A Cúpula Escudo das Américas anuncia nova coalizão militar no continente
Publicado em: 10 de março de 2026
Trump recebeu no sábado, 7 de março de 2026, em Miami, Flórida, os líderes de 12 países da América Latina, em um encontro que a Casa Branca chamou de “Shield of the Americas Summit” (Cúpula do Escudo das Américas). Participaram os presidentes da Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Honduras e República Dominicana. A convocação foi dirigida exclusivamente aos mandatários da região de direita ou extrema direita, afins ao presidente norte-americano e sua ideologia fascista.
Trump proferiu um discurso de abertura e assinou um documento para impulsionar uma “nova coalizão militar” contra o crime organizado. Concretamente, os Estados Unidos buscam com esses países “um compromisso para usar a força militar, para destruir esses cartéis e suas redes terroristas”, disse o presidente norte-americano.
O objetivo é claro: fortalecer a cooperação regional contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional: coordenar inteligência, treinamento das forças armadas pelos EUA, operações conjuntas e confisco de ativos criminosos. A iniciativa busca tratar os cartéis como uma ameaça regional comparável a outros desafios de segurança internacional. “Assim como erradicamos o ISIS no Oriente Médio, temos que erradicar os cartéis aqui”, afirmou Trump.
A estratégia reflete uma mudança de enfoque, uma nova arquitetura de segurança para o Hemisfério Ocidental. Durante décadas, a luta contra o narcotráfico baseou-se principalmente em ferramentas policiais e judiciais. Agora, os Estados Unidos propõem incluir uma maior participação de suas forças armadas, com presença em solos de países latino-americanos e a coordenação da segurança entre países aliados (por exemplo, para a luta contra imigração regional).
>> Leia também: “Escudo das Américas”: Trump aprofunda a ameaça a soberania latino-americana
A iniciativa também tem outro objetivo geopolítico importante: a Casa Branca está disposta a fazer tudo o que for possível para conter a presença econômica da China na região.
De acordo com dados publicados em um artigo do sociólogo brasileiro Mario Hernadez, “em 2024, o comércio bilateral da China com a América Latina ultrapassou US$ 500 bilhões, aproximadamente 35 vezes o nível de 2001. A China já ultrapassou os Estados Unidos como principal parceiro econômico em países-chave como Chile, Peru e Uruguai. O Brasil envia cerca de 28% de suas exportações para a China, em comparação com aproximadamente 13% para os Estados Unidos. O investimento da China na América Latina, estimado em cerca de US$ 650 bilhões, está se aproximando do total dos Estados Unidos, de aproximadamente US$ 1 trilhão”.
O presidente Trump advertiu que “não permitirá influência estrangeira” na América como parte de sua nova doutrina, “incluindo o Canal do Panamá”.
Panamá pressionado pelos Estados Unidos e pela China
No final de janeiro, a Suprema Corte de Justiça do Panamá manteve a decisão que anulou o contrato com a Panama Ports Company, que durante 28 anos operou dois portos em ambas as extremidades do Canal com grande parte do capital chinês.
O governo chinês havia contestado a sentença que anulou o contrato. Pequim afirmando que o governo do país caribenho “pagará um alto preço político e econômico” se não mudar de postura. Os interesses da China na estratégica via fluvial, por onde transitam anualmente cerca de 40% de todo o tráfego de contêineres dos Estados Unidos, são um dos pontos-chave na intenção de Trump de expulsar as potências rivais da região.
Bolívia elogia modelo de segurança de Bukele
Por sua vez, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em seu encontro bilateral com Nayib Bukele durante a Cúpula, destacou o modelo de segurança implementado em El Salvador e ressaltou que é uma referência necessária para os desafios que a Bolívia enfrenta. “Uma prioridade da agenda boliviana é a segurança, ponto de partida para tudo e, acima de tudo, a segurança prisional”. Por trás desse discurso, perfilam-se novas medidas de segurança e repressão na Bolívia, para perseguir ex-líderes populares e capturar Evo Morales, com o apoio de seus aliados da “nova coalizão militar”.
Depois de perseguir migrantes com o ICE, K. Noem é premiada
Apenas alguns dias após sua demissão como Secretária do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem foi premiada como Enviada especial para o Escudo das Américas. Ela afirmou que o mandato de sua nova função é destruir os cartéis e manter os adversários fora do hemisfério ocidental.
“Nossos objetivos serão destruir os cartéis, perseguir esses narcoterroristas que estão destruindo nosso povo, matando nossos filhos e netos. Também vamos manter à distância nossos adversários, aqueles adversários que desejam mudar nosso modo de vida e nossos valores que estão fora do nosso hemisfério”, declarou Noem na Cúpula realizada em Doral, Flórida.
Concretamente, trata-se da criação de um bloco político regional, subordinado a Washington e aos seus interesses, pondo em perigo as soberanias nacionais através de uma intervenção direta ou indireta dos EUA nos assuntos internos e/ou nos processos eleitorais. Diante disso, é mais do que nunca necessário fortalecer a unidade da esquerda e de todos os setores democráticos para enfrentar esta nova ofensiva imperialista.
Referência
https://bolpress.com/2026/03/08/mal-chiste-de-trump-se-trago-la-cumbre-escudo-de-las-americas/
https://cnnespanol.cnn.com/eeuu/live-news/noticias-cumbre-escudo-americas-en-vivo-orix
https://hoy.com.do/el-pais/3-acuerdos-clave-dejo-cumbre-escudo-americas_1078953.html
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