Movimentos populares lançam ‘Boletim Venezuela em Foco’ para combater desinformação após ataques dos EUA

Iniciativa liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em conjunto com partidos e entidades de esquerda busca oferecer narrativa contra-hegemônica diante do sequestro de Nicolás Maduro, realizado pelos Estados Unidos (EUA) no dia 3 de janeiro. Em resposta à escalada de tensões geopolíticas e à crescente guerra de informações, o MST, em parceria com a teleSur, a Assembleia Internacional dos Povos e o Brasil de Fato, anunciou o lançamento do “Boletim Venezuela em Foco”.


Publicado em: 9 de janeiro de 2026

Por Beatriz Drague Ramos / Brasil de Fato

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Por Beatriz Drague Ramos / Brasil de Fato

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Crédito: Lorenzo Santiago

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A iniciativa surge como um contraponto direto às narrativas da mídia hegemônica após o ataque dos EUA ao território venezuelano e o sequestro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

O projeto busca oferecer informações confiáveis e alinhadas à defesa da soberania latino-americana, combatendo o que as organizações classificam como um cenário de desinformação planejada que confunde a sociedade e legitima agressões imperialistas.

Para Janelson Ferreira, integrante da coordenação nacional do MST, a criação do boletim é uma necessidade estratégica diante do tratamento dado pela mídia tradicional ao país vizinho.

“A pauta da Venezuela é tratada de uma forma muito conservadora pela mídia hegemônica e pela mídia burguesa. Não há nenhuma margem para o conservadorismo e para o reacionarismo desta mídia, tratando Maduro sempre como um ditador e sempre dizendo que o povo não está na rua porque há violência institucional imposta pela revolução. São veículos que não têm nenhuma proximidade com o tema e que reagem somente a partir de um reacionarismo extremamente rebaixado. É esse tipo de notícia e de informação que majoritariamente chega ao Brasil e ao povo brasileiro”, afirma Ferreira.

Segundo ele, o boletim já conta com o apoio da Alba Movimentos e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com planos de expansão para as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

“O boletim surge a partir do entendimento de que a comunicação e o esforço de informação também são um flanco de disputa contra o imperialismo, de denúncia e de solidariedade à Venezuela”, conclui o militante.

O canal de comunicação, é uma ação fruto de um esforço de articulação em função da necessidade de solidariedade com a Venezuela, diz ele. “Principalmente nesse período, mas também em função de como a desinformação tem afetado o povo brasileiro no que diz respeito a essa pauta.”

Diante dos ataques dos Estados Unidos e do sequestro do presidente Maduro e da Célia Flores, o MST entendeu que esse era um espaço de disputa também a ser feito. “O boletim surge a partir do entendimento de que a comunicação e o esforço de informação também são um flanco de disputa contra o imperialismo, de denúncia e de solidariedade à Venezuela. Hoje nós contamos com a participação da Alba e do Barão de Itararé, que também estão juntos ajudando e contribuindo nesse esforço.”

Ferreira afirma ainda que os movimentos populares, incluindo o MST tem feito diariamente reuniões e articulações para expandir uma frente em defesa da Venezuela. “A ideia é que nos próximos dias outras organizações se envolvam e a gente passe a atuar em mais frentes de comunicação, porque entendemos que é uma tarefa ampla e que precisamos construir a unidade também nesse tipo de ação.”

Frente Emergencial de Solidariedade

Além da iniciativa comunicacional, uma articulação política de peso tomou forma no último domingo (4). Em uma reunião virtual que reuniu mais de 300 representantes de organizações como PT, PSOL, PCdoB, PSTU, CUT e UNE, foi decidida a criação de uma Frente Emergencial de Solidariedade à Venezuela.

A Frente, que terá um representante de cada entidade, iniciará suas atividades oficiais no dia 14 de janeiro. O grupo exige que os Três Poderes do Estado brasileiro se manifestem formalmente contra as ações dos EUA, classificadas como uma “violação brutal” do direito internacional.


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