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BRASIL

Militantes petistas criam manifesto contra a aliança de Lula e Alckmin

da redação
Ricardo Stuckert / Divulgação

Lula e Alckmin em jantar neste domingo (19), promovido pelo grupo de advogados Prerrogativas.

Nesta terça-feira, 11, repercutiu na imprensa e nas redes sociais uma iniciativa de militantes do PT, uma petição online que conta com a adesão de nomes de peso no partido, como os ex-presidentes da legenda Rui Falcão e José Genoino, contrária à possível aliança entre Lula e o ex-tucano Geraldo Alckmin (que se aproxima do Solidariedade, enquanto conversa com PSB e PSD).

Após sinalizações e conversas públicas de Lula e Alckmin, o debate sobre a  possível aliança tem causado discussões importantes na militância de esquerda. No manifesto que acompanha a petição, os proponentes afirmam que um possível governo de esquerda enfrentaria a “oposição do bolsonarismo, do lavajatismo e do neoliberalismo”, forças políticas que “aplaudiram e se beneficiaram da condenação, da prisão e da interdição de Lula em 2018”, e resgatam o papel do ex-governador tucano em todo esse processo que culminou na eleição de Bolsonaro, como a máxima expressão do golpe iniciado em 2016.

“Geraldo Alckmin participou e apoiou publicamente toda esta operação golpista e neoliberal”, continuam os proponentes, lembrando, inclusive, a parte da biografia e os quatro mandatos de Alckmin, como governador de São Paulo, marcados por uma “longa trajetória de combate às posições nacionais, democráticas, populares e desenvolvimentistas” e sua gestão marcada por ataques “contra os trabalhadores em geral, contra os servidores públicos, contra a saúde e a educação, contra a segurança pública, contra negros e negras, contra jovens e estudantes, contra os moradores da periferia, contra o meio ambiente”.

A petição parece dirigida para a militância petista e neste sentido acaba por limitar este debate sobre a política de alianças numa perspectiva muito centrada exclusivamente no partido e não como um debate do conjunto da esquerda e dos movimentos sociais na construção de uma alternativa política para o país. O texto, em forma de resolução, também não entra em temas também fundamentais, como a questão programática, ou seja, quais propostas para o país que devem ser apresentadas pela candidatura de Lula para atender às necessidades do povo brasileiro e o combate às desigualdades, realizando, como o próprio texto aponta, “transformações profundas no Brasil”.

O manifesto abre uma importante discussão que deve ser abraçada pelo conjunto do ativismo de esquerda e das lutas sociais no país, como os movimentos feminista, antirracista, LGBTQIA+, de juventude e de trabalhadoras e trabalhadores para que construamos um projeto de independência de classe, sem burgueses e sem golpistas, e uma frente de esquerda que encante as massas e fortaleça a disputa de poder numa perspectiva a serviço da maioria e que avance em medidas anticapitalistas.