Paralisação dos garis em Belo Horizonte escancara a precarização dos serviços públicos terceirizados


Publicado em: 19 de janeiro de 2026

Por Daniel Wardil de Belo Horizonte

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A paralisação dos trabalhadores da limpeza urbana de Belo Horizonte, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, não é um fato isolado nem um “transtorno pontual” para a cidade. Trata-se da explosão de um acúmulo de mais de cinco anos de precarização, negligência e desrespeito aos direitos básicos de uma categoria essencial para o funcionamento da capital mineira.
Os garis, coletores e motoristas da empresa Sistema, responsável pela coleta de lixo na cidade, cruzaram os braços desde as primeiras horas da manhã. Nenhum caminhão saiu para realizar a coleta. O motivo é claro: condições de trabalho degradantes, ausência de plano de saúde, caminhões sucateados, equipes reduzidas de forma ilegal e denúncias graves de não pagamento do FGTS.
Segundo os trabalhadores, a Prefeitura de Belo Horizonte repassa recursos para que cada caminhão opere com quatro coletores, mas a empresa sistematicamente reduz as equipes para apenas três, aumentando a sobrecarga física, o risco de acidentes e o adoecimento da categoria. Essa prática, além de ilegal, revela a lógica da terceirização: maximizar lucros às custas da saúde e da vida dos trabalhadores.
A paralisação também escancara a responsabilidade direta do poder público municipal. A Prefeitura não pode se esconder atrás do contrato com a empresa terceirizada. É ela quem contrata, paga e deveria fiscalizar. A precarização não acontece por acaso: ela é resultado de uma política consciente de terceirização dos serviços públicos, que fragiliza direitos, enfraquece a organização coletiva e transforma trabalhadores em peças descartáveis.
Não é aceitável que, em uma capital do porte de Belo Horizonte, trabalhadores essenciais à saúde pública estejam há anos sem plano de saúde, operando caminhões em más condições e convivendo com a insegurança do não recolhimento do FGTS. O lixo acumulado nas ruas é consequência direta do descaso institucional, não da luta legítima da categoria.
A paralisação dos garis deve ser vista como um chamado à solidariedade de classe. É fundamental que movimentos sociais, sindicatos, organizações populares e a população em geral se posicionem ao lado dos trabalhadores, exigindo que a Prefeitura de Belo Horizonte e a empresa Sistema atendam imediatamente às reivindicações.
Sem direitos, não há serviço público digno. Sem valorização dos trabalhadores, não há cidade que funcione. A luta dos garis é justa e precisa ser apoiada.

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