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TEORIA

100 anos da Frente Única Operária: Em busca dos antecedentes

Este é o quinto artigo da série “100 anos da Frente Única Operária: gênese e atualidade”

Bruno Rodrigues*, de Fortaleza, CE

Em Berlim, quatro milhões de trabalhadores se levantaram contra o putsch de Kapp-Lüttwitz

Os quatro artigos iniciais desta série se dedicam a resgatar a história da Frente Única Operária, cujas origens estão cronologicamente compreendidas entre o período em que foi lançada a Carta aberta proposta por Paul Levi e Karl Radek, em janeiro de 1921, até a aprovação das Teses sobre a unidade da frente proletária pelo IV° Congresso do Komintern, em novembro-dezembro de 1922.

Contudo, cabe também afirmar que há pelo menos dois importantes eventos que constituem uma pré-história da Frente Única Operária, são eles: a resistência proletária unificada ao putsch de Kapp-Lüttwiz e a resistência soviética ao golpe de Kornilov, ocorridos respectivamente em março de 1920 na Alemanha e em agosto de 1917 na Rússia.


Explorar estes dois eventos é o objetivo do quinto artigo desta série.

O putsch de Kapp-Lüttwitz

Wolfgang Kapp

A rigor, estabelece-se a resistência proletária unificada contra o putsch de Kapp-Lüttwitz como o marco-zero da Frente Única, sua forma, por assim dizer, embrionária.

O putsch de Kapp-Lüttwitz, ou simplesmente putsch de Kapp, como ficou conhecido, foi um levante golpista ocorrido na Alemanha entre os dias 13 e 17 de março de 1920, cujo objetivo era a destituição do Reichpräsident Friedrich Ebert, do SPD. Seus líderes foram Wolfgang Kapp, jornalista e antigo funcionário do estado imperial germânico, e Walther von Lüttwitz, general monarquista e comandante das tropas de Berlim. Do ponto de vista cronológico, este foi um evento ocorrido quase um ano antes de nascer a ideia da carta aberta, proposta por Levi e Radek.

A instauração da república de Weimar não implicou em uma substancial modificação da estrutura estatal herdada da monarquia. Tanto que muitos dos seus antigos funcionários mantiveram seus cargos preservados no aparelho administrativo da república, como era o caso de Wolfgang Kapp. 

Ao mesmo tempo, a república que surgiu trouxe como marca de nascença os efeitos gerados pelas condições da rendição militar impostas sobre a Alemanha, pelas potências vencedoras da I° Guerra, consubstanciadas no draconiano Tratado de Versalhes

Os golpistas liderados por Kapp e Lüttwitz levantavam a tese de que a Alemanha não havia perdido a guerra, mas, na verdade, havia sido supostamente apunhalada pelas costas ao capitular e aceitar o Tratado de Versalhes. Boa parte das tropas também estava intoxicada pelas mesmas ideias chauvinistas de Kapp e Lüttwitz.


Entre outras coisas, o Tratado de Versalhes buscava coibir o militarismo germânico, impondo restrições severas sobre o contingente de suas forças armadas. 

Walther Von Lüttwitz
O Exército alemão (Reichswehr) foi restabelecido pela assembleia constituinte: em junho de 1919 tinha 100.000 homens, o máximo permitido pelos tratados do pós-guerra.  Incluindo os Freikorps, porém, no início de 1920 o Exército contava com 400 mil homens, o que provocou protestos das potências vitoriosas. (Authier; Dauvé, 1979)

Muitos militares descontentes não aceitaram submeter-se ao tratado já que ele significava, além da sujeição humilhante diante da França e da Inglaterra, o desemprego de uma enorme massa de militares.

O estopim para o golpe se deu quando o gabinete do Ministério da Defesa, chefiado por Gustav Noske, do SPD, emitiu uma ordem de dissolução de um destacamento composto por 6.000 Freikorps da marinha, o Marinebrigade Ehrhardt. Contudo, o capitão do destacamento, Hermann Ehrhardt, se negando a dar cumprimento à ordem, recorreu ao comandante à frente das tropas de Berlim, o general von Lüttwitz.

No dia 13 de março von Lüttwiz ordenou que a Marinebrigade Ehrhardt ocupasse Berlim. Como resposta, Noske ordenou ao exército regular que repelisse o ataque de von Lüttwitz, mas o general reacionário e comandante do exército, Hans von Seeckt, negou-se a acatar a ordem do Ministério da Defesa afirmando que o Reichswehr não ataca o Reichswehr. Com esta declaração de von Seeckt, estavam dadas as condições para o triunfo do golpe na capital.

Militares e civis desfilam sob a Reichskriegsflagge, símbolo imperial alemão, em apoio ao putsch de Kapp-Lüttwitz

Sem tropas suficientes para reagir e acuado em Berlim, o gabinete do governo do SPD resolveu abandonar a capital à própria sorte e tomar o caminho para Dresden e depois para Stuttgart. Berlim caiu imediatamente nas mãos de Kapp e Lüttwitz:

Nas primeiras horas da manhã, os homens de Ehrhardt ocupam Berlim, hasteando a bandeira imperial sobre os prédios públicos.  Instalado na Chancelaria, Kapp promulga seus primeiros decretos, proclama o estado de sítio, suspende todos os jornais, nomeia o general von Lüttwitz como comandante-chefe.  Ao meio-dia, ele pode presumir que todas as equipes e todas as forças policiais da região militar de Berlim se uniram à sua empreitada.  (…).  Na noite de 13 de março, parece que o golpe se deu sem derramamento de sangue, já que, em lugar algum, o exército ou a polícia parecem se opor, e as autoridades do Norte e do Leste reconhecem o novo governo. (Broué, p. 220, 1971)

Contudo, o dirigente sindical social-democrata, Carl Legien, à frente da ADGB, manteve-se na capital e resolveu convocar à resistência lançando um chamado à greve geral. Legien havia passado as primeiras horas do dia 13 de março  articulando a preparação da greve geral com outras lideranças sindicais. 

Carl Legien

O KPD, no entanto, nos primeiros momentos da greve geral vacilou ante o chamado de Legien. Por meio de seu jornal, Die Rote Fahne, publicado no dia 14 março, o KPD assim reagiu:

Os trabalhadores devem nestas circunstâncias passar à greve geral? A classe operária, ainda ontem esmagada por  Ebert-Noske, desarmada, nas piores condições, é incapaz de agir. Nós acreditamos que nosso dever é falar claro. A classe operária lutará contra a ditadura militar nas circunstâncias e com os meios que ela julgue próprios. Estas circunstâncias não estão ainda reunidas. (Apud Mermelstein, p. 21, 1993)

Contudo, diante da greve que começava a ganhar cada vez mais força, a direção do KPD rapidamente teve que corrigir sua linha. Assim, nas principais cidades, foram se formando comitês de ação conjuntos que reuniam sindicatos e partidos operários, como no vale do Ruhr, onde as milícias dirigidas pelos comitês unitários reuniam mais de 100 mil operários em armas. Na cidade de Chemnitz, na Saxônia, surgiu a Arbeiterwehr, uma guarda militar operária comandada pelo pedreiro e dirigente do KPD Heinrich Brandler, que se encarregou de expropriar depósitos de armas e distribuí-las entre os comitês, ocupar estações e a prefeitura, bem como resguardar as principais áreas da região contra o as tropas de Lüttwitz. 

Como um rastilho de pólvora, rapidamente a greve geral se espalhou por todo o país e mais de doze milhões de trabalhadores aderiram ao chamado conjunto dos partidos e sindicatos.

A partir de 14 de março, portanto um domingo, é possível medir a duração e a escala do movimento.  Os trens param um após o outro.  Em Berlim, às 17 horas, não há mais bondes, água, gás ou eletricidade.  Por toda parte, eclodiram lutas entre soldados e operários. (Broué, p. 221, 1971)
Panfleto da ADGB convocando todos os trabalhadores à greve geral

Assim, a ação unitária da esquerda e dos sindicatos, à frente de mais de doze milhões de trabalhadores, foi como um golpe de espada desferido de forma certeira na jugular do novo governo de Kapp, pois este teve suas funções administrativas inviabilizadas. O que bastou para que os golpistas aceitassem recuar.

Em vários lugares os soldados e marinheiros se rebelaram e aprisionaram seus oficiais. No dia 17 os golpistas fugiram. O país todo estava coberto de comitês de ação surgidos no calor da luta. A classe operária sentiu sua força ao derrotar o golpe. Pela primeira vez após a guerra, os militantes dos partidos operários lutavam lado a lado contra o inimigo de classe. (Mermelstein, p. 21, 1993)

Finalmente, com o país totalmente paralisado, começaram as tratativas entre o governo putschista de Kapp e o governo social-democrata para a devolução do poder, o que ocorreu no dia 17 de março [1].

Com a derrota do golpe, abriu-se um debate no movimento operário acerca da composição do governo. Carl Legien defendeu a formação de um governo operário, isto é, um governo composto pelos partidos SPD, USPD e KPD, com o apoio dos sindicatos. Ante a proposta de Legien, a direção da regional Berlim assim respondeu:

Se vocês tomarem a sério suas ações, se vocês querem verdadeiramente armar os operários e desarmar a contra-revolução, se vocês querem verdadeiramente depurar a administração de todos os elementos contra-revolucionários, então isso significa a guerra civil. Neste caso, é claro que não somente sustentaríamos o governo mas que estaríamos à frente do combate. Caso contrário, se vocês traírem seu programa e se vocês golpearem os trabalhadores pelas costas, então, nós – e nós esperamos que neste caso sejamos seguidos por pessoas vindas de vossas próprias fileiras – empreenderemos a luta mais resoluta, sem reservas e com todos os meios à nossa disposição. (Die Kommunistiche International n°1, 1926, p. 406. Citado por Brouè, La revolution allemande, p. 354, apud Mermelstein, p. 22, 1993)
Operários em armas contra
o putsch reacionário

A direção majoritária do SPD, contudo, atuava para recompor suas relações de conciliação de classes no parlamento. Então, ao fim e ao cabo, o KPD declinou da proposta, porém deixou demarcada sua disposição para atuar como oposição leal ao governo do SPD:

O partido declara que sua atividade conservará o caráter de uma oposição leal  enquanto o governo não atente contra as garantias que assegurem à classe operária sua liberdade de ação política, enquanto ele combata  por todos os meios a contra-revolução burguesa e não impeça o reforço da organização social da classe operária. Ao declarar que a atividade de nosso partido conservará o caráter de uma oposição leal, nós subentenderemos que o partido não preparará o golpe  de estado revolucionário, mas conservará uma liberdade de ação completa no que concerne à propaganda política em favor de suas ideias. (Die Rote Fahne, 26/03/20, Citado por Broué, p. 356-357, La revolution allemande, apud Mermelstein, p. 22, 1993)

Assim, é cabível situar essa sequência de eventos como, possivelmente, o primeiro antecedente da tática da Frente Única Operária.

O golpe de Kornilov
Todavia, se quisermos voltar no tempo para buscar um pouco mais fundo, também é possível estabelecer a resistência ao golpe de Kornilov, em agosto de 1917, como o primeiro antecedente desta política [2], que assim se deu.

Lavr Kornilov

Com a queda do Czar em fevereiro daquele ano, assumiu o governo do Socialista Revolucionário Alexander Kerensky. A respeito de sua composição social, seu governo caracterizou-se como uma coalizão de partidos de esquerda com a burguesia liberal. No plano político, o governo de Kerensky caracterizou-se como governo instável, que coexistiu com uma forma nova de poder político nascido da revolução de fevereiro: os soviets de operários, camponeses e soldados. Tal governo caracterizou-se também por seguir sem dar solução aos problemas fundamentais do país naquele momento: a supressão da fome e da carestia, a retirada das tropas russas daquela guerra que vinha consumindo milhares de vidas e a distribuição de terras cultiváveis para a população camponesa. Em síntese, pão, paz e terra.

Com alguma vacilação inicial, os bolcheviques localizaram-se na oposição ao governo provisório, recusando sua participação nele.


Em julho, impacientes diante do impasse quanto aos problemas do país e acossados pelas dificuldades econômicas, os operários saem novamente às ruas nas principais cidades.
O general cossaco e comandante em chefe das forças armadas da Rússia, Lavr Kornilov, considerava necessário esmagar os bolcheviques e dissolver os soviets, contudo via em Kerensky uma figura pouco capaz de cumprir tais objetivos. Ademais, Kornilov exigia a decretação de lei marcial em toda a Rússia, almejando o controle ditatorial do país e o comando absoluto de todo o exército.

Com efeito, a pretexto da realização de uma manobra militar contra os alemães na cidade letã de Riga, Kornilov reuniu tropas oriundas do Cáucaso e da Sibéria, mobilizou apoio estrangeiro e marchou em direção a Petrogrado determinado a destituir Kerensky. O alarme do golpe soou em todo o país.

Milícias proletárias contra o golpe de Kornilov

Nessa ocasião, Trotsky e vários outros bolcheviques estavam presos.  Havia também uma ordem de prisão para Lênin, Kamenev e Zinoviev. Os bolcheviques, mesmo localizando-se na oposição ao governo de Kerensky, “ocuparam  logo as primeiras posições” (Trotsky, 2011) na luta contra Kornilov. Foi um evidente giro tático diante de uma abrupta alteração na conjuntura: 

A insurreição de Kornilov representa uma viragem totalmente inesperada (inesperada pelo momento e pela forma) e incrivelmente brusca dos acontecimentos.(Lênin, 2002)

A tática bolchevique fica clara em uma importante carta de Lênin de 30 de agosto endereçada à direção bolchevique. Escrevendo na clandestinidade, Lênin alertava que:

A mudança consiste além disto em que agora o principal é o reforço da agitação por uma espécie de “reivindicações parciais” a Kerenski – que prenda Miliukov, que arme os operários de Petrogrado, que chame as tropas de Kronstadt, de Viborg e de Helsingfors a Petrogrado, que dissolva a Duma de Estado, que prenda Rodzianko, que legalize a entrega das terras dos latifundiários e os camponeses, que introduza o controle operário sobre o pão e sobre as fábricas, etc., etc. E devemos apresentar estas reivindicações não apenas a Kerensky, não tanto a Kerenski como aos operários, soldados e camponeses, entusiasmados pelo curso da luta contra Kornilov. Há que entusiasmá-los mais, encorajá-los a surrar os generais e oficiais que se pronunciaram a favor de Kornilov, há que insistir para que eles reivindiquem imediatamente a entrega da terra aos camponeses, sugerir-lhes a necessidade da prisão de Rodzianko e Miliukov, da dissolução da Duma de Estado, do encerramento do Retch e de outros jornais burgueses e de uma investigação a seu respeito. É preciso sobretudo empurrar nesta direção os socialistas-revolucionários “de esquerda”.
Seria errado pensar que nos afastamos mais da tarefa da conquista do poder pelo proletariado. Não. Aproximámo-nos extraordinariamente dela, não de forma direta mas lateral. E é necessário, neste mesmo instante, fazer campanha não tanto diretamente contra Kerenski, como indiretamente contra ele, indiretamente, a saber: exigindo uma guerra ativa, muito ativa, e verdadeiramente revolucionária, contra Kornilov. (Lênin, 2002)

Ao ser procurado na prisão por um comando de marinheiros revolucionários que, buscando orientação política, se perguntava se já não era a hora de derrubar Kerensky, Trotsky (2017, p. 250) lhes respondeu sintetizando a tática bolchevique com a seguinte fórmula: apóiem o fuzil sobre o ombro de Kerensky e disparem contra Kornilov. Depois ajustaremos as contas com Kerensky”. Em outras palavras, tratava-se de contrapor o ataque do general reacionário com a política da Frente Única.

Sob essa orientação, os bolcheviques puseram em ação o plano de defesa. No soviet de Petrogrado fizeram aprovar uma resolução solicitando 5.000 combatentes da base naval de Kronstadt. Os operários das ferrovias colocaram obstáculos nos trilhos ou mesmo desvios neles, enviando as tropas golpistas para lugares distantes. Graças ao papel decisivo dos agitadores bolcheviques, que explicaram para os soldados de Kornilov o objetivo contrarrevolucionário daquela operação, os regimentos se desfizeram um a um.

Tropas de Kornilov se rendem aos soldados da
base naval de Kronstadt após a derrota do golpe

Ao cabo de poucas horas Kornilov se rendeu. O golpe, que pouco tempo antes parecia impossível de ser detido, foi finalmente desarticulado e seus líderes presos ou fuzilados. Foi a vitória da linha política proposta pelos bolcheviques.

Apesar da derrota de Kornilov, ficou claro que Kerensky ofereceu uma resistência vacilante e, às vezes, até passiva diante dele. Assim,  o governo e seus apoiadores no interior dos soviets caíram em descrédito aos olhos dos soldados e trabalhadores que se lançaram ao combate contra o golpe.

Por outro lado, ao jogar um papel de primeira linha na luta pela derrota do golpe, convocando a mais ampla unidade política entre as forças proletárias e de esquerda a partir dos soviets, os bolcheviques puderam conquistar plena confiança dos operários, camponeses e soldados do país, o que abriu caminho para a insurreição em outubro.

Lições para o futuro
Ao fim e ao cabo, as lições deixadas por estes dois eventos foram indispensáveis para ajudar a nortear o posterior desenvolvimento da política da Frente Única, pois eles ilustram como foi possível adotar uma política que, frente a ofensivas contrarrevolucionárias como a de Kapp-Lüttwiz ou de Kornilov, efetivamente pôde reunir condições para vencer o perigo golpista imediato.

O caso da Rússia é ainda mais particular já que o país atravessava uma situação revolucionária aberta com a queda da monarquia meses antes do golpe. Mesmo assim, nada disso impediu que Lênin, Trotsky e os bolcheviques enxergassem a necessidade de estabelecer uma  hierarquia na luta contra Kornilov em face da luta contra Kerensky, mediando esta hierarquia a partir da linha tática que implementaram em agosto.

*Bruno Rodrigues é militante da Resistência/PSOL
@escape.to.the.voidwbrf.bruno@alu.ufc.br

LISTA DE SIGLAS

ADGB – Federação Geral de Sindicatos Alemães

KPD – Partido Comunista Alemão

SPD – Partido Social-Democrata Alemão

USPD – Partido Social-Democrata Independente Alemão

 

NOTAS

[1] No entanto, Wolfgang Kapp, Walther von Lüttwitz e Hermann Ehrhardt não foram julgados e punidos. O governo social-democrata lhes garantiu aposentadoria, direito de exílio e ainda manutenção dos antigos funcionários do aparato imperial em seus empregos.
[2] Não existe exatamente uma polêmica entre um e outro episódio. Alguns autores preferem dar ênfase aos eventos ocorridos na Alemanha em março de 1920, situando-os como o marco-zero da Frente Única. Este é o caso do veterano trotskista Waldo Mermelstein, no seu ensaio Origens da Frente Única Operária, bem como o caso do historiador tcheco Miloš Hájek, no seu ensaio A discussão sobre a frente única e a revolução abortada na Alemanha. Outros autores, como o próprio Trotsky, situam a resistência ao golpe de Kornilov e a linha dos bolcheviques frente a ele como o evento que dá luz à política da Frente Única.

 

BIBLIOGRAFIA

AUTHIER, Denis et DAUVÉ, Gilles, La Gauche Communiste en Allemagne: 1918-1921, Payot, Paris, 1979. Trad. Bruno Rodrigues.
BROUÉ, Pierre, Révolution en Allemagne, 1917 -1923, Éditions de Minuit, Paris, 1971. Trad. Bruno Rodrigues.
LÊNIN, V. I., To the Central Committee of the R.S.D.L.P, 30/08/1917. Lenin Collected Works, Progress Publishers, 1977, Moscow, Vol. 25, pp 289-293. Digitalizado em 2002 pelo portal Marxist Internet Archive. Disponível em: http://bit.ly/3vVdYpG Trad. Bruno Rodrigues
MERMELSTEIN, Waldo, Origens da Frente Única Operária, revista Desafio, Desafio, São Paulo, 1993.
TROTSKY, Leon, A história da Revolução Russa, 2ª edição, Sundermann, São Paulo-SP, 2017.
TROTSKY, Leon, Revolução e contrarrevolução na Alemanha, Sundermann, São Paulo-SP, 2011.