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O luto ao perder um companheiro de trincheira
Publicado em: 27 de março de 2025
Nós, militantes que nos organizamos e dedicamos nossa vida à causa socialista, já enfrentamos perdas. Amigos, dirigentes, militantes de organizações. Podemos dizer que todos nós, ao longo de nossas vidas, perdemos pessoas, e um dia, também partiremos. O luto, seja pela perda de um familiar ou de alguém próximo, sempre é difícil. Saber que não poderemos mais ver aquela pessoa ou dividir os mesmos espaços é doloroso .Na causa que militamos, perder um de nossos companheiros tem um significado profundo. Primeiro, porque aquela pessoa faz parte da nossa vida, e não se trata de um culto ou de personificação, mas sim do fato de que cada camarada tem importância sentimental e organizacional. Segundo, como sempre ouvimos dizer, uma organização é feita de pessoas de carne e osso, que explicam nossos erros e acertos. Ou seja, somos pessoas de carne e osso que fazemos a organização acontecer com as nossas tarefas, embates, balanços e polêmicas.
Essa pessoa, seja um dirigente, um quadro importante ou um militante de base, possui qualidades e virtudes essenciais para a vida de uma organização. Quando perdemos um companheiro, não sentimos isso de forma individual, mas de forma coletiva. Somos conectados por uma causa, por princípios, por uma estratégia. Perder um é como perder todos! É inevitável. Já ouvi dizer que é fácil conseguir um militante, mas é muito mais difícil formar um quadro ou dirigente. Um quadro ou dirigente é aquele que consegue organizar, mobilizar e potencializar uma organização.
De fato, muitos militantes estão em estágios de desenvolvimento diferentes. Alguns se forjam rapidamente, enquanto outros levam anos para atingir esse nível. Por isso, quando perdemos um deles, perdemos algo de imenso valor. Não é sempre que encontramos um Lenin na esquina, assim como também não encontramos facilmente um Trotsky, um Moreno ou um Catatau. E, mais uma vez, friso: não se trata de personificação. Eu poderia citar muitos outros, mas é inegável que cada um tem capacidades difíceis de serem construídas do dia para a noite. Cada companheiro que perdemos tem uma história, uma capilaridade orgânica, seja para dirigir um organismo, elaborar uma política, analisar a conjuntura ou escrever uma circular.
Quando perdemos alguém de forma abrupta, significa que precisamos nos reinventar da mesma forma que tivemos que nos reinventar ao perder essa pessoa. Às vezes, essa recuperação é rápida, outras vezes pode levar anos para ser reparada, ou, em alguns casos, podemos perder tudo aquilo já construído. Por isso, cada um de nós é importante. Sabemos que não somos eternos e que nossas forças um dia irão se esgotar. Outras pessoas virão, novos quadros surgirão, mas precisamos saber que essa ruptura, quando ocorre de forma abrupta, causa impacto.
É importante que todos nós, que dedicamos nossa vida a uma causa, nos preocupemos com nossa saúde e segurança física, que tenhamos preocupação com nosso corpo e nossa mente. Nossa vida é muito valiosa. Ela é única, e, para aquilo que buscamos, precisamos viver. Muitos já foram abatidos, muitos não tiveram a oportunidade de ver os triunfos, muitos se foram antes da colheita. O que devemos buscar é não antecipar esse processo de vida e de expectativa.
Não somos eternos, mas nossos legados podem ser. Seja nos textos que produzimos, nos organismos que ajudamos a construir, nos militantes que captamos e formamos. A particularidade de cada um de nós estará em outro camarada. O nosso legado fica nas organizações que forjamos, nas causas que lutamos, nas batalhas que travamos. Como dizia Trotsky: “A vida é bela. Que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda a opressão, de toda a violência, e possam gozá-la plenamente.”
Que possamos deixar um legado para as gerações futuras! Viva o legado daqueles que lutaram pelo socialismo. Quando a revolução vier, todos serão lembrados!
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