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Orgulho e luta: 5 anos da auto-organização LGBTI+ no interior da Resistência

Lucas Brito, de Brasília (DF)
Reprodução

Há cinco anos, no congresso de unificação da nossa corrente, aprovávamos como um de nossos princípios a luta contra a LGBTIfobia. Esse importante marco principista esteve presente como um dos elos estratégicos que definiram a fusão das três organizações que deram origem à Resistência.

Para nós, a centralidade da luta contra as opressões diz respeito às nossas aspirações programáticas, estratégicas, sobre nossos princípios, também sobre elementos espirituais e filosóficos, de visão de mundo. Esse é o modo de encarar a construção da nossa organização que esteve presente em nossa fundação e segue dizendo sobre nós nos dias de hoje.

O ano de 2018 foi um dos mais difíceis das últimas duas décadas para o movimento e as pessoas LGBTI+ em nosso país. Vivíamos o prenúncio da ascensão do bolsonarismo. E fomos as LGBTI+ as primeiras a inalar o bafo podre do neofascismo se espalhando. A escalada de Bolsonaro em muito se deveu à sua política sexual orientada a provocar o pânico moral em nossa sociedade. Como o próprio agitador fascista um dia reconheceu, a homofobia alavancou nacionalmente a sua carreira. Tanto que uma das marcas da eleição de 2018 foi a fake news da mamadeira de piroka.

Parte da esquerda encarou essa estratégia do bolsonarismo como um exemplo de que os combates à LGBTIfobia, machismo e racismo estariam ganhando importância demais no programa e na agitação da esquerda. Tratando-as por pautas identitárias, alguns começaram a defender que para retomar a maioria na sociedade, esses temas teriam de ser secundarizados frente ao que “realmente importa”, a pauta econômica. A ofensiva conservadora da agitação fascista repercutiu em toda a sociedade, inclusive nos setores de esquerda. Seria ingenuidade acreditar que nós, uma pequena corrente revolucionária em construção, não seríamos, também, pressionadas por esse ambiente.

Historicamente, a esquerda tem sido a casa das LGBTI+. Foram em seus núcleos, plenárias, cursos e fileiras que organizamos muito dos nossos movimentos e iniciativas. Mas como todas nós sabemos, a casa para uma lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual, intersexo e demais orientações e identidades de gênero diversas, nem sempre é um lugar seguro de discriminações e violências. A relação das LGBTI+ com a esquerda tem sido de permanentes disputas, com avanços e retrocessos. Reivindicamos o legado da Revolução Russa, que acabou com a criminalização da homossexualidade no Código Penal soviético, em 1918, e que levou a classe trabalhadora a experimentar anos de revolução sexual na URSS. Mas acreditamos que a esquerda revolucionária em geral tem uma dívida com a luta das LGBTI+. Não somos herdeiros dos estados burocratizados e da forma como o stalinismo lidou com a questão sexual da classe trabalhadora.

Conscientes dessas dificuldades e de que não vivemos internamente em uma bolha, na Resistência nutrimos a concepção de que a batalha política contra a LGBTIfobia é do conjunto da organização, a começar pela sua direção. Ao mesmo tempo, estimulamos a auto-organização de camaradas LGBTI+, como forma de especializar o trabalho teórico, programático e política. Nacionalmente, nos reunimos na Equipe LGBTI+. Temos avançado no estudo teórico acerca do gênero e do sexo no capitalismo e da repressão sexual que atinge a todos na sociedade e que é importante para o processo de dominação capitalista de classe social.

Recentemente, deixamos de ser uma corrente sem representação parlamentar para alcançar 8 mandatos. Desses, 4 são dirigidos por quadros LGBTI+ nossos, motivo de grande orgulho para nós e expressão da importância da luta em defesa da diversidade para o nosso trabalho político.

Nesses 5 anos, reforçamos que, estrategicamente, não nos interessa a incorporação das pessoas LGBTI+ como cidadãs dessa sociedade capitalista falida em termos sociais, culturais, morais e sexuais. Nosso programa não se limita à equiparação de direitos. Acreditamos que a liberdade sexual da nossa classe e o fim da opressão de gênero e orientação sexual passam pela destruição da sociedade capitalista. Tampouco acreditamos – e a história nos mostra isso – que basta a luta por uma revolução econômico-social para a superação das opressões. O caminho é interseccionar as nossas lutas, desejos e capacidades de criação, para aspirarmos um mundo realmente livre econômica, social, cultural e sexualmente.