Filme premiado leva a luta pela ampliação de cotas indígenas à 6ª Teia Nacional pela Justiça Climática


Publicado em: 12 de março de 2026

Por Porakê Munduruku, de Belém (PA)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Entre os dias 19 e 24 de maio, a bela cidade de Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo, sediará a sexta edição do maior evento de promoção da cultura de base comunitária realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil (MinC). Trata-se da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, principal espaço de articulação, troca de experiências e fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva, que busca fomentar, valorizar e descentralizar a produção cultural brasileira, a partir do fomento e da articulação de Pontos e Pontões de Cultura por todo o território nacional.

Em 2026, após doze anos de interrupção, o encontro da Teia Nacional de Pontos de Cultura retorna com o tema: “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, em meio a um cenário marcado pelo desafio de equilibrar a continuidade e o incremento dos investimentos públicos na cultura, representados por políticas de fomento como as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, com as preocupações mundiais em lidar com as catástrofes climáticas e suas consequências. “Diante de tal encruzilhada, o ascenso das lutas indígenas no país, pode indicar alternativas para um futuro sustentável a partir da mobilização comunitária e da valorização de nossas culturas originárias”, afirma Naira Kamekran, representante do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena da Região Metropolitana de Belém, um dos pontos de cultura indígena que estarão presentes ao evento.

A presença de entidades e coletivos indígenas, aliás, será uma das grandes atrações desta 6ª Teia Nacional. O Tekó, além de ter elegido sua representante, Naira Kamekran, como uma das delegadas do Pará ao evento nacional, teve seu filme-manifesto, Quem Quer?, selecionado para integrar a programação oficial do encontro, ao lado de outras grandes produções do audiovisual amazônida, como o documentário roraimense, Como Matar um Rio.

Laureado com o Prêmio de Impacto Social em Cinema Brasileiro na quinta edição do All That Moves Internacional Filme Festival e realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, Quem Quer? é um filme-manifesto de curta-metragem dirigido por Célia Maracajá e roteirizado por mim, Porakê Munduruku, que traz uma reflexão urgente sobre o apagamento do pertencimento étnico-racial das populações indígenas que sobrevivem fora dos territórios demarcados, além de se propor a discutir a inclusão de indígenas não aldeados na política de cotas vigente e a necessidade de revisão do estatuto da igualdade racial, a partir da perspectiva do movimento indígena de retomada no contexto urbano. Temas que adquirem uma relevância ainda maior quando consideramos que o Censo de IBGE 2022 revelou que 63,27% da população indígena brasileira vive fora das terras indígenas e 25,49% dos indígenas registrados neste levantamento não quiseram ou não puderam indicar a qual etnia específica pertencem.

Sinopse: Dandara (Jéssica Lorena) é uma jovem indígena desaldeada que, por ter nascido e crescido na periferia da cidade, vivencia um dilema entre a afirmação de sua ancestralidade e a sonhada vaga em uma universidade pública.

Sobre a diretora: Célia Maracajá é cineasta, atriz e produtora. Iniciou sua carreira na década de 1970, sendo uma das percussoras da produção teatral e audiovisual indígena no Brasil, com uma trajetória profundamente ligada às lutas sociais, à cultura amazônica e ao fortalecimento do cinema e do teatro na região.

Ficha técnica: Quem Quer? (2025) Documentário, 13 min. Direção: Célia Maracajá. Pesquisa e Roteiro: Porakê Munduruku. Direção de Fotografia: Bruno Cecim. Produção: Hudson Passos. Edição e Montagem: Klebson Carneiro (Mago). Elenco Principal: Jéssica Lorena, Márcia Kambeba, Lo Ojuara, João Colares, Hudson Passos, Tertuliana Lopes.

Para maiores informações sobre o filme e sobre onde é possível assisti-lo, siga nossa página oficial no Instagram:


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