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BRASIL

Petroleiros vão ao Congresso nesta quarta, entregar dossiê e pedir mudanças na Política de preços da Petrobrás

Observatório Social da Petrobrás
Fotos Públicas

Protesto em São Paulo, no dia 02 de novembro

Diante de recordes históricos este ano no valor da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, o Observatório Social da Petrobrás (OSP) produziu um dossiê com uma série de informações técnicas e econômicas sobre a política nacional de preços dos combustíveis. Nesta quarta-feira (01/12), dirigentes da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) viajam a Brasília para entregar cópias do documento a deputados e senadores, no Congresso Nacional, e denunciar as consequências da privatização da Petrobrás.

“Queremos apresentar aos parlamentares um estudo mais minucioso sobre a importância da Petrobrás para o desenvolvimento do Brasil e proposta para alteração da política de preço dos combustíveis. Com o dossiê, esperamos que seja criada uma comissão de estudos técnicos para mudanças na legislação, a fim de proteger a população brasileira dos preços abusivos”, afirma Adaedson Costa, secretário geral da FNP.

Elaborado pelo economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), o dossiê aponta que é possível vender combustíveis no país a preços mais acessíveis. Esclarece ainda por que é necessário acabar com o PPI (Preço de Paridade de Importação), a política que a gestão da Petrobrás utiliza para calcular o valor dos combustíveis nas refinarias. “A atual política de precificação dos combustíveis é uma verdadeira exploração da população e estagnação da economia”, declara o dirigente.

Implementado em 2016, pelo presidente Michel Temer e mantido no governo de Jair Bolsonaro, o PPI se baseia nas cotações internacionais dos derivados de petróleo e gás, mais custos de importação. O dossiê destaca que “mesmo a Petrobrás produzindo em território brasileiro cerca de 80% dos combustíveis consumidos no país, nós pagamos como se esses fossem importados. Não só em termos de dólar, mas pagamos até tarifas portuária e de transporte, inexistentes para grande parte dos produtos”.

Mais lucro aos acionistas

Segundo o estudo, o PPI serve para aumentar a lucratividade da estatal e atender aos interesses dos acionistas. “A título de comparação, os dividendos distribuídos em relação ao lucro líquido ajustado entre 2018 e 2019 eram em torno de 29% do seu total. Em 2020, este valor foi magicamente superior ao próprio lucro (isso mesmo: 152%, ou seja, a Petrobrás distribuiu mais dividendos do que teve de lucro) e, em 2021, deverá ficar em torno de 66%. Isso fará com que a Petrobrás seja a terceira maior pagadora de dividendos dentre todas as petrolíferas do mundo em 2021. Em 2022 ela se tornará a maior pagadora do mundo no setor.”

O dossiê questiona ainda os gastos do governo federal, desde o início de 2021, para amenizar o choque do preço dos combustíveis, que não resolveram o problema. Como exemplo, cita que “uma mudança do ICMS nos moldes patrocinados do Arthur Lira custaria R$ 24 bilhões para os estados e municípios (já superior ao próprio montante de dividendos).” Explica a lógica para se chegar a um preço justo e os valores propostos pelo OSP para as refinarias. E aborda o papel estratégico econômico e social da estatal, a importância do pré-sal e a política de desinvestimento, iniciada em 2015, que já vendeu quase R$ 240 bilhões em ativos da Petrobrás.

Privatização

Para o pesquisador do dossiê, Eric Gil Dantas, o debate sobre a Petrobrás é fundamental, principalmente no atual momento, quando o presidente fala em privatizar a estatal. “Se isso acontece, o PPI vai se tornar o piso, o custo mínimo para o preço dos combustíveis. Ou seja, os valores tendem a subir ainda mais”, alerta.

O economista garante que é possível cobrar um valor mais justo, como era antes do PPI, gerando lucros a revendedores, distribuidores e à Petrobrás. “O preço de mercado internacional não é a melhor opção para a economia de verdade, aquela vivida no dia a dia da população brasileira. Ele gera inflação, aumenta o déficit comercial encarecendo o dólar, aumenta desemprego, diminui investimentos e nos submete às intempéries do mercado internacional sem necessidade. Um triste cenário que acentua ainda mais o grande período de crise e estagnação da nossa economia”, conclui.