Hugo Motta persegue sindicato na Paraíba
Publicado em: 27 de novembro de 2025
O embate entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e entidades sindicais da Paraíba ganhou novo capítulo após a Justiça Federal negar, nesta semana, o pedido do parlamentar para retirar das ruas outdoors críticos à chamada PEC da Blindagem. A decisão foi interpretada por representantes do movimento sindical como mais uma tentativa do deputado de intimidar organizações que fazem oposição à proposta.
Críticas em outdoors geram reação do deputado
Os outdoors, instalados em cidades como Campina Grande e Cajazeiras por sindicatos ligados ao setor da educação, traziam fotos dos deputados que votaram a favor da PEC e a frase: “Eles votaram SIM para proteger políticos que cometem crimes. O povo NÃO vai esquecer.”

Motta considerou as peças “difamatórias” e acionou a Advocacia da Câmara para pedir sua retirada imediata, além de solicitar punições e retratação pública por parte do SINTEFPB e de seu coordenador municipal de Campina Grande, José Araújo.
Justiça nega pedido e reforça direito à crítica
A 4ª Vara da Justiça Federal da PB, responsável pelo caso, rejeitou o pedido de urgência apresentado por Motta. Na decisão, destacou que agentes públicos estão mais sujeitos ao escrutínio social e a críticas de natureza política — ainda que contundentes ou exageradas.
A Justiça entendeu que os outdoors configuram manifestação legítima de opinião, principalmente em um contexto de debate sobre uma proposta de impacto nacional como a PEC da Blindagem.
Apesar disso, uma audiência de conciliação foi realizada, mas terminou sem acordo entre as partes. O processo segue em tramitação.
Sindicatos falam em perseguição
Para entidades como o SINTEFPB e o SINASEFE, a medida judicial movida por Motta representa uma tentativa clara de censura e de intimidação contra quem discorda de sua atuação no Congresso. As organizações afirmam que o deputado “persegue sindicatos” e utiliza a estrutura institucional para pressionar opositores.
Para Francisco Freitas, coordenador-geral do Sintef-PB e do SINASEFE Nacional, a ofensiva judicial de Hugo Motta contra os outdoors é mais um indício do que ele chama de “ambiente político de intimidação”, criado em torno da PEC da Blindagem. Na avaliação do dirigente, quando um parlamentar com forte peso institucional reage a críticas públicas acionando a Justiça, o gesto ultrapassa o campo jurídico e se torna uma tentativa de restringir o debate democrático — especialmente quando esse debate questiona medidas que, segundo movimentos sociais, reduzem a transparência e ampliam proteções a políticos.
Freitas afirma que o episódio expôs a disputa entre dois projetos: o que busca reforçar salvaguardas para parlamentares e o que defende uma sociedade capaz de fiscalizar seus representantes sem medo de retaliação. Para ele, a decisão da Justiça contrariando Motta é um sinal importante de que a liberdade de expressão permanece como ferramenta essencial de controle social, num momento em que cresce a pressão para limitar críticas vindas de sindicatos e organizações da sociedade civis.
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