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MOVIMENTO

Entenda a luta por contratações de professores na USP

Camila Seebregts do Afronte e do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire (FEUSP) e Camila Barreto do núcleo Afronte Letras USP

Há anos o problema de contratação dos professores afeta a qualidade do ensino e a permanência dos estudantes em diversos cursos da USP em todos os campi. A excelência acadêmica fica minada e a realidade dos estudantes é de turmas lotadas, fechamento de disciplinas importantes para a grade curricular e, muitas vezes, o atraso na finalização do curso. 

Muitas vezes, para tentar “tapar o buraco”, as unidades admitem professores qualificados por meio de contratos provisórios de seis meses com um salário muito inferior ao ideal para o sustento desses profissionais. Esse trabalho precarizado tem se tornado muito comum na Faculdade de Educação (FEUSP), por exemplo, numa tentativa de cobrir a demanda necessária para todas as disciplinas, tanto de Pedagogia como as das demais licenciaturas. 

Os estudantes, se articulando aos professores e funcionários, têm se mobilizado para dizer para a reitoria que não irão mais tolerar o descaso, o sucateamento e a precarização que tem imperado ao longo dos últimos anos. 

Na Letras 

No dia 10 de maio, a Letras amanheceu paralisada! Depois de se organizarem e chamarem assembleias para debater o tema do sucateamento, os estudantes decidiram paralisar o curso, exigindo a contratação imediata de mais docentes.

Habilitações correm o risco de fechar por falta de professores. São quase 5 mil estudantes no curso, entretanto, no último edital de “mérito acadêmico”, foram contratados apenas 2 professores, num cenário em que o déficit no quadro docente é de 114 e a previsão de contratação para os próximos 3 anos é de apenas 34 docentes.

A habilitação em alemão perdeu o único docente que oferecia a disciplina “Metodologia de Ensino de Alemão” na FEUSP! Os estudantes se uniram e criaram um abaixo-assinado reivindicando a contratação emergencial de um professor para a disciplina!

No mesmo dia, às 10h, os estudantes realizaram um ato da letras até a reitoria e, às 19h30, vai acontecer uma Aula Pública sobre a situação de sucateamento e desmonte do curso!

Na obstetrícia

O curso está ameaçado pela falta de professores! Tudo indica que, se a reitoria não contratar mais professores até semestre que vem, a Obstetrícia no campus leste pode fechar. As estudantes se somaram em peso na manifestação em frente a reitoria pedindo por políticas de permanência digna e continuam se movimentando com a ajuda de professores do curso. A Obstetrícia fica!

Na FEUSP

Na FEUSP a situação também é grave. O último informe dos Representantes Discentes é de que a falta de docentes poderia afetar a oferta de disciplinas obrigatórias e, em uma tentativa de evitar isso, a Comissão de Graduação (CG) diminuirá a quantidade de disciplinas optativas disponíveis para a Pedagogia para o próximo semestre deste ano. Ou seja, matérias que poderiam ser fundamentais na formação dos estudantes do curso, não estarão na grade de 2023. 

Além disso, como já mencionado, tem sido cada vez mais comum, a contratação de docentes provisórios. São professores com doutorado ou pós-doc, que recebem de 1 a 2,5 salários mínimos, e têm seu vínculo cortado com a Faculdade no final do semestre, às vezes sendo excluído do sistema como um todo, perdendo o contato com os estudantes e com a instituição. 

Queremos a contratação efetiva e imediata de mais professores para todos os cursos que precisam! Os estudantes não vão abrir mão do seu ensino e os professores devem ser valorizados!