7 de setembro: às ruas para derrotar o golpismo 

Editorial 25 de agosto
Scarlett Rocha

19J Fora Bolsonaro

Bolsonaro ameaça o povo brasileiro. Enquanto a fome avança, a inflação dispara, o desemprego é recorde e a Covid segue tirando vidas, o bolsonarismo convoca seus seguidores fanáticos para um ato golpista em 07 de setembro, tendo como eixo o enfrentamento com o Poder Judiciário (STF e TSE). Com isso, configura-se uma gravíssima crise político-institucional no país.

Enfraquecido e cada vez mais rejeitado pela população, Bolsonaro radicaliza para tentar sobreviver. O seu método é o do fascismo: mobilizar a base extremista, usando de intimidações milicianas, para impor o terror. É hora de dar um basta ao golpismo. Vamos às ruas no dia 07 de setembro — de forma pacífica e organizada — mostrar que a maioria do povo brasileiro não aceita ameaças autoritárias e quer o fim desse governo criminoso. Somos a maioria: Fora Bolsonaro!

A estratégia de Bolsonaro

Um dos objetivos principais de Bolsonaro é amedrontar a oposição com ameaças e atos golpistas. A intenção é fazer a maioria democrática se submeter à minoria fascista por meio da chantagem e da intimidação. Ceder ao golpismo, deixando a ele o protagonismo das ruas, é o pior erro que a esquerda e os defensores da democracia podem cometer nesse momento.

Bolsonaro sabe que é enorme a probabilidade dele perder as eleições de 2022. Tem consciência, também, que o destino próximo dele e de seus filhos pode ser a prisão. Apavorado, apela ao último recurso de força que dispõe: a capacidade de mobilização da sua base de extrema direita. E conta, para isso, com suporte de segmentos militares, policiais e empresariais.

Esperar passivamente as eleições do final do ano que vem, como se Bolsonaro fosse respeitar o processo democrático-eleitoral, representaria um erro brutal, imperdoável. Primeiro, porque significaria subestimar o perigo do fascismo, que, apesar de estar enfraquecido, ainda mantém uma base considerável de seguidores no país e infiltrações em diversas instituições, especialmente nas militares e policiais.

Segundo, porque abriria a possibilidade de uma eventual recuperação de popularidade de Bolsonaro até o fim de 2022. É necessário aproveitar o momento de maior desgaste do governo para derrotá-lo agora, se possível, derrubando Bolsonaro antes mesmo das eleições. Além do mais, a queda do miliciano teria como consequência provável a paralisação das reformas neoliberais e privatizações em andamento no Congresso, que são patrocinadas pelo governo e o centrão.

A esquerda tem que ir à luta

Deve-se conferir total apoio às medidas do STF contra as ações criminosas e golpistas de Bolsonaro. Nenhuma liberdade aos inimigos das liberdades. É preciso cobrar pulso firme das instituições do Estado contra as ameaças e as ações deliberadamente antidemocráticas de Bolsonaro e de seus aliados, em particular no que se refere à organização das manifestações fascistas de 07 de setembro. A omissão diante do golpismo — por parte de governadores, deputados, senadores, juízes, partidos políticos, procuradores, comandantes militares e policiais, empresários etc. — deve ser entendida como cumplicidade, aberta ou velada, com os atos criminosos de Bolsonaro.

Contra o bolsonarismo, a luta nas ruas é decisiva. Nosso inimigo tem na ação direta fascista seu principal ponto de apoio. Contrapor a mobilização da extrema direita com a forças das massas nas ruas é fundamental. Por isso, deixar o dia 07 de setembro livre para o desfile fascista seria um grave equívoco. O golpismo ficaria empoderado, ganhando confiança e poder de intimidação.

A campanha Fora Bolsonaro já construiu quatro grandes manifestações nacionais nesse ano, levando centenas de milhares às ruas em atos muito superiores aos do bolsonarismo. É hora de repetir a dose. Com a convocação firme e unitária das lideranças e organizações da esquerda, dos movimentos sociais e todos setores democráticos dispostos a lutar, é provável que o Fora Bolsonaro seja maior nas ruas que os atos golpistas. Isso teria enorme valor político, pois representaria uma derrota efetiva e simbólica de Bolsonaro.

Nesse sentido, tem grande importância a posição de Lula, líder disparado nas pesquisas à eleição presidencial. Enquanto Bolsonaro convoca abertamente uma manifestação golpista que ameaça o país, Lula seguirá apenas preparando sua candidatura presidencial com negociações e discursos eleitorais? Não é hora de Lula chamar o povo às ruas, em atos pacíficos e organizados, para defender a democracia e os direitos sociais e trabalhistas ameaçados? Cabe a Lula uma considerável responsabilidade histórica nesse momento crítico que atravessa o Brasil.

De hoje ao dia 07 de setembro, a tarefa mais importante é a construção de grandes atos populares no dia da independência nacional. Tomando todos cuidados com a segurança e a organização das manifestações democráticas, é preciso coragem e firmeza para derrotar o fascismo. Vamos à luta, pois na luta venceremos!

Derrotar o golpismo, Fora Bolsonaro!
Comida, emprego, vacina e renda básica para o povo!
Abaixo as reformas neoliberais e as privatizações!
Por uma Frente de esquerda nas lutas e nas eleições!
Por um governo do povo trabalhador e oprimido, sem alianças com a direita!