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Colunas

Relato 22: “A desinformação está dificultando o acesso ao cuidado no RS”

Que Loucura!

Coluna antimanicomial, antiproibicionista, abolicionista penal e anticapitalista. Esse espaço se propõe a receber relatos de pessoas que têm ou já tiveram alguma experiência com a loucura: 1) pessoas da classe trabalhadora (dos segmentos de pessoas usuárias, familiares, trabalhadoras, gestoras, estudantes, residentes, defensoras públicas, pesquisadoras) que já viveram a experiência da loucura, do sofrimento psicossocial, já foram atendidas ou deixaram de ser atendidas e/ou trabalham ou trabalharam em algum dispositivo de saúde e/ou assistência do SUS, de entidades privadas ou do terceiro setor; 2) pessoas egressas do sistema prisional; 3) pessoas sobreviventes de manicômios, como comunidades terapêuticas e hospitais psiquiátricos, e outras instituições asilares; 4) pessoas do controle social; 5) pessoas da sociedade civil organizada, movimentos sociais Antimanicomiais, Antiproibicionistas, Abolicionistas Penais, Antirracistas, AntiLGBTFóbicos, Anticapitalistas e Feministas. Temos como princípio o fim de tudo que aprisiona e tutela e lutamos por uma sociedade sem manicômios, sem comunidades terapêuticas e sem prisões!

COLUNISTAS

Monica Vasconcellos Cruvinel – Mulher, latinoamericana, feminista, escrivinhadora, mãe, usuária da RAPS, militante da Resistência-Campinas, da Luta Antimanicomial pela Coletiva Livre Nacional de Mulheres e Saúde Mental Antimanicomial (CLNMSMA) e Conselheira Municipal de Saúde;

Laura Fusaro Camey – Militante da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA);

Andréa Santos Miron – Mulher, feminista, apaixonada pelo Sistema Único de Saúde, por fazer trilhas e astronôma amadora; Assistente Social de formação pela Universidade Federal de São Paulo, pós-graduada em Saúde Pública, Saúde Mental e Psiquiatria; Militante pela Resistência / Psol – Mauá/SP, pela Coletiva Livre Nacional de Mulheres e Saúde Mental Antimanicomial, pelo Fórum Paulista da Luta da Luta Antimanicomial e Movimento Nacional da Luta Antimanicomial.

Se você quer compartilhar o seu relato conosco, escreva para [email protected]. O relato pode ser anônimo.

Roque JR é escritor e editor de mais de 65 livros e editor desde 1994, usuário da Saúde Mental no SUS, atleta de provas de Corridas de Rua, cursou metade dos cursos de Sociologia e História na UCS-RS, participa há mais de cinco anos na RENILA – Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, participei por cinco anos no FGSM.

Doação para usuáries da saúde mental.

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Eu queria, primeiramente, dizer que vivemos um momento bem complexo na Saúde Mental aqui no Rio Grande do Sul, devido à catástrofe da enchente em nosso estado. Há muitos setores tentando auxiliar nessa questão, o Conselho Regional de Psicologia, em especial, está com várias LIVEs, várias estratégias para tentar formar os psicólogos que estão na linha de frente, auxiliando diretamente as pessoas em sofrimento mental. 

Chamo atenção para a questão da desinformação que está dificultando muito o acesso ao cuidado aqui nesse momento. Para vocês terem uma ideia, eu fiquei um sábado, das 16:40 às 20:00, buscando o contato de uma senhora de 85 anos, que estava, de acordo com uma informação, em um determinado alojamento sem familiares. Diziam que ela estava com alguns problemas, que estava confusa. Pela minha experiência, eu cheguei a achar que o nome dela não era o que estava sendo divulgado, tampouco a idade. Então eu fiquei tentando descobrir onde ela estava. A informação era que ela era do interior e que, naquele momento, ela estava abrigada em uma escola particular da região metropolitana, só que ninguém tinha o contato dela, não tinha onde a encontrar. Eu tentei encontrá-la com vários conhecidos da região metropolitana e confesso que estressei bastante com isso. Tentei com diversos grupos de psicologia que participo, acionei vários grupos de whatsapp da saúde mental. Mas por ser sábado e ser escola particular não tivemos retorno. Às 20 horas eu consegui, num grupo político, a informação de que conheciam a senhora e que já tinha mais de um dia que a senhora tinha sido unida aos seus familiares e ido para outro local. A gente tenta ajudar, mas perde tempo com fake news e informações desatualizadas, tempo que poderíamos estar tentando ajudar outras pessoas. Pensa minha preocupação: uma pessoa idosa, longe de seus familiares, pode até ter um surto, foi isso que eu pensei, foi por isso que me dediquei ao máximo para dar esse apoio. 

As fake news são inadmissíveis, tantas pessoas de todos os estados acabam caindo e desmobilizando. O governo federal tem investido tanto, os correios já nos entregaram mais de 1 milhão e 400 mil de doações, as forças de segurança estão em peso, mas tem notícia falsa circulando diminuindo o que está sendo feito ou até falando que não tem sido feito nada. Aqui na minha cidade, o prefeito de Farroupilha fez aquela baboseira de falar uma fake news que virou notícia nacional. Isso é muito triste, pior que ele conseguiu o que queria: mídia. 

Quero agradecer a todes que estão ajudando. Eu me considero uma pessoa que está aqui ajudando, não na linha de frente, com pé no barro, mas virtualmente da melhor maneira que eu posso. Queria agradecer de coração a todo Brasil que está nos ajudando. 

Por fim divulgo aqui a ação União pela Saúde Mental Gaúcha, lançada pelo CENAT (Centro Educacional Novas Abordagens Terapêuticas), para que, juntos, possamos oferecer apoio às usuárias e usuários de projetos e serviços de saúde mental, afetados pelas chuvas na região, especialmente em Porto Alegre e no interior do RS.

Sobre a iniciativa: Sabemos a urgência da reconstrução não só material, mas também da vida de cada uma das pessoas afetadas. Pensando nisso, nossa equipe estruturou uma ação de arrecadação, na qual todo valor arrecadado será destinado à compra de materiais de limpeza, higiene, eletrodomésticos, móveis etc. 

Será realizado um mapeamento de necessidades dos/as usuários/as parceiros/as como: GeraçãoPoa, Associação Construção, entre outros serviços que virão através do diagnóstico de cada dispositivo.