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EDITORIAL

Genivaldo, presente! Chega de mortes! O povo negro quer viver!

Editorial de 01 de junho de 2022
Genivaldo de Jesus Santos
Arquivo pessoal
“Azul e vermelho piscando pode ser sinal de perigo”
Sinal de alerta – Reação

Estamos em luto. Mais um irmão negro foi assassinado pelo Estado. Outra vez pelas mãos da violência policial. Dessa vez o genocídio da população negra fez como vítima o sergipano Genivaldo de Jesus, de 38 anos. Com requintes de crueldade, na frente de familiares e da população de Umbaúba (SE), policiais rodoviários federais transformaram a mala da viatura em uma câmara de gás e asfixiaram Genivaldo de forma brutal e desumana. Nesse momento nos solidarizamos à família e clamamos por justiça!

No dia seguinte o povo de Umbaúba deu a resposta nas ruas, realizando um grande ato de protesto, trancando as vias da BR 101 e chegando até mesmo a expulsar uma viatura policial que tentou se aproximar do ato. A revolta tomou conta da população que, além de clamar por justiça para Genivaldo, também trouxe várias outras denúncias de abordagens violentas da Polícia Rodoviária Federal contra a comunidade.

Dois dias depois, por iniciativa do PSOL e do movimento negro, foram organizados dois atos públicos em Aracaju, pela manhã em frente a sede da Polícia Rodoviária Federal e à tarde em frente a Polícia Federal. Com amplo apoio da população, as pessoas se reuniram para pedir justiça e também manter acesa a luta pela memória e por justiça para Clautênis, Antony, Chelton, Josué e toda a juventude negra assassinada pelas forças policiais sergipanas.

Por iniciativa das vereadoras Linda Brasil e Erika Hilton, o caso também foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU), que já se manifestou pedindo explicações. A OAB e o Ministério Público Federal também já se posicionaram no sentido de pressionar e cobrar explicações e providências.

A morte de Genivaldo ocorreu no dia 25 de maio, justamente quando se completaram dois anos do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos. E dias depois da chacina da Vila Cruzeiro, que também teve participação da Polícia Rodoviária Federal. Em toda a América, sentimos o peso do colonialismo e da crise do capitalismo, que recaem contra nós negros e negras com toda a violência. Dos Estados Unidos ao Brasil a luta para que vidas negras realmente tenham importância está na ordem do dia.

É preciso dizer que essa violência contra nosso povo não começou no atual governo. Que é um problema estrutural, histórico e sistemático. Mas, no governo Bolsonaro, a situação piorou bastante. O presidente legitima e incentiva as ações violentas e letais realizadas pela polícia. Aposta na fome e na violência permanente contra o nosso povo. É urgente tirar Bolsonaro da Presidência para avançar na luta contra o racismo e por mudanças estruturais.

A luta por justiça para Genivaldo precisa se fortalecer ainda mais. Levaremos seu nome em cada luta, assim como levamos o de nossa companheira Marielle Franco. Nosso papel é lutar por reparação para a família por parte do Estado e responsabilização dos agentes. É urgente ainda mudar o funcionamento das polícias no país, com a política da desmilitarização, e mecanismos de controle da população sobre a ação policial. Não descansaremos até mudar esse sistema. Por nossos mortos, nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta! Genivaldo, presente!