A chacina de Varginha expõe o fracasso da política de segurança pública em Minas Gerais

Cacau Pereira, de Minas Gerais
Reprodução EPTV

A ação da PM de Minas Gerais e da PRF na cidade de Varginha, no último domingo (31.10), foi comemorada pelo governador Zema (NOVO) e pela família Bolsonaro como um êxito. 26 pessoas foram mortas e, segundo a narrativa das autoridades policiais, todas elas fariam parte de uma quadrilha que planejava uma grande ação criminosa na região.

A investigação, que chegou ao grupo que planejava os delitos, foi conduzida sem a presença da Polícia Civil, órgão que deveria ser o responsável pelas ações investigativas. A cena do local do suposto “confronto entre policias e bandidos” foi alterada e os corpos removidos de imediato para o IML, em Belo Horizonte, dificultando o exame das condições em que essas pessoas foram mortas.

A narrativa do confronto contrasta com o fato de que nenhum policial sequer se feriu na ação e todos as pessoas no local foram mortas, sem exceção.
Ao contrário de comemorar, o governador Zema deveria era explicar o fracasso da ação. Nenhum dos investigados foi capturado com vida, limitando as possibilidades de se chegar aos mandantes. E toda a ação policial aponta para a hipótese de uma execução em massa do grupo, com uso excessivo da força policial e sem a tentativa de rendição.

Zema, assim como outros governadores, se utiliza do medo da população para ações que vem sendo impropriamente chamadas de “novo cangaço” para justificar uma conduta desastrosa e de extermínio, levada a cabo em nosso Estado.

Todo apoio e solidariedade à deputada Andréia de Jesus (PSOL)

Andréia de Jesus é a presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e, no uso de suas atribuições, tem mostrado empenho na proteção dos direitos das pessoas vítimas de violência e seus familiares.

Neste episódio não poderia ser diferente. As autoridades buscam sempre justificar o uso excessivo da repressão e, assim, iludir a população com a falsa ideia de garantia de segurança, quando ações deste tipo ocorrem.

As redes sociais de Andreia tem sido invadidas por elementos de extrema direita, com a propagação de mensagens caluniosas e injuriosas contra as ações da deputada.

À companheira e deputada Andreia damos nosso irrestrito apoio na sua atuação parlamentar e como presidenta da Comissão, reforçando a exigência de que o episódio de Varginha seja apurado com todo o rigor necessário, acompanhado pela CDH – ALMG, OAB, Ministério Público e organizações de direitos humanos em nosso Estado.

 

*Cacau Pereira é presidente do PSOL Minas Gerais