Pular para o conteúdo
BRASIL

Em assembleia histórica, rodoviários de Recife dão recado para a Urbana-PE e Governo Raquel Lyra (PSDB): “a greve continua!”

Terceiro dia de greve se encerra com episódio de violência contra presidente do sindicato, assembleia massiva na sede da entidade e forte simpatia da população recifense

Bruno Rodrigues, de Recife (PE)
Tatyshh/STTREPE

Na tarde desta sexta-feira os rodoviários de Recife realizaram uma das maiores assembleias da história da categoria. Foram mais de 600 trabalhadores que compareceram à sede do sindicato, no terceiro dia de uma dura resistência que vem sendo travada contra a arrogância da Urbana-PE e a omissão do governo tucano de Raquel Lyra (PSDB).

A assembleia desta sexta também foi uma categórica medição de força e disposição dos trabalhadores, que têm sofrido todo tipo de assédio, chantagem, violência e desrespeito por parte dos donos de empresas ao longo dos últimos dias, como recusa em atender as reivindicações da categoria.

A assembleia foi, principalmente, uma demonstração de espírito de luta coletiva e de solidariedade ao presidente do sindicato, o companheiro Aldo Lima, que na madrugada do mesmo dia foi detido por um comando policial e conduzido a uma delegacia, quando tentava conversar com trabalhadores da empresa Pedrosa, no bairro Nova Descoberta.

Detenção de Aldo Lima foi um tiro no próprio pé 

Ainda de madrugada as imagens da violência sofrida por Aldo se espalharam pelas redes sociais e circularam na grande imprensa como um verdadeiro rastilho de pólvora, gerando muita indignação na população em geral.

Foto: Bruno Rodrigues/Portal Esquerda Online

Em pouco tempo o nome de Aldo Lima passou a ser o mais falado em toda a cidade. 

Não tinha como ser diferente. As imagens da violência sofrida por Aldo simbolizam de forma indiscutível a indisposição dos patrões em ceder as pautas reivindicadas pela categoria. 

O tiro no pé que governo e empresários deram foi tão grande que a detenção de Aldo nem durou muito tempo. Não mais que 5 horas depois Aldo estava sendo liberado, sendo recebido pelo advogado do sindicato, diretores e pela sua mãe. 

Depois da detenção de Aldo Lima, Raquel Lyra finalmente se pronuncia

Ainda na manhã desta sexta, quando o tema da detenção de Aldo já era o fato mais comentado na cidade, a governadora Raquel Lyra resolveu quebrar o silêncio que vinha mantendo a respeito da greve e se pronunciar. Em um post no twitter, Lyra afirmou: “Nosso governo respeita o direito à greve e a luta dos trabalhadores. Já estamos apurando as circunstâncias da ação policial que deteve o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima. Acredito no diálogo como o melhor caminho para negociação. Sempre.”

Tatyshh/STTREPE

A exigência que o sindicato vem fazendo, já há algumas semanas antes da greve, diga-se de passagem, é justamente de que o governo do estado atue no sentido de fazer com que a Urbana-PE negocie. Nesse sentido, depois da assembleia de sexta a categoria saiu em passeata até a sede do governo, onde uma comissão composta por diretores do sindicato, trabalhadores de base e pela deputada Dani Portela-PSOL (foto )entrou para apresentar a exigência de que o governo do estado intervenha junto aos empresários.

Contudo, segundo o próprio sindicato nos informou, nenhuma iniciativa por parte do governo foi tomada.

Ministério Público do Trabalho-MPT também se pronuncia

A truculência contra Aldo Lima também fez com que o MPT se pronunciasse. O órgão, que já vem acompanhando a greve e participado da última negociação no TRT6, emitiu uma importante declaração condenando a utilização de práticas antissindicais: Os movimentos paredistas vêm enfrentando episódios judiciais e/ou policiais que ainda revelam o quanto a greve resplandece estigmatizada como um delito até os dias atuais. Em outros termos, passados mais de um século, resta claro que a mudança das normas não necessariamente implica no rompimento com uma cultura que insiste em olhar de forma marginalizante para os movimentos sociais, seus membros e dirigentes”

Vale dizer que a detenção de Aldo foi apenas uma das medidas usadas contra a greve. No mesmo dia, na porta da garagem Vera Cruz, a companheira Arlene Januário, tesoureira do sindicato, também foi agredida pela polícia no exercício da atividade sindical. Na verdade, como denunciamos em artigo anterior, a Urbana-PE tem recorrido a todo tipo de medida para derrotar a greve. Além da ostensiva utilização da polícia dentro das garagens, como forma de assediar e intimidar os trabalhadores, os empresários têm recorrido à prática antissindical da utilização de fura-greves, através da contratação de trabalhadores avulsos, mediante o pagamento de diárias, para substituir os trabalhadores que aderem à greve.”

Além dessa declaração, o MPT também instaurou um Inquérito Civil (IC) com o objetivo de apurar todas as notícias a respeito da detenção de Aldo Lima na madrugada desta sexta-feira (28).

A greve continua, até a vitória

Foto: Bruno Rodrigues/Portal Esquerda Online

A assembleia de desta sexta-feira reafirmou a continuidade da greve. Uma decisão importante, mas que exigirá o máximo de mobilização de cada trabalhador ao longo desses dias, sobretudo para ganhar aqueles trabalhadores que seguem receosos e intimidados diante do assédio dentro das garagens.

E a orientação da direção do sindicato segue a mesma: nenhum trabalhador deve ir às garagens nesta segunda-feira (31).

Também nesta segunda haverá o julgamento do dissídio coletivo, na sede do TRT6, às 9h. Enquanto o dissídio será julgado, o sindicato está preparando um grande ato do lado de fora do tribunal.