Defender Cuba é defender a América Latina
Publicado em: 25 de fevereiro de 2026
A sanha colonialista, militar e assassina de Trump parece não ter limites. Após sequestrar o presidente e a primeira-dama de uma nação soberana, ameaçar a Groenlândia e iniciar uma nova operação militar contra o Irã, o fascista que ocupa a Casa Branca agora dirige suas garras contra Cuba — uma ilha de 10 milhões de habitantes que não ameaça ninguém, não possui bombas nucleares, não promove atividades terroristas, não produz nem trafica drogas e apenas deseja soberania.
A situação atual
A realidade de Cuba é dramática. Nas últimas semanas, Trump intensificou o cerco que já dura 64 anos (desde 1962). Há um bloqueio energético, comercial e financeiro total contra a ilha, o que mergulhou o país em uma grave crise econômica, social e humanitária. Ocorrem cortes de energia diários de até 18 horas; faltam remédios e a inflação disparou. O turismo, uma das principais fontes de renda, foi gravemente afetado, com várias companhias aéreas suspendendo ou reduzindo drasticamente suas operações. Países como o México ainda mantêm linhas de ajuda com petróleo e insumos, mas em volume muito inferior ao necessário para a manutenção da vida cotidiana. Além de atacar a ilha, Trump ameaça sancionar nações que insistirem em manter relações com Cuba.
Não se trata de uma “crise de gestão”, nem de mais uma “prova” de que o socialismo fracassou, como alardeia a direita há seis décadas. Trata-se, sim, das chamadas “243 medidas de Trump”: uma operação colonialista deliberada para esmagar a ilha, forçar concessões econômicas a empresas norte-americanas e, se possível, derrubar o regime para instaurar um governo fantoche aliado a Washington. O próprio Trump já admitiu o crime humanitário. Em entrevista concedida em 16 de fevereiro, a bordo do avião presidencial, afirmou: “Cuba tem que fazer um acordo porque é uma ameaça humanitária. Enquanto isso, há um embargo. Sem petróleo, sem dinheiro, sem nada”.
Seis décadas de embargo e ataques
O embargo a Cuba sempre teve motivação colonialista. Desde o “democrata” John F. Kennedy, os Estados Unidos não aceitam que um país decida seus próprios rumos. Contudo, os cubanos souberam resistir e prosperar. De um “bordel de luxo” para milionários norte-americanos, a ilha tornou-se um país com uma das medicinas mais avançadas do planeta, com conquistas extraordinárias em áreas como oncologia, tratamento de queimados, descontaminação radioativa e o combate à Covid-19.
Cuba erradicou a transmissão vertical (de mãe para filho) do vírus HIV muito antes do Brasil e eliminou a desnutrição infantil. Mesmo sob condições severas, forma de 10 mil a 12 mil profissionais de saúde por ano (um para cada 833 habitantes). Isso permite ao país ser um importante exportador de serviços médicos, como o Brasil testemunhou através do programa “Mais Médicos”. Como reconheceu o economista Ricardo Amorim em declaração que viralizou: “Em Cuba, só três coisas funcionam: segurança, educação e saúde”. Ainda que fosse apenas isso, já seria um mérito colossal. A vida em Cuba após a revolução nunca foi o “inferno” pintado pela direita. Mesmo com todas carências e limites impostos pelo bloqueio maio longo da história moderna , o povo vive com cultura, esporte, literatura e lazer.
Por que agora?
A decisão de Trump de atacar a ilha agora não se deve à segurança nacional dos EUA, mas a uma estratégia geopolítica. Primeiro, Cuba segue sendo a prova de que é possível desenvolvimento sem subordinação aos Estados Unidos. Nesse sentido simbólico, Cuba é, de fato, uma “ameaça”.
Segundo, Trump aplica rigorosamente a “Doutrina Monroe” (rebatizada de “Doutrina Donroe”), que vê a América Latina como “quintal” estadunidense. Isso é crucial na disputa de hegemonia com a China, que avança no continente com investimentos em infraestrutura.
No campo econômico, Trump representa os chamados gusanos (“vermes”): a burguesia cubana expropriada em 1961, exilada em Miami, que conspira para retomar suas propriedades. O secretário de Estado, Marco Rubio, é filho de imigrantes que deixaram o país em 1956 — fugindo não de Castro, mas do ditador Fulgêncio Batista. Rubio tornou-se o porta-voz perfeito dessa nova ofensiva. Um ataque contra Cuba, nos moldes do que foi feito contra a Venezuela, abriria as portas do inferno na América Latina, elevando a ofensiva fascista a um novo patamar de golpes e desestabilizações.
O papel do Brasil e do Sul Global
Não podemos ser espectadores passivos. Notas diplomáticas e declarações protocolares não bastam. O governo Lula precisa agir, retribuindo a solidariedade que Cuba sempre prestou ao continente. O Brasil pode e deve romper o cerco enviando petróleo via Petrobras, além de alimentos e medicamentos. Não precisamos agir sozinhos: devemos somar esforços com México, Colômbia e Uruguai.
Através do BRICS, podemos romper o cerco financeiro e comercial, garantindo a chegada de produtos essenciais e colocando em prática a superação do monopólio do dólar no comércio mundial.
O papel dos movimentos sociais
É preciso intensificar a disputa ideológica para tornar politicamente insustentável um ataque a Cuba. A iniciativa mais urgente é a Flotilha Nuestra América, organizada por personalidades e movimentos mundiais para levar mantimentos e solidariedade à ilha, a exemplo do que foi feito em relação a Gaza. O objetivo é que a Flotilha chegue a Cuba em 21 de março. O PSOL deve estar na linha de frente desse esforço, com recursos, divulgação e participação militante.
Muita coisa está em jogo: não se trata apenas de uma pequena ilha que decidiu desafiar um gigante, mas do destino de todo um continente. O fascismo decidiu começar sua ofensiva contra nossos povos. Precisamos resistir. Mostrar a eles, como fez Bad Bunny no show do Super Bowl, que a América é muito maior do que os Estados Unidos. A América somos todos nós.
Mais lidas
psol
Mitos e verdades sobre a federação PSOL/Rede
editorial
Defender Cuba é defender a América Latina
colunistas
Sobre castas e classes sociais
brasil
A Folha não falha na defesa dos poderosos
brasil










Trump e Bolsonaro atacam o Brasil