A Lei 10.639/03: 20 anos depois seguimos lutando pela sua implementação


Publicado em: 22 de novembro de 2023

Martina Gomes, de Santo André (SP)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Martina Gomes, de Santo André (SP)

Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Compartilhe:
Ouça a Notícia:

A lei alterou as diretrizes e bases da educação nacional para a inclusão obrigatória do ensino da história e cultura afro-brasileira na rede pública e particular de ensino fundamental e médio.  A LDB é a “lei maior” que versa sobre os princípios da educação em nosso país, sua promulgação é de 1994 e desde lá ela sofre inclusões e mudanças se adequando a realidade. 

A LEI 10639: obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira foi uma conquista do movimento negro brasileiro. A existência desta lei é a materialização que durante séculos a “história oficial” silenciou sobre a maior parte da população brasileira, negros e negras. 

Infelizmente, vinte anos depois a lei não tem a sua implementação nas escolas e estabelecimentos de ensino, segundo pesquisa do Geledés em abril de 2023,  29% das secretarias têm ações consistentes e perenes de atendimento à legislação; 53% fazem atividades esporádicas, projetos isolados ou em datas comemorativas, como no Dia da Consciência Negra (20 de novembro); e 18% não realizam nenhum tipo de ação. As secretarias que não adotam nenhuma ou poucas ações, juntas, somam 71%. 

O principal motivo alegado para a não execução da lei pelas secretarias municipais é a falta de formação sobre o tema. Se formos mais a fundo, a implementação da lei na sua totalidade exige que tenhamos o protagonismo de uma intelectualidade negra que produz cada vez textos, livros e arsenal teórico para munir uma prática radicalmente antirracista.

Isso exige a alteração dos órgão educacionais que pensam a formação básica em nosso país, será na literatura infantil e infanto-juvenil (pnld), mas também nas ciências humanas, biológicas, sociais, na língua portuguesa. Racializar os currículos brasileiros, é romper com o epistemicídio secular, que nega a existência da população negra.

Fonte: Geledés Instituto da Mulher Negra

Contribua com a Esquerda Online

Faça a sua contribuição