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BRASIL

Servidores da Saúde Mental de Santos lutam contra ameaça de terceirização

Por Resistência Baixada Santista
Sindserv Santos

Um velho conhecido alvo de governos neoliberais, os servidores públicos vêm sendo ameaçados e atacados com a PEC 32 da Reforma Administrativa. O assunto retornou à pauta uma semana após Luis Ricardo Miranda, trabalhador do setor de importações do Ministério da Saúde, ter denunciado a oferta de propina na compra da vacina Covaxin. Nas redes, discutiu-se sobre a estabilidade do servidor público ter garantido a denúncia e a possibilidade de expor o esquema que justificou o negacionismo nefasto de Bolsonaro com a corrupção. Em uma outra esfera, servidores e os serviços públicos em todo o país são submetidos ao desmonte sob a batuta de governos locais e regionais.

É o que acontece com os servidores da Saúde Mental de Santos, que estão em luta pela defesa do serviço público contra a terceirização. A Saúde Mental santista tem importância histórica decisiva para a construção das políticas públicas, diretrizes do campo e na luta antimanicomial no Brasil. Foi em 1989, por exemplo, quando ocorreu a intervenção na Casa de Saúde Anchieta, sob o governo de Telma de Souza (PT) e o secretário de saúde, David Capistrano.

A partir do fechamento do manicômio que sediava mortes e o aprisionamento de pessoas com transtornos psíquicos que muitas vezes não eram diagnosticados e nem cuidados, uma rede de serviços foi criada de forma a resgatar a dignidade, o acesso a direitos e a cidadania das pessoas que ali sobreviviam. Dessa iniciativa, surgiram serviços que viriam a ser adotados em todo o território nacional, com destaque aos Centros de Atenção Psicossocial, calcados em relações de cuidado e afeto entre usuários do serviço, seus familiares, profissionais da saúde e a comunidade.

No entanto, com o passar dos anos o desinvestimento na saúde mental no município passou a ser notável e impacta diretamente na qualidade do cuidado frente à demanda que só tem crescido nos últimos anos, especialmente aliada ao quadro de pandemia e empobrecimento da população. Nas unidades, faltam insumos básicos para a realização do trabalho: materiais de escritório, artístico, de enfermagem. Nas farmácias, medicamentos faltam rotineiramente.

A estrutura física das unidades vem sofrendo com problemas graves de infraestrutura e manutenção das mais diversas: fios expostos, vidros quebrados, falta de iluminação e mobiliário adequados, entre outros. A casa de uma das unidades, do CAPS AD, tem grande parte de sua área interditada e promessa de mudar de lugar há mais de um ano, sem nenhuma satisfação aos munícipes. Com aposentadorias no setor, os servidores não são repostos, reprimindo a demanda dos serviços e esvaziando postos de trabalho.

Em meio a esse quadro de péssimas condições trabalho e impacto direto no atendimento às pessoas em sofrimento psíquico, soma-se o risco da terceirização, que é rumor entre os corredores, mas realidade no cotidiano das unidades, reproduzindo um velho ataque ao serviço público: o sucateamento e a desidratação de seus equipamentos até a solução mágica e instantânea de entrega do setor ao capital privado, sujeito aos desvios de verba e arbitrariedades que já conhecemos.

A organização da luta

Ao se deparar com esse cenário, as trabalhadoras e trabalhadores da saúde mental do município, junto a usuários e familiares do serviço e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (SindServ) estão se mobilizando para barrar essa a terceirização, que responde a interesses escusos do esqueleto social neoliberal.

No dia 18 de maio, dia nacional da luta antimanicomial, o coletivo se dirigiu à Secretaria de Saúde para protestar, e no dia 26, ao mesmo lugar, para outro momento de mobilização e reunião com o chefe da pasta, que afirmou que nada havia de concreto para a terceirização. E acrescentou que se houvesse algo seria iniciativa do prefeito, o tucano Rogério Santos. No mesmo dia, rumaram para a Prefeitura exigindo uma reunião com o prefeito, com a finalidade de garantir melhores condições de trabalho e espantar a assombração da terceirização com investimentos públicos. A reunião foi agendada para 15 de junho, dia em que houve mobilização de todo o coletivo com faixas e carro de som em frente à Prefeitura na Praça Mauá. No entanto, 90 minutos antes da reunião, o gabinete do prefeito desmarcou a reunião. Recibo? Acredita-se que sim.

Em paralelo, vereadoras da oposição, entre elas a ex-prefeita Telma de Souza e Débora Camilo, do PSOL, e outros vereadores (Fabrício Cardoso, João Neri e Sérgio Santana) compuseram uma Comissão Especial de Vereadores contra a terceirização da Saúde Mental, que teve como primeiro ato uma audiência pública, realizada em 16 de junho, em que representantes da Frente da Luta Antimanicomial, dos usuários e trabalhadores puderam expor a mobilização e fazer crescer a luta por um SUS de qualidade!

Os servidores permanecem mobilizados! Por uma Saúde Mental de qualidade: loucura não se prende, saúde não se vende! Fora Bolsonaro!