“Escudo das Américas”: Trump aprofunda a ameaça a soberania latino-americana


Publicado em: 10 de março de 2026

André Freire, do Rio de Janeiro (RJ)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Crédito Daniel Torok - Facebook
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No último sábado, dia 7 de março, Donald Trump realizou um encontro com presidentes da América Latina que apoiam seu projeto imperialista e de extrema direita. A reunião se realizou na Flórida, próximo à Miami.

Estiveram presentes 12 presidentes: Javier Milei – Argentina; Rodrigo Chaves Robles – Costa Rica; Daniel Noboa – Equador; Luis Abinader – República Dominicana; Nayib Bukele – El Salvador; Mohamed Irfaan Ali – Guiana; José Raúl Mulino – Panamá; Santiago Peña – Paraguai; Kamla Persad‑Bissessar – Trinidad e Tobago; Nasry Asfura – Honduras; Rodrigo Paz Pereira – Bolívia e José Antonio Kast – Chile.

Todos governos de extrema direita ou de direita radical, com pelo menos uma coisa em comum entre: são totalmente subordinado ao projeto trumpista para América Latina. Inclusive, mesmo governos de direita, mas que não se elegeram próximos da extrema direita, agora estão se submetendo aos ditames ultra-reacionários do trumpismo.

Os presidentes de esquerda e progressistas da América Latina não foram convidados ou não quiseram comparecer à “cúpula dos capachos” de Trump. Principalmente: Lula – Brasil; Claudia Sheinbaum – México; Gustavo Petro – Colômbia; Miguel Díaz-Canel – Cuba; Yamandu Orsi – Uruguai; e o atual governo interino da Venezuela (Delcy Rodriguez).

A reunião definiu estabelecer uma aliança formal entre Trump e estes governantes. Que tem até um nome pomposo: “Escudo das Américas”. Este verdadeiro conluio de reacionário definiu os seguintes objetivos principais:

  1. Aliança de segurança: Cooperação militar entre os países. Treinamento destas forças armadas pelos EUA.
  2. Combate militar aos cartéis: Trump propôs o uso direto das forças armadas estadunidenses contra o narcotráfico, em solo de países latino-americanos.
  3. Controle da migração: Coordenação regional para reprimir ainda mais a imigração.
  4. Redução da influência de potências externas: Especialmente a China e a Rússia na América Latina. Além de tentar fazer frente ao desenvolvimento dos Brics na região.
  5. E, como conclusão, criar um bloco político na região totalmente alinhado e subordinado a Washington.

Os graves riscos no horizonte imediato

Esta reunião e suas decisões representam um risco direto à soberania dos países latino-americanos, sobretudo aqueles que atualmente possuem governos que não se alinham automaticamente a Trump.

>> Leia também: O que é a “Doutrina Donroe” e por que os EUA estão se retirando dos organismos multilaterais?

Os riscos são muito sérios: Intervenção militar indireta e direta; os EUA treinarem ou coordenarem operações militares nos países; o governo estadunidense pode influenciar decisões internas dos países; os países que aderirem ficarão ainda mais dependentes da política de segurança dos EUA; a região virar ainda mais um campo de disputa geopolítica entre EUA e China, principalmente; e a exclusão de grandes países latino-americanos da reunião, aumentará a divisão ideológica e política na América Latina. Para ficar apenas em alguns exemplos.

Existe um risco adicional – e muito importante: a ingerência de Trump e seus aliados nos processos eleitorais latino-americanos. Já assistimos a intervenção trumpista, principalmente, nas eleições presidenciais do Chile, Honduras, Equador, Costa Rica e nas eleições legislativas da Argentina. Lembrando que este ano vamos ter importantes eleições presidenciais na América Latina, tais como: Peru (abril), Colômbia (maio) e Brasil (outubro).

A famigerada reunião do “escudo das Américas” é mais uma demonstração da necessidade da ampla unidade da esquerda, dos movimentos sociais, de governos independentes dos EUA e de todos os setores democráticos, mesmo que não oriundos diretamente das forças de esquerda, para lutar para frear a ofensiva de Trump contra a soberania da América Latina. Esta é, realmente, uma tarefa urgente e prioritária.


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