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BRASIL

Jovens negros e periféricos são autuados em Londrina-PR no sábado de Carnaval

Ângela Silva, de Londrina (PR)

A pequena e provinciana Londrina mais uma vez mostra sua cara. Carnaval dia de festa e alegria, não na cidade de Londrina, onde a GM atuou e impediu jovens negros e periféricos de ocupar as ruas. Primeiro dia de Carnaval as ruas impedidas de agitar alegria por uma lei excludente e racista. A Lei Seca nº 12.744/2018, que proíbe o consumo de bebidas alcóolicas nas ruas entre 22h e 6h, é uma forma de Apartheide, pois, proíbe acesso de jovens pobres de usufruir das ruas públicas após as 22h. Londrina, cidade que nasceu do extermínio dos povos indígenas e da mão de obra preta, continua mostrando sua cara ao banir a juventude das ruas. Vale ressaltar que a Lei Seca só vale para os jovens pobres, pois as abordagens acontecem em pontos específicos da cidade, principalmente aqueles ocupados por jovens trabalhadores, motoboy que após finalizar seu dia de trabalho não podem frequentar espaços da elite londrinense.

Por isso, preferem bares mais populares. Voltando ao dia de ontem 10/02/2024, a GM chegou com mais de 7 viaturas para enquadrar jovens que estavam sentados na rua conversando. A Doutoranda Ângela Silva, que pesquisa racismo estrutural foi autuada por filmar a abordagem. No vídeo ela aparece questionando a GM sobre o porquê de estar sendo autuada, mas não obteve resposta. O racismo estrutural se materializa em ações abusivas como na noite desse sábado (10/02), onde pessoas são proibidas de acessar os espaços públicos. Em outro vídeo o GM mostra uma garrafa de bebida, e pede para a pesquisadora gravar. Fica a pergunta uma garrafa de bebida encontra no chão é o suficiente para constranger e abordar jovens? Por que essas ações acontecem em lugares específicos?

Até quando Londrina seguirá impedindo os jovens trabalhadores de ocupar as ruas? Até quando essa lei racista e excludente vai continuar? O racismo estrutural age de forma violenta nessa cidade, impedindo cidadãos de ocupar os espaços públicos. Os jovens e toda a população negra, pobre e periférica merecem o mesmo respeito da elite branca. Racismo mata!

Ângela Silva é doutoranda em Educação pela Universidade de Londrina e professora da Rede Municipal de Londrina.