Rio Grande do Sul também demonstra a viabilidade eleitoral de conquistar essa cadeira. Em primeiro lugar, a pré-candidatura de Paulo Pimenta (PT) em coligação com Manuela d’Ávila como o nome do PSOL é exatamente a estratégia do voto casado que precisamos emplacar. Soma-se a isso o fato de que uma das vagas em aberto é do atual senador Paim (PT), ou seja, seria manter pelo menos uma das vagas com a esquerda, o que já é tradicional do voto no estado.
Com quase 30% das intenções de voto nas últimas pesquisas, Manuela já lidera a disputa. É possível. É necessário. O Brasil precisa de Manuela senadora!









