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Presidente Lula, assuma a luta por vida além do trabalho!


Publicado em: 3 de abril de 2025

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Matheus Hein, de Porto Alegre (RS)

Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Enfrentamos um período sombrio no mundo todo. A extrema-direita encontra-se em plena ascensão na grande maioria dos países e no Brasil, apesar da vitória de Lula em 2022 e a possível prisão de Bolsonaro e dos outros golpistas, fazendo com que sigamos enfrentando os perigos do bolsonarismo. Em meio a este cenário, irrompe a luta contra a escala 6×1. Encabeçada pelo movimento Vida Além do Trabalho e pelas lideranças parlamentares Rick Azevedo e Erika Hilton, a pauta ganhou o debate público no ano passado e segue em evidência com a PEC que foi protocolada.  A resistência popular contra a jornada 6×1 – que impõe apenas um dia de descanso para seis de trabalho – demonstra que os trabalhadores brasileiros exigem viver e não só sobreviver. Para milhões de trabalhadores, um único dia de folga não permite descansar nem conviver com suas famílias. Estudos demonstram que trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas têm índices mais altos de depressão, problemas cardíacos e afastamentos médicos. Não se trata apenas de economia, mas de saúde e dignidade. O governo Lula tem uma oportunidade ímpar de fortalecer uma luta popular com grande adesão entre o povo, o que reforçaria seu compromisso de ser um governo popular.

A popularidade da pauta contra a 6×1

Não é por mero acaso que 64% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1: grande parte da população trabalha nessa escala ou tem amigos e familiares que trabalham. Ou seja, conhecem na pele e através das pessoas que amam os abusos, o adoecimento e a exploração envolvida nessa jornada de trabalho.Também não é por mero acaso que os defensores da 6×1 não argumentam que a escala é boa para quem está submetido a ela ou que trabalhar em regimes intensos é benéfico para o trabalhador. Não, o argumento dos defensores da exploração é de que se a escala 6×1 acabar a economia será arrasada. Todo alicerce da sua defesa é a ideia de que a 6×1 é fundamental para a economia brasileira e, sem ela, por mais que seja uma escala com seus sacrifícios, viveríamos um caos econômico.  A realidade, entretanto, é que diversos estudos demonstram como a escala 6×1 é um freio econômico que privilegia uma pequena camada de empresários. Mais do que isto, os estudos mais avançados sobre o Mundo do Trabalho demonstram que jornadas de trabalho reduzidas melhoram o desempenho, a satisfação com o emprego e os resultados das empresas.

Atualmente o governo Lula amarga um índice de desaprovação que, pela primeira vez no seu terceiro governo, supera o de aprovação. O governo dedica grande esforço em manter os gastos apertados e bons números — o problema é que o povo não come números e não pode seguir apertando sua vida. Se a economia brasileira vai bem, mas pelo prisma dos empresários, essa qualidade fica apenas no abstrato. O povo precisa de melhorias reais, que sinta no seu dia a dia, que impacte sua vida. O programa que foi eleito em 2022 prevê isso, defende investimento público e ganhos reais aos trabalhadores, assim como um fortalecimento da economia que resulte em melhoria de vida à população. Diante da drástica queda no apoio popular, caberia ao governo Lula assumir uma bandeira que representasse o programa eleito e garantisse melhoria real na situação econômica brasileira. Qual melhor oportunidade de garantir uma vitória em ambas dimensões do que acabando com a escala 6×1.

O compromisso com os trabalhadores

Aplicar um programa social progressista e popular exige mexer na estrutura do trabalho no Brasil. Somos um país com raízes profundas no trabalho escravizado, não reconhecido e explorado. A nossa formação social gerou relações de trabalho opressoras que submetem os trabalhadores a regimes abusivos. Isto, combinado com a crise multidimensional que o mundo vive, nos coloca em uma situação na qual para que muitos ganhem o mínimo de dignidade é preciso que alguns poucos sejam contrariados. Para que a imensa maioria da população brasileira ganhe é preciso que alguns poucos empresários que comandam os setores que mais aplicam a 6×1 sejam combatidos na sua mentalidade escravocrata e elitista.

Ao assumir essa bandeira, o governo Lula pode fortalecer sua base social e reverter a desaprovação que começa a crescer. Mais do que um gesto simbólico, seria uma demonstração concreta de que o governo está disposto a transformar a realidade dos trabalhadores. Um governo que queira demonstrar o seu compromisso com os trabalhadores deve denunciar o quão retrógrada é a escala 6×1 e lutar para que ela acabe. Estamos falando de uma pauta que garantiria, ao mesmo tempo, criação de novos empregos, aquecimento da economia e aumento na qualidade de vida de milhões de trabalhadores brasileiros. Não se trata de um debate apenas sobre essa escala, mas um acerto estratégico: uma opção que valoriza os interesses da classe trabalhadora, apoia-se na sua base como aliado prioritário, rompe com privilégios históricos e constroi uma economia que cresce a partir do povo, e não às suas custas.

O problema não é só a comunicação: melhorar a economia com progresso aos trabalhadores

O governo Lula enfrenta críticas recorrentes sobre sua comunicação, com analistas apontando que a desaprovação crescente decorre da dificuldade em explicar suas políticas ao povo. Para as massas de trabalhadores a melhoria econômica precisa ser sentida na prática e o fim da escala 6×1 é uma forma direta de transformar crescimento econômico em qualidade de vida.

A economia pode estar crescendo nos indicadores macroeconômicos, mas o trabalhador não mede sua vida pelo PIB. Ele mede pelo salário no fim do mês, pelo tempo que tem para descansar e cuidar da família, pela qualidade do transporte público que pega diariamente e pela tranquilidade de saber que pode pagar as contas sem abrir mão do básico. Nenhuma campanha de comunicação pode convencer um trabalhador de que sua vida melhorou se ele continua exausto, com apenas um dia de descanso para cada seis trabalhados e com o dinheiro apertando no final do mês.

Acabar com a escala 6×1 teria um impacto muito positivo nos dois principais problemas que o governo está enfrentando: a) garantir ganhos sociais com fortalecimento econômico; b) fortalecer seu apoio popular. Acabar com a escala 6×1 é uma política que teria um impacto imediato na geração de empregos, já que se as empresas precisam de sete dias de funcionamento, mas os trabalhadores passam a ter mais folgas, a consequência natural é a necessidade de contratar mais gente para manter as atividades. Isso significa uma forte queda no desemprego, milhões de trabalhadores com mais tempo e renda e um mercado interno mais aquecido.

O governo Lula tem uma escolha clara: pode continuar defendendo um crescimento econômico preso aos gráficos e refém das chantagens do mítico “mercado” ou pode garantir que esse crescimento se traduza em melhorias reais para o povo. Apostar no fim da escala 6×1 não é apenas um gesto popular; é uma medida econômica inteligente e estratégica, capaz de impulsionar o desenvolvimento nacional considerando os trabalhadores como parte real do processo. Agora é a hora de transformar discurso em ação e mostrar que a economia não pode ser medida pelos apelos do mercado, mas pela qualidade de vida dos trabalhadores que a sustentam.

Presidente Lula, assuma a luta por vida além do trabalho!

Matheus Hein é militante do VAT e da Resistência-PSOL no Rio Grande do Sul

 

 

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